Após a transformação, como é a “vida” de um vampiro?

Sempre me fazem esta pergunta: Ferdinand como é a vida ou morte depois de ser transformado em um ser da noite, vulgo vampiro? Obviamente isso é muito abrangente e dificilmente faço um detalhamento por e-mail. Salvo aquelas vezes em que simpatizo com quem me escreve.

Em função disso e como hoje estou com muita insônia, resolvi dedicar parte do meu tempo on-line para vos falar um pouco mais da rotina de um vampiro. Seus afazeres, seus benefícios, malefícios e tudo o que mais que envolva as noites de um ser sobrenatural na atualidade.

Logo em seguida a transformação em que a pessoa é submetida para se tornar um de nós ocorre a primeira grande mudança, no que diz respeito à alimentação. Tu vai ter de deixar de lado praticamente tudo: lasanhas, feijoadas, pão, vinho. Sangue será tudo o que precisas para sobreviver e de preferência o arterial. Todavia, como as artérias são muito finas dificilmente vais degustar tal manjar, então terá de te contentar com o sangue venoso, pouco oxigenado e menos nutritivo. Essa adaptação leva cerca de um mês, onde vai ter muita azia, ânsias de vômito, enjoos e sensação de fome a todo e qualquer instante.

É importante frisar que a transformação dos órgãos e do próprio corpo não é imediata, ocorre em etapas e isso de certa forma é bom para a adaptação. Outra observação importante sobre a alimentação é que alguns vampiros conseguem ingerir alguns líquidos ou alimentos. Porém, são exceções e precisam de muito esforço para expelir o que tiverem digerido. Inclusive já ouvi falar de alguns que precisaram de uma bela lavagem estomacal para eliminar tais resíduos.

Além da alimentação, outra questão importante é a luz do sol. Esqueça ela, tu nunc amais vai vê-la ou senti-la a menos, que queira torrar feito um guardanapo na fogueira. Ninguém sabe ao certo o porquê deste “defeito”. Meu mestre me contou uma história interessante sobre uma punição dos Deuses aos primeiros vampiros, mas sinceramente isso até hoje me parece um pouco mitológico demais. O que tu precisa saber se algum for transformado é que no inicio vai sentir falta do dia, do movimento da vida ativa que tinhas. À noite tudo acontece mais devagar, quase todos os humanos estão cansados, a maioria dos lugares é fechado comercialmente e tu vai ter muito sono. Há quem se adapte fácil, eu, por exemplo, levei uns dois meses para trocar de rotina. Ainda mais porque antigamente não havia Conveniência 24h.

Como eu já disse em outras ocasiões há diversos grupos ou clãs de vampiros e todos eles são muitos específicos com relação a regras, costumes ou hábitos. Há alguns que obrigam seus membros a seguirem determinadas religiões, certas formas de alimentação ou ainda certos tipos de vestimenta e ou hábitos de higiene. Acredite, há de tudo no que diz respeito a hábitos vampirescos. Imagine um clã que logo após a transformação coloca seus membros dentro de caixões e os enterra por um ou dois meses. Isso existe! Imagine um clã onde cada membro se alimenta apenas de determinados tipos de seres, como animais ou somente crianças… Isso existe!

Além das questões comportamentais, a maior provação no qual passará um recém-transformado é o processo interno. Aquele que ocorre dentro de sua cabeça e que irá na maioria das vezes confrontar com seus modos e atitudes anteriormente humanos. Quase todos que conheço mantiveram boa parte dos hábitos de antes. Se era médico, continuou seus trabalhos ou estudos para com o meio. Se era policial, continuou agindo em prol da lei ou da justiça. Se era um vagabundo, dificilmente depois de transformado mudou de atitude, inclusive conheço vários que se tornaram ainda mais vagabundos e safados.

Como eu sempre digo, a transformação me foi uma obrigação. Não pedi ou tive escolhas sobre o que me tornei, porém aprendi a conviver com isso e me manter o mais humano que me é possível. Apesar de ainda preferir o sangue humano e sabendo que isso é de certa forma um canibalismo enjeito pela cultura ocidental cristã, predominante na maioria dos países que frequento. Mesmo bebendo o sangue de marginais da sociedade, há aqueles que me criticam.

Concluindo, depois de transformados todos passamos por uma fase típica, onde nos ocorre sempre a mesmas perguntas: O que é certo ou errado, para mim, para meu clã ou para o mundo?

Ferdinand W. di Vittore

Nascido em 1827, foi transformado em vampiro com 25 anos em 1852, enquanto ainda vivia na pequena cidade de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, Santa Catarina – Brasil. Criou este site em 2008 com o objetivo de divulgar as ideias do seu clã, instituição fraternal em que ele, seu mestre e alguns amigos mais chegados pertencem. Além disso ele também publica aqui e no vampir.com.br histórias do seu cotidiano. Está quase sempre bem humorado e nos últimos anos possui um projeto chamado “Os escolhidos” em parceria com Hector. No qual eles “ajudam” a polícia e a sociedade na resolução de crimes hediondos. Ferdinand também ocupa suas noites com a escrita e recentemente publicou um livro com suas memórias: http://my.w.tt/UiNb/gz325qd62s

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30 Resultados

  1. Lella Moraiss disse:

    Já li isso tantas vezes….. Mas sempre sinto que é a primeira vez que eu tô aprendendo sobre isso…rsrs

    • Ah é bom filosofar as vezes, ainda mais que de tempos em tempos há por aqui uma onda de novos leitores. Gente que acha que verbena faz tanto mal para vampiros quanto água benta ou luz do sol… Então como tu bem sabes gosto de diferenciar o mundo real das séries Hollywoodianas e faço esse tipo de post repetitivo rs

  2. Angélica Freitas disse:

    Essa coisa de clã obrigar os novos membros a seguir determinada religião, vestimenta, alimentação, faz-me lembrar uma ditadura!!!!

    • Sim exatamente, mas tu há de convir que o mundo dos humanos é repleto destas cousas. Colégios, que obrigam uniforme, corte de cabelo ou atos cívicos e religiosos. Países onde tu não tem acesso total a internet como na China e tantas outras obrigações feitas por pseudo ditadores.

  3. Ju13 disse:

    Nossa eu n fazia a menor ideia disso (dos clã obrigar a mudanças) mas e se o recem transformado n aceitar as mudanças oq acontece com ele??

    • Raramente isto ocorre, pois clãs mais exigentes também são muito “chatos” na seleção dos futuros membros. Além disso, se o teu mestre te mandar fazer algo tens de fazer. Temos uma ligação muito forte com nossos mestres a ponto de não conseguirmos ir contra a sua vontade.

  4. Lella Moraiss disse:

    Preferia morrer pelo meu mestre a ele me obrigar a usar uniformes, ou corte de cabelo chanel, ou amarrado num coque alto, ou salto 15 vinte e quatro horas por dia Hahaha…eu diria.. ” Na boa mestre, libera meus tênis e coturnos, deixa meu cabelo grande, pelo amoooor de….Deus? “

  5. fhal disse:

    Hallo schatz esta tao melancolico ou e so uma impressao. Saudades, fiquei vamos dizer um pouco sensivel em saber que te incomoda a nao vida as vezes. Sabe Liebling seria uma nova experiencia para alguns humanos curiosos, tbem sou super curiosa e adoraria conhecer um vampiro, mas esses individuos sao dificeis de se encontrar, apesar do meu sexto sentido avisar de perigo por perto e esse e o problema, adoro aquele friosinho na espinha. Sorry me empolguei. Muito interressante a transformacao, bom saber disso. Küss. Fhal.

    • Pois então dona Silvia, sempre atenta as entrelinhas de meus escritos. Sim, há nos últimos tempos algo que inquieta meus pensamentos e por vezes tira a razão de minha consciência. Todavia, é bem provável que seja por causa da transformação de minha estimada Pepe. Como relatei, desprendi muitas energias no ritual e é provável que minha alma esteja procurando o o rumo de casa. Enfim, falei demais, só para variar…

  6. fhal disse:

    Hi schatz, o que tedio. Bom deve ser so um momento, eu acho qdo se vive muito tempo e durante as decadas se perde muitos entes queridos e ai de vez em qdo bate uma leve depressao, ainda mai qdo falta energia. Sei como esta se sentindo. Es wird wieder mon cher, nur Geduld. Deine Tochter wird dir helfen und wenn ich in der näher wäre, würde ich dich auch trösten. Hummm du hast mich per mein Vorname genannt, bin sehr geschmeichelt. Küss. Fhal.

    • Ich bevorzuge Leute beim Namen zu nennen, so dass ich denke, der Veränderung der Orte, die “Galego” für “Ferdinand” zu haben. Einschließlich E-Mail, was Sie denken, mein lieber?

      • fhal disse:

        Hummm, esqueci que vc vive no Brasil, ah germiniano putz, sou capricorniano mein schatz. Küss. Silvia.

  7. Sempre me pego a refletir sobre essas questões de certo ou errado. O que percebo é que tanto no mundo dos humanos quanto no nosso, a “sociedade” acaba impondo o que devemos ou não devemos ser ou fazer :/ E sim, em muitos momentos nos pegamos repensando o nosso caminho…. Para onde seguir? Eis a questão.

  8. Cassio Ferrari disse:

    Agora já da para ter uma ideia de como deve ser difícil a adaptação.contudo essa reflexão no fim do texto serviu para colocar meus pensamentos no lugar obrigado sr Ferdinand

  9. fhal disse:

    Nah meine Liebling, ich habe nicht was besonderes gedacht, nur das ich gewöhnt bin das die Leute mich immer per Nachname nennen, wie gewohnt in Deutschland. Habe nur ein Spaß daraus gemacht ,aber scheint mir zu sein das dir nicht gefallen hat. Zwischen Erwachsene Leute kann man mal Spaß machen, denke ich mal Herr Ferdinand.

  10. Angélica Freitas disse:

    Alemão complicado: Aff!!!

  11. Cassandra disse:

    Como sempre Ferdinand, me consegue prender na leitura de seus textos, do principio ao fim .

  12. Angélica Freitas disse:

    Eu estava dizendo que a lingua alemã é complicada!!!!

    • ahuahuaha ok ok. Entendi ¬¬ Realmente eu também demorei um pouco para aprender alemão com Sr. Erner… Mas mesmo assim… Ferdinand é um quase alemão, e algumas vezes bem complicado, mas eu entendo, pois não é fácil ser geminiano 😛

  13. fhal disse:

    Oh desculpe amigos, as vezes me impolgo e acabo escrevendo alemão. Bom boa noite. Ate. Fhal.

  14. Gabriel disse:

    Gostei do texto. Sua redação é de fato boa. Como acabo de descobrir o site, fui logo nos primeiros posts e a diferença é gritante, como é natural de se esperar. Pena que o espaço para comentários nos primeiros artigos publicados não exista mais, sendo que em razão disto ouso lhe fazer uma pergunta aqui: neste texto, você afirma que se alimenta do “sangue de marginais da sociedade”. Entretanto, no post “Sabor do Sangue”, datado de 26/08/08, você disse que o hábito de sair “por aí chupando pescoços, tem se tornado um hábito cada vez mais rudimentar” e você ainda dá a entender que usa de “grandes centros de hematologia existentes” para conseguir seu alimento, daí surgiu minha dúvida. Você afirma ser um ser longevo, tradicional. Como poderia em um espaço tão curto de tempo para você, 06 anos, haver uma mudança tão grande de comportamento em um quesito essencial, como alimentação, a ponto de a princípio considerar “as caçadas” como ato primitivo e depois usar-se delas?

    • Olá Gabriel, são duas perguntas interessantes. Com relação ao texto eu já falei aqui em outras oportunidades. Comecei o site depois de uma “brincadeira de bar” e nos últimos anos peguei gosto pela escrita. Com relação a alimentação acredito que seja algo um tanto quanto óbvio. Tu te alimentas todos os dias com arroz e feijão? Eu particularmente adoro variar. Por vezes gosto de ação, em outros momentos gosto de tranquilidade e ainda há situações no qual eu cuido apenas da sobrevivência. Bem-vindo e divirta-se!

  15. Daniel Lira disse:

    Nossa, sobre a questão dos clãs, é algo bem rígido mesmo, eu tenho vontade de virar vampiro, depois de ler isso, sei muito bem que quando alguém me transformar ( espero que aconteça algum dia né rs ), tenho que estar preparado para tudo! Amei o post.

  16. TheMarchHare disse:

    Tantos comentários, tantas opiniões divergentes… Adoro assuntos filosóficos, e tratando-se deste, acredito que eu não conseguiria nunca me desprender daqueles a quem eu amo e a quem serei eternamente fiel.
    Lealdade é algo muito importante na forma como eu vivo, e tampouco me importo de seguir certas regras pelos que eu amo. Um pouco como um cão talvez, que não pensa em nada mais do que seguir e obedecer ao dono?
    Muito bom o post, Ferdinand, espero que cries textos assim mais vezes…Um abraço.