Os mortos não voltam – Final

Quando de súbito abri os olhos, eu sabia que estava capturada. Mas, algo impedia os meus movimentos. Era uma magia maligna. Pensava como sairia daquela situação. Depois de tanto tempo, naquele momento, achei que definitivamente aquele seria o final da minha história. Mas eu não me entregaria fácil. Vejo a minha frente, inúmeros símbolos em arabescos dourados sobre a parede. Meus pesadelos tornavam-se realidade. Ouço um barulho. Alguém entrou. Senti uma onda de desespero. Uma sombra alta passou por mim e então, deslocou-se a minha frente. Usava uma máscara dourada e uma capa vermelha. Era o próprio Diabo a minha frente. Aquela criatura aproximou-se, ao falar, pude sentir seu cheiro terrível:

– Você achou que nunca iríamos atrás de você? Deixamos você viver essa doce ilusão. Finalmente está em nossas mãos.

Foi quando percebi que havia muitos outros bruxos ao meu redor. Naquele instante, então, pude me mover parcialmente e com o campo de visão mais amplo, vi que entravam com Lorenzo. Alguns corpos pendurados de cabeça para baixo tinham seu sangue escorrendo pelas paredes, fazendo um verdadeiro show de horrores até para mim. Meu coração de pedra se partiu. Lorenzo estava todo tatuado com símbolos estranhos e machucado, já não era o mesmo. Vestia uma calça e uma túnica preta. Depois de mais de 20 dias sobre domínio daqueles bruxos, sendo levado para outro país, estava magro e fragilizado. Ele foi colocado a minha frente em outra poltrona.

– Lorenzo… – Chamei-o baixinho.

Ele estava paralisado. Mas, seu olhar me dizia algo. Foi quando me assustei com um grito, estavam anunciado o que parecia o início de um ritual. Todos repetiam as mesmas palavras em uma linguagem por mim, desconhecida. O bruxo da capa vermelha veio até mim e disse:

-Chame por Lord Thomas! Repita as palavras que direi!

Então comecei a gargalhar de nervosismo e a gritar, enfrentando aquela figura estranha:

– Jamais! Jamais! Erner está morto! Ele virou cinzas, vocês não conseguirão trazê-lo de volta. Não por meio de Lorenzo!

Levei um tapa no rosto que me fez cuspir sangue.” Maldito”, pensei.

– Deixe que eu faço isso sozinho, então. Você está aqui apenas para sofrer mesmo… Vamos direto ao ponto!

Em desespero, observei que ainda segurava aquele coração pulando em minhas mãos. Tentei jogá-lo longe, mas não conseguia. O bruxo pegou um instrumento que parecia uma adaga e caminhou em direção a Lorenzo, mostrando que perfuraria seu coração. Gritei para que não fizesse aquilo, mas depois, as vozes ecoavam aquelas palavras sinistras, deixando minha mente confusa. Então, ele parou, estava apenas me torturando. Com a adaga, cortou seu próprio punho. Segurou o rosto de Lorenzo. As vozes ficavam mais fortes. O coração em minhas mãos parava de bater, fogo o consumia, queimando também minhas mãos. Dores fortes me atingiam e eu não podia mais gritar. Despejando o sangue sobre os lábios de Lorenzo, aquele bruxo demoníaco proferiu algumas palavras. Sem conseguir me controlar, comecei a falar coisas sem sentido, então, tudo se silenciou. Lorenzo olhou para mim de forma diferente. “Não pode ser” pensei…

Vencida pela fraqueza, e pela energia que haviam tirado de mim, não conseguiria lutar nem soltar-me. Mesmo com as mãos livres estava sendo manipulada e impedida de tomar qualquer atitude. Então, alguém entrou anunciando que o local estava sendo invadido, pegando o tal bruxo de surpresa. Todos os outros se preparavam para receber os invasores. Quando Antoni entrou com um grupo de outros bruxos, os de seu clã obviamente, já fazendo o seu próprio ritual. Senti-me segura naquele momento, sabendo que estava salva. Antoni era um bruxo poderoso. Acreditar nisso, era minha única esperança. Consegui soltar-me devido à magia negra ter sido quebrada e cai tentando me afastar. Chamava por Lorenzo e pedia para que ele tivesse forças e conseguisse voltar para seu corpo parcialmente possuído. Antoni sangrava pelo nariz e olhos, devido a toda força que fazia. Sem os outros, o bruxo e líder que direcionava o ritual perdeu suas forças e após uma luta difícil, Antoni o matou arrancando sua cabeça, assim como com a maioria daquele clã de bruxos demônios, exceto pelos que fugiram.

Sem forças fiquei ali, agachada ao chão. Paralisada, pensando que poucos minutos me separaram de ver Thomas voltar e acabar com minha “vida”. Antoni e Sophie vieram me ajudar. Devagar cheguei até Lorenzo que fraco e já em seu estado normal, abraçou-me e disse que pensou em mim a todo instante. Já eu, não me perdoava por ter feito com que ele passasse por tudo aquilo e levava a certeza de que por um bom tempo teríamos que nos manter seguros de alguma forma. Fomos embora após algumas horas, e após ter nos recuperado de maneira o suficiente apenas para partir. Agradeci Antoni por ter nos salvado, mas mantendo a decisão de não vê-los mais, ao menos até me sentir preparada para isso. Ao voltar, encontrei com Lilian que nos ofereceu ficar um tempo com ela e seu clã, que nos protegeriam até despistar alguns bruxos demônios que restavam e os regrados que haviam me localizado com toda aquela confusão.

Depois de todo aquele tempo, eu poderia cuidar de Lorenzo outra vez…

” Wenn ich in deine Seele tauche, und dich für meine Lust gebrauche. Dann werd ich deine Sinne blenden, Das Spiel kannst nur du selbst beenden.” – Labyrinth , Oomph.

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4 Resultados

  1. Ferdinand W. di Vittore disse:

    Bruxos, regrados… Espero que depois dessa a senhorita dê uma sossegada, fica de boas como dizem nos dias de hoje 😉

    • (w) Rebecca W. Erner disse:

      Ah sim, chega de “agito” por enquanto… No momento o que preciso é ficar quietinha, se eu conseguir, claro 😛 Hheuheuheue

  2. Natalia Sarint disse:

    Olá Becky! Fico feliz de saber que estás bem 🙂
    Mas tenho uma dúvida, quem são os regrados? É tipo um “religioso cristão daqueles mais ortodoxos” segundo minha pesquisa aqui? Kkkkkkk

    • (w) Rebecca W. Erner disse:

      Obrigada!! Então, os regrados são um grupo de vampiros tradicionalistas. Eles tem algumas leis e acham que todos são obrigados a cumprir e a “não-viver” conforme eles imaginam, ou seja, ainda vivem no tempo do “êpa”. Até hoje, tentam me punir pela forma na qual me livrei de Sr. Erner… Mas, por ora já está tudo bem 😉