Problemas na matilha – Parte 1

Acordei pouco antes do sol nascer. Esfreguei os olhos. Espreguicei-me. Demorei um pouco para se levantar, haja vista o cansaço da noite anterior em meio as andanças com meu irmão vampiro, Ferdinand.

O cheiro de café fresco era evidente e forneceu o estímulo necessário para que o me arrumasse, lavasse o rosto e fosse até nossa cozinha coletiva. Lá chegando, apenas Vera estava de pé e montava nosso desjejum.

– Você e tua pontualidade, dona Vera!

– Acordar cedo faz bem pra pele…

– Ahh para tu não precisas disso, nem parece que chegou no teu segundo centenário… opa desculpa, mulheres não gostam falar de idade.

– Relaxa e se senta aí, me conta de ontem. Vi que chegou umas três e poucos, tudo bem com aquele outro lá?

– Ferdinand? Sim, meu irmão vive aprontando, mas a vida segue.

– Sei (pausa dramática)

– Já falei com vocês sobre isso e nossa relação com ele(es)… Se fossemos mais próximos muitos problemas serão resolvidos.

– Se toca, Carlos! A grande causa dos nossos problemas são aqueles noturnos e sua sociedade que controlar tudo e todos.

– Porra Vera já de manhã cedo com esse papo, me deixa tomar esse café em paz, vai.

Depois desse breve “Bom dia” tomei meu café e parti para os trabalhos em nossa aldeia. Recebi algumas reclamações de invasões de um pedaço de terra por alguns garimpeiros. Noutro ponto um grupo de índios estava acampado perto de um ritual para um ritual mensal e uma novata havia sumido fazia dois dias.

E assim foi até o almoço onde novamente enfrentei o olhar furioso de Vera, além de alguns outros, que não estavam curtindo muito minha atuação como alfa. Tratei de levar o assunto da garota sumida a adiante e isso com certeza proporcionou um foco melhor para todas as ânsias acumuladas nos últimos meses.

Montamos um grupo e depois de fazer digestão saímos em busca de pistas do paradeiro da garota. Uma nos disse que havia visto ela de mochila perto do rio, outro disse que ela andava estranha… Eu mesmo havia percebido que ela não estava muito integrada aos nossos ritos e deveres. Apesar disso, se ela topou ficar conosco, é nosso dever protegê-la.

– Fala aí Carlos, como está lá com teu irmão, algum problema novo?

– Tá de sacanagem, tu também Isaias? A Vera já me encheu o saco sobre isso logo cedo… Tudo certo, apesar dos pesares o Wampir que vocês esnobam é minha família, sangue do meu sangue e preciso tá junto dele também. Tivemos alguns tropeços, mas acho a vida segue. Agora vamos focar em rastrear a garota!

Seguimos rio abaixo até chegarmos em uma clareira, lá geralmente há algumas canoas de uso coletivo e um deles estava faltando. Perto da margem algumas marcas de tênis, com tamanho próximo do que poderia ser o pé da garota.

Se ela desceu o rio ou atravessou para outra margem, seria um problema, pois sairia do nosso território, adentrando uma reserva indígena, antes de chegar na cidade mais próxima.

Decidimos voltar e planejar os próximos passos. Vera sugeriu uma busca pelo plano espiritual, quem sabe alguma alma tinha notícias dela. O que duvidei, pois a garota não era muito de ir para lá, apenas uma vez quando fizemos um rito coletivo.   

Ir para a parte 2

3 Comentários

Nossa o povo sumiu mesmo, bom, vou para parte dois, saber o desfecho dessa história, rsrs Fer, acho lindo a forma que teu irmao te trata, apesar, das diferenças não tão diferentes assim rsrs então vamos lá… 😘💞

Deixe uma resposta