O tempo e os vampiros

Já faz um tempo que quero lhes contar algo que acho muito importante sobre minha vida vampiresca, no que diz respeito à passagem do tempo. Sempre me perguntam como é “viver” sem se preocupar com o passar dos anos e tudo o que possa envolver tal sensação. Confesso que minhas respostas variam bastante. Principalmente, no que diz respeito à “sensação do passar dos anos”.

Primeiro que fique claro que envelhecemos, mas de uma forma bem diferente da humana normal. Nossos corpos tem a habilidade de regenerar rapidamente quaisquer machucados ou traumas que por ventura possam comprometer seu funcionamento normal, mas isso não combate o envelhecimento do DNA. Não tenho a intenção de lhes mostrar dados técnicos ou médicos, mas gostaria que vocês tentassem entender esse processo.

O envelhecimento vampiresco ocorre lentamente, talvez seja uma punição dos deuses ou o próprio fator humano biológico se deteriorando. Claro que, todo esse envelhecimento não é algo visível. Mesmo por que eu conheço vampiros que já viveram mais de 1500 anos, Georg é um deles.

O que importa nisso tudo é que sim. Eu vejo o mundo diferente de vocês humanos. Minhas prioridades são outras, meu ritmo e rotinas são diferentes. Por vezes eu até durmo, acordo e faço algo, no entanto já passei diversos dias em claro sem que sentisse quaisquer indícios de sono. O Franz por exemplo mantém o recorde de insônia entre os vampiros da família, foram longos 74 dias sem dormir. Aliás, no 76º dia ele acordou e passou mais uma semana ou duas novamente sem dormir.

Enfim, o que eu queria explicar para vocês é que às vezes um dos meus passatempos é sentar num banco de praça e observar a multidão passando correndo ao redor. Na minha visão vocês estão sempre correndo e isso é ruim, pois a maioria não percebe o tanto de cousas boas que há ao seu redor.

Ferdinand W. di Vittore

Nascido em 1827, foi transformado em vampiro com 25 anos em 1852, enquanto ainda vivia na pequena cidade de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, Santa Catarina – Brasil. Criou este site em 2008 com o objetivo de divulgar as ideias do seu clã, instituição fraternal em que ele, seu mestre e alguns amigos mais chegados pertencem. Além disso ele também publica aqui e no vampir.com.br histórias do seu cotidiano. Está quase sempre bem humorado e nos últimos anos possui um projeto chamado “Os escolhidos” em parceria com Hector. No qual eles “ajudam” a polícia e a sociedade na resolução de crimes hediondos. Ferdinand também ocupa suas noites com a escrita e recentemente publicou um livro com suas memórias: http://my.w.tt/UiNb/gz325qd62s

Você pode gostar...

13 Resultados

  1. Karen Von Borowski disse:

    Tens rezão Ferdinand vivemos correndo, justamente porque não fomos agraciado pela eternidade, tu tens a oportunidade de poder começar e recomeçar quantas vezes quiser, eu não, para mim o tempo não perdoa, o corpo se degenera , e somos descartados pela idade. Cada tempo que passa é um dia a menos na nossa vida mortal, até queremos ir mais devagar, mas na maioria das vezes é impossível. Quem não gostaria de poder viver mais? ter tempo para fazer tudo que quiser? ter a oportunidade de obter o conhecimento infinito! haaaa querido sinta-se agraciado e não amaldiçoado! Mas quem sabe um dia na minha velhice eu possa ter tempo de sentar num banco da praça e ver os outros correr, ai te convido a me acompanhar!rssrrsrs
    bjs

    • Concordo em parte minha querida, cada um tem o seu ritmo de vida e no geral não acho que a certeza da velhice ou morte seja uma desculpa para a correria. Talvez o que falte para muitos atualmente é sair desse ciclo vicioso imposto pela sociedade capitalista.

  2. Cáh disse:

    Mas se vampiros não podem sair na luz do sol, como você senta em um banco de praça e observa as pessoas passando para la e para cá?
    Ou podem ?

  3. Andressa Savanovic disse:

    Interessante como você tem razão.
    Nós seres humanos realmente corremos muito para tentar conseguir realizar um, ou, alguns determinados sonhos. Como: ter uma vida tanta financeira, quanta amorosa melhor, quanto fazer coisas impossíveis para os filhos e para quem amamos, etc.
    Um coisa eu aprendi, enquanto o Governo capitaliza os meus sonhos e socializo a minha realidade!

    E não importa a hora ou o local sempre irá ter pessoas correndo…

  4. yngrid aleksandrov disse:

    Desculpe-me a pergunta besta mas quais são os sintomas de uma pessoa que ja nasce vampiro ou esta se transformando em um?

  5. Gabriela Rodrigues disse:

    Pra quem não “acredita” na morte esse é um dos menores problemas 😉

  6. fhal disse:

    Hallo schatz bist du da? A morte e algo que nao podemos evitar, um dia ela chega, sendo humanos ou nao. Alguns no seu caso tem vamos dizer a sorte de viver um pouco mais, restrito e claro!!! Gostaria tbem de poder ver a evolucao do mundo e poder decidir eu mesma o meu fim ou a troca de dimensao, no caso da carnal para a espititual, mas nao sao todos os escolhidos. Wie mann sagt, möchte befreit werden von diese ganzen tot und elend von diese Welt, retorisch gesagt pois estimo muito a vida senao nao estaria sofrendo ate agora pelo meu filhinho, fazem apenas duas semanas mas para mim uma eternidade. Ok temos que nos conformar ou melhor aceitar as situacoes quaisquer que sejam, mas a dor e muito grande. Sou forte e vamos dizer sobrevivi outras situacoes do mesmo impacto e sei que vira novos tempos. Irei buscar novas energias na Irland, simplismente essa terra e como um ima para mim , nao sei porque mas me atrai muito. Ah schatz como vai vc e sua pupila, desculpe falei demais sobre mim e depois do que ou melhor die Situation mit den inkubus bin ich wie ausgesaugt, kein energie mehr vorhanden. Küss. Fhal.

    • Como eu tentei passar no texto acho que a vida é um eterno vai e vem de situações. Cabe a todos nós independente de vampiro ou humano, interpretar tudo com a cabeça aberta. Por vezes algo ruim, não é necessáriamente de todo ruim e pode até mesmo ser libertados 😉

  7. Yngrid Aleksandrov disse:

    Agradeço

  8. Vitor Barbosa disse:

    Espero que tenhas mais questões para mostras a todos nós .