Como vejo a morte

Muitos de vocês nos consideram um tipo de Serial Killer frio e calculista. Eu não me vejo desta forma, mas ao mesmo tempo também me faltam bons argumentos para ser contrário. É a mais pura verdade que a morte, no sentido de extinção de algo vivo é algo muito presente em nosso cotidiano. Por isso, hoje quero falar um pouco mais sobre a minha maneira de ver ou entender a vida e o seu fim.

Antes de virar o que sou hoje, o meu contato com a morte já era algo relacionado à sobrevivência. Quem viveu ou teve contato com fazendas e sítios irá me entender melhor, haja vista que nesses lugares é comum o abate de animais para alimentação. Então desde cedo eu me lembro de minha querida mãe depenando galinhas, de meu pai separando as partes boas de porcos ou bois. Com isso, não quero dizer que o vampirismo entrou mais fácil em minha vida, porém ao menos medo ou nojo por sangue eu não tinha, aliás, adorava o popular churrasco mal passado.

Lidar com a morte humana não é nada fácil, além disso, na atualidade até mesmo quando se fala em morte canina alguns se ofendem. Todavia, o ato de tirar a vida de um humano ainda é visto como o maior pecado, estou certo?

A morte humana surgiu pela primeira vez em minha vida quando me avô, pai de meu pai faleceu e fomos ao seu velório e enterro. Eu já estava no final da infância perto dos meus 10 anos e não entendia muito bem por que uma pessoa tão legal, que outrora corria e brincava comigo, de uma hora para a outra parecia ter perdido seu calor e havia entrado em um sono sem volta.

Anos depois eu fui a vários outros sepultamentos, antigamente o povo morria mais rápido sem as drogas medicinais e higiene atual. Porém, a morte sempre era uma incógnita em meus pensamentos mais profundos e pessoais. Então, quando fui transformado pelo barão e tive de enfrentar a minha própria morte novos pensamentos e perguntas vieram a esta cabeça que nunca para. Seria morte o fim? De onde viemos e para onde vamos sempre foi a maior dúvida humana e eu tendo acesso a todo tipo de informação, costumo pesquisar bastante este tipo de assunto.

Ano passado eu fiz uma prazerosa viagem à Grécia, onde meu amigo Hector me ajudou a obter algumas respostas e esse tipo de experiência me confirma que a morte não é o fim. Então, quando eu sou obrigado a remover a vida de algum humano, ao mesmo tempo eu desejo que ele encontre a tal luz.

Pode ser que minha visão seja em demasia simplista, porém é no que eu acredito e sinto a cada noite que acordo de meu sono diário. Hector tem uma frase que se encaixa perfeitamente neste pensamento: “Somos iguais à Fênix, que ao perceber a concretização de um sonho, deixamos tudo de lado, até mesmo a vida, para iniciar outro.”

Ferdinand W. di Vittore

Nascido em 1827, foi transformado em vampiro com 25 anos em 1852, enquanto ainda vivia na pequena cidade de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, Santa Catarina – Brasil. Criou este site em 2008 com o objetivo de divulgar as ideias do seu clã, instituição fraternal em que ele, seu mestre e alguns amigos mais chegados pertencem. Além disso ele também publica aqui e no vampir.com.br histórias do seu cotidiano. Está quase sempre bem humorado e nos últimos anos possui um projeto chamado “Os escolhidos” em parceria com Hector. No qual eles “ajudam” a polícia e a sociedade na resolução de crimes hediondos. Ferdinand também ocupa suas noites com a escrita e recentemente publicou um livro com suas memórias: http://my.w.tt/UiNb/gz325qd62s

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27 Resultados

  1. A morte é algo dificil de aceitar: concordo. Porém não é impossivel.
    Quando um parente ou amigo se vai, normalmente fica dificil de se acostumar, mas com o tempo nos acostumamos essa é mais pura verdade.
    Sendo mais clara: eu acredito que por mais sofrimento e dor que exista entre a vida e a morte. Nós temos e conseguimos nos adapatar, cada um a sua maneira e a seu tempo.

  2. thattafeger disse:

    Fe o texto ficou muito bom mesmo e eu gostaria de saber se depois de virar vampiro, como voce lidou com a morte dos teus pais???

    • Thatta, independente de tudo que eu escrevi acima, família é sempre uma situação impar. Eu sempre repito a tua pergunta a mim mesmo: como eu lidei, como eu lide, como eu lidei… A resposta mais sincera é: Ainda estou lidando 😉

      • milla.bortoluzzi disse:

        É quando perdemos alguem passamos o resto de nossas vidas lidando com isso, e as vezes é dificil… ;/

  3. ingred alves disse:

    Olá fê,,um bom texto e uma duvida minha que você acabou de tirar…
    Bjuss,,ingred….

  4. ingred alves disse:

    Olá fê,,um bom texto e uma duvida minha que você acabou de tirar…
    Bjuss,,ingred….

  5. ingred alves disse:

    Fê,,você vai fazer o vampirocast com o sebastia??

    • Ingred acredito que já tenhas lido a história do Sebastian? Então sabes que ele é um “nerd” convicto, rato de biblioteca e como tal repleto vergonhas? Então, se queres ouvir a voz dele sugiro que o convenças 😉

      • ingred alves disse:

        Kkk,,okok fê,,duvido que eu posso convensser ele pois nem você consiguiu,,mais blz vou tentar….
        Bjuss

  6. ingred alves disse:

    *convencer kk

  7. Gisely disse:

    A morte é apenas um abaixar das cortinas,onde se separam “temporariamente” os lados;
    Para quem assistiu a historia da vida, fica a evidencia “concreta” de um começo, meio e fim , no qual ao final…. cada um sente, pondera e lamenta em diferentes proporções e acaba voltando ao cotidiano da existência.
    E para quem brilhou no palco de uma vida… o abaixar da cortinas nada mais é do que um recomeço de um trabalho árduo atrás dos bastidores, onde tudo será ensaiado, decorado e aprendido chegando a exaustão, a fim de que o proximo espetaculo seja melhor e melhor… ao anterior, até que um dia sejamos o ápice da evolução para eterna junção de elenco e plateia.
    E assim segue o ciclo da vida não é Ferdinand!!

  8. Caim Black disse:

    Sinceramente? Não entendo. A morte é algo que vemos erroneamente, seja pelo bem ou pelo mal, cada um terá seu “fim”, para renascer do seu devido modo.
    Sobre vocês… O meu único querer em vampiros é purificar esse mundo… Para que o outro também esteja.

  9. Allice disse:

    pooooooooovoooooo voltei!!!

    cm estao??

    sentiram minha falta????

    bela historia??

  10. Kyra Millow disse:

    Boa noite senhor galego sei que vos e mais um leivo se e que me entendem ,vejo a sua alma e ela me diz ao contrario do que diz o que voce é , nao me entenda mal …

  11. larissa felbherg disse:

    Sempre falo a morte nao e exatamente o fim mais sim um novo ciclo onde comeca ..

  12. Bellarie disse:

    Rs, tantos comentando sobre morte com tanta simplicidade, isso me impressiona, porque quando alguns destes, os quais não lidaram com a tal, quando lidarem, imagino que nem capacidade para pronunciar a palavra ”morte” terão, pelo menos durante um bom tempo. Eu admito que não consigo lidar com a morte dos meus, não mesmo ^^

  13. Julia Bittencourt. disse:

    Como Alvares de Azevedo dizia: “Invejo as flores que murchando morrem, e as aves que desmaiam-se cantando e expiram sem sofrer…”

  14. Veronica serena disse:

    É triste saber que um dia teremos que morrer , mas infelizmente o que acaba sendo pior é a ausência de entes queridos em nossa vida mortal ; assim como o Sr. Ferdinand ainda está lidando com a morte , todos um dia terão que lidar com ela e cabe a nós decidirmos se “guardaremos” as boas lembranças ou não .

    • Olá senhorita, a morte é sempre uma questão muito delicada e para te ser sincero, a melhor forma que encontrei para me acostumar com ela é aproveitar todos os meus momentos intensamente!

      • Veronica serena disse:

        Realmente é assunto delicado . No meu ponto de vista todos tem alguma válvula de escape para esse tipo de assunto , o meu foi “guardar” as lembranças dos meus queridos e quando sinto saudade me dirijo a elas pois me ajudam a seguir em frente .

  15. klebiani fiore disse:

    Na minha opinião, a morte é uma passagem para uma nova vida, assim superior a que nós humanos vivemos hoje em dia…creio até mais tranquila e pura…estou certa ou errada? podem responder…beijos.

  16. fabiana lee disse:

    já tive que lidar com a morte diversas vezes e não tenho como dizer que a saudade aperta meu peito a cada vez que lembro que perdi pessoas queridas e muito importantes pra mim, mais eu digo que a morte não é o fim da vida espiritual. mais sim o inicio dela porque por mais que eu tente sempre sonho com os que eu perdi e os sonhos parecem tão reais que me pergunto como deve ser do outro lado ? mais a vida é assim e o que temos aqui é somente uma passagem e que depois dela nos encontraríamos em outra vida , não sei ao meu ver me parece ser isto ….. creio que somos como uma lâmpada que hoje podemos estar acesas e de uma hora pra outra vem alguém e apaga creio que quando alguém morre, ela encontra a paz e tranquilidade que talvez aqui na terra não tivera,,,,, beijos

  17. Bia disse:

    Olá,
    É a primeira vez que eu entro no seu blog e achei muito interessante!
    Com quantos anos você “morreu” e como foi??