Ainda atrás de informações

Acredito ter encontrado um caminho a seguir depois da conversa que tive com o tal Ávila. Era um sujeito sujo e mal encarado, típica pessoa que se olha de longe e se desvia para não arrumar rolo passando perto.

Como eu sabia que ele não ia se abrir fácil eu o surpreendi enquanto ia ao banheiro no tal Bar. Tranquei a porta principal rapidamente e o prendi por trás, segurando com uma mão os braços e com a outra pressionei sua cabeça sobre o balcão da pia.

– Algumas horas depois que tu saiu da casa do Zé ele foi morto, o que aconteceu por lá cara?

Ele me xingou de várias coisas e se fez de mole, então comecei uma tortura leve, usei minha habilidade para aumentar as unhas e com o indicador pressionei o seu pescoço…

– Eu não fiz nada eu não fiz nada eu não fiz nada seu maluco…

Detesto quando me chamam de doido ou algo do tipo, soquei com o cotovelo as costas dele o que proporcionou um breve gemido.

– Calma loco eu falo eu falo…

Geralmente as pessoas falam as coisas mais facilmente que nos filmes, basta ser um pouco mais brabo e ter voz firme. Ele se sentou então ao chão e olhando para baixo disse:

– Véio eu vendo uns barato, teu amiguinho comprava uns bagulho de mim só isso…

Antes que ele terminasse a frase lhe dei um tapa corretivo com as costas da mão, o que lhe fez deitar e cuspir nos meus pés.

– Eu sei da merda que tu vende seu babaca, quero saber o que tu fazia lá um tempo antes dele ser morto.

Ele tossiu um pouco, mas em seguida soltou:

– Véio eu só fui lá deixar um bagulho, não sei de nada véio… Ele tava com pressa parecia que ia vazar pra algum pico sei lá. Entreguei o lance ele me pago e fui embora loco só isso…

Dei outro tapa corretivo nele, mas agora para o outro lado o que lhe fez cuspir um pouco de sangue.

– E na hora que tu foi embora não viu ninguém diferente chegando ou passando perto do ap?

De imediato ele disse:

– Não véio nad… Humm pera, tinhas umas duas gostosa subindo as escada, duas xereca perfumada… Eu até dei uma brincadinha, ta ligado, mas elas nem olharam loco. Uma tava com um casacão preto e a outra tinha uma mala. Acho que elas não morava ali não, mas não vi se foram lá pro teu amigo…

Nessas horas um pensamento rápido sempre atormenta minha mente, será que mato o f.d.p. rápido ou o deixo sofrer um pouco. Como eu estava com pressa quebrei o pescoço dele, transformei-me em névoa e fui embora dali até o meu carro.

Saindo dali, era impossível não pensar que as duas mulheres estivessem envolvidas com a morte, mas elas podiam ser qualquer coisa, bruxas, lobas. Nessas horas até de alguns vampiros pode-se desconfiar. E estou indo atrás de um amigo do Zé, um cara que tem todo tipo de informação e talvez possa me informar se alguém estranho de fora estava circulando pela região.

Ferdinand W. di Vittore

Nascido em 1827, foi transformado em vampiro com 25 anos em 1852, enquanto ainda vivia na pequena cidade de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, Santa Catarina – Brasil. Criou este site em 2008 com o objetivo de divulgar as ideias do seu clã, instituição fraternal em que ele, seu mestre e alguns amigos mais chegados pertencem. Além disso ele também publica aqui e no vampir.com.br histórias do seu cotidiano. Está quase sempre bem humorado e nos últimos anos possui um projeto chamado “Os escolhidos” em parceria com Hector. No qual eles “ajudam” a polícia e a sociedade na resolução de crimes hediondos. Ferdinand também ocupa suas noites com a escrita e recentemente publicou um livro com suas memórias: http://my.w.tt/UiNb/gz325qd62s

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3 Resultados

  1. Giulia disse:

    Mas o Zé tinha problemas com alguém não-humano? Sei lá, alguém poderia muito bem não gostar dele por algum motivo. Será que se trata de algum caçador?

  2. Zuleica disse:

    já sabes minha op. amigo!!!te cuida.

  3. Gmedeiros disse:

    Que sinistro Galego !!!
    toma cuidado !!
    Espero que consiga cumprir o que deseja !!!
    Fique bem !!!