Rio de janeiro sec. XX

Olá tudo bem? Quem acessa meu site há algum tempo sabe que por vezes eu dou minhas sumidas. Todavia, o que eu realmente faço quando desapareço por algumas noites? A resposta está abaixo em mais um relato de época…

Já falei diversas vezes por aqui sobre o inicio de século 20, época no qual tive o prazer de viver ao lado de minha querida Eleonor e logo depois de voltamos da Europa. Onde estivemos por quase 50 anos em meio aquelas pessoas geladas, no qual o clima por vezes nem era o que mais incomodava.

Este início de século me foi uma época muito boa por vários motivos. Precisei reencontrar minha humanidade, tive de me readaptar aos novos modos brasileiros e além disso, ganhei responsabilidades novas. Afazeres que muitas vezes não eram o que um ser eterno gostaria de fazer, ou pensa que gostaria como a tão almejada liberdade de ir e vir. Afinal ninguém é livre, nem mesmo nós.

Apesar dos pesares, gostei muito desta época por ser o inicio da era moderna. Naqueles anos as pessoas, ao menos aquelas dos ambientes urbanos estavam melhorando seus hábitos relacionados a higiene. Questão que na minha opinião é muito importante, afinal de contas quem gosta de se alimentar de algo sujo? Eu nunca fui fã de pessoas sujas ou maltrapilhas em minhas degustações, salvo as vezes em que é necessário. Aliás, dizem que isso é um dos meus defeitos…

Nas décadas de 1900 e 1930 no Rio de Janeiro, eu pude acompanhar a grande mudança nos transportes de longas distâncias, como quando em 1927 em que os primeiros aviões comerciais começaram a substituir os tradicionais navios a vapor. Além disso, os famosos “bondinhos” do Rio que existiam desde 1859 começaram a dividir espaço com os carros particulares.

Todas essas mudanças nos meios de locomoção encurtaram as distâncias e facilitaram muitas cousas, principalmente o transporte de mercadorias. Tendo em vista, este cenário e nossa experiência adquirida anteriormente na Europa no que diz respeito a fabricação de roupas, Eleonor teve a genial ideia de montar uma filial em terras tupiniquins.

Nestas noites difíceis entre pesadelos e sentimentos ruins nós procuramos por diversos espaços que comportassem nosso negócio. Por se tratar de uma construção complexa que exige diversos componentes naturais e políticos, nós optamos por atuar diretamente com nossos Ghols. Fazendo com que eles fossem os “laranjas” e assim nos protegíamos ao mesmo tempo que agregávamos moral as negociações.

Então depois de vários investimentos o negócio ia de vento em pompa até que veio a maldita política de 30, onde o governo louco brasileiro sacaneou muitos industriais em favorecimento da economia cafeeira. Foi quando resolvemos vender a fábrica antes de ter prejuízo.

Depois disso, minhas crises existenciais pioraram de tal forma que eu vivia de pândegas e boêmias. Meu relacionamento com Eleonor rumava para o fim, porém por sorte ela se mantinha firme. Controlando como podia os negócios de nosso clã, função que na verdade era minha.

Então os anos se passaram e eu resolvi hibernar. Franz se manteve a frente do clã junto de Eleonor, Sebastian e Joseph. Na verdade, diz ela que foi nesta época em que eu e o Barão hibernávamos que o clã realmente se uniu. Como eu digo, pelo menos a minha desgraça teve uma parte boa…

Depois que retornei ao mundo em 2005, encontrei uma organização nunca antes vista em nosso clã. Parte proporcionada pelas novas formas de gestão via computador e noutro lado por causa de Eleonor e seu jeito mãezona. Depois disso, eu já comentei por aqui sobre o meu retorno a liderança do clã, sobre meu novo afair com Eleonor e acredito que não preciso dizer por que atualmente ela vive isolada, apenas cuidando da filha da falecida Stephanie.

Ferdinand W. di Vittore

Nascido em 1827, foi transformado em vampiro com 25 anos em 1852, enquanto ainda vivia na pequena cidade de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, Santa Catarina – Brasil. Criou este site em 2008 com o objetivo de divulgar as ideias do seu clã, instituição fraternal em que ele, seu mestre e alguns amigos mais chegados pertencem. Além disso ele também publica aqui e no vampir.com.br histórias do seu cotidiano. Está quase sempre bem humorado e nos últimos anos possui um projeto chamado “Os escolhidos” em parceria com Hector. No qual eles “ajudam” a polícia e a sociedade na resolução de crimes hediondos. Ferdinand também ocupa suas noites com a escrita e recentemente publicou um livro com suas memórias: http://my.w.tt/UiNb/gz325qd62s

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17 Resultados

  1. Milla Bortoluzzi disse:

    Que ótimo texto Ferdinand…é ótimo imaginar e por alguns minutos viajar em épocas que nós humanos não vivemos quando conta histórias de outros anos…. Adorei querido 🙂

  2. Milla Bortoluzzi disse:

    Realmente adoro saber sobre os anos 20 e 30, são os anos mais interessantes para mim…

    • Foi uma época muito interessante em vários aspectos. Eu particularmente, tenho muito apreço pelo estilo das pin-ups.

      • Milla Bortoluzzi disse:

        Rsrs era de se imaginar… As pin-ups surgiram nos anos 20, mas o auge foi na década de 40. Para mim que estudo muito a moda das épocas é muito inspirador. Realmente admiro esses estilos antigos que servem de inspiração e acabam voltando a atualidade com uma cara nova. 🙂

      • Allice Taranti disse:

        Sentes saudades da época meu vampirinho?!!

        kk’

        A quanto tempo não?!!

        estava com saudades suas…

  3. Grasi Oliveira disse:

    muito interessante ! mas queria aproveitar esse meu comentário para perguntar , Galego por q ñ faz mais Vampiro Cast ? sinto falta , e tenho certeza que ñ sou só eu !

    • Oi Grasi obrigado! Não tenho feito mais vampirocasts por que eles me tomam muito tempo. Sei que vai parecer exótico um cara feito eu, que tem a eternidade pela frente falar de tempo, mas ando realmente ocupado em meus passatempos. Todavia, já falei para alguns de vocês que tenho algumas gravações prontas e elas irão ao ar assim que possível 😉

      • Grasi Oliveira disse:

        Imagina ñ foi nada ! Aah sim estarei ansiosamente esperando por essas postagens !

  4. ingred alves disse:

    adorei o post como sempre vc nos faz imaginar msm como era tua “vida” nesses anos… Sempre me divirto um bjo ;**

  5. Ana disse:

    Ótimo texto Ferdinand, adoro os detalhes históricos, bjs

  6. Julia Bittencourt. disse:

    Menos mal, já que no século XX as liberdades individuais e sociais eram acompanhadas pelas infinitas possibilidades de combinações das peças de roupas, fico imaginando uma pessoa que usava rodaque e pagava as coisas em réis acordar na década de 70 .-.

  7. Jasminnie Lopes disse:

    Texto divino, melhor do que ler um livro de História, realmente viajamos mesmo!

  8. mariana disse:

    muito interessante essa história,me faz viajar na imaginação.

  9. Angela Felixtrowich disse:

    Olá sou novata por aqui, adorei o texto …sou fascinada por conto de vampiros adoraria saber mais !

    • Allice Taranti disse:

      Devo lhe dar as boas vindas então Angela, embora atrasadas, estava ausente do site por um bom tempo…!

  10. Lamia V. disse:

    Já sabia da existência deste blog há algum tempo, mas apenas cadastrei-me aqui no momento. Suas histórias são cativantes e muito bem contadas, Sr. Vittore, parabéns.
    Pesquiso sobre este assunto em questão faz alguns anos e consegui recolher um tamanho considerável de informações, o suficiente para mudar qualquer pensamento cético em relação aos nossos queridos vampiros. Contatem-me: lamiav@hotmail.com