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  • A bruxa sumiu – pt7

    A bruxa sumiu – pt7

    – Quando percebi que ia dar merda me escondi em baixo da mesa. Pow cara cê sabe que é foda ali, nego com metranca e tal, atirando pra tudo o que é lado, pirei, saca? Acho que pegaram a véia, botaram no saco e a gente pá. Fiquei ali até pararem de atirar, a mina lá… “Helen” chorando… A tia dela levou umas porrada e comigo foi o tal do terrorismo psicológico…

    Imagine uma pessoa tensa e cheia de poréns? Depois que ele me confidenciou tal momento, até era possível ver em seus olhos o porquê de seu ser tão complexado. Por que Helen era tão carente e por que sua tia estava praticamente louca. A tortura mental talvez seja uma das piores formas de terrorismo.

    Para ser sincero eu estava muito puto com o tal grupo, estava a fim de ir lá liberar meu demônio de verdade, dar uns tiros, gritar, fazer o sangue fluir… Se há algo que odeio é opressão, seja ela na forma que for. Todavia, eles possuíam poder de fogo, possíveis ligações com um demônio e vontade de fazer merda, muita merda.

    Ferdinand e agora, vais chamar o exército? Claro mancebo, vou formar a liga da justiça ou dos vingadores e ir para lá feito um americano de filme ¬¬

    Conversei com Hector, expliquei o que estava ocorrendo e montamos um plano de ação. “Um de cada vez”, disse ele no que parecia mais uma caçada serial killer, do que a resolução de um crime. No entanto, o que importa realmente é resolver um crime ou impedir que os criminosos façam novas vitimas?

    Liguei para Helen e ela me confirmou a mesma história. Fiquei de passar em sua casa, mas naquele instante com parte do negócio resolvido eu estava receoso por me envolver mais. Já disse que detesto mulheres carentes, mas ainda havia aquele pé atrás. Ou ela era boa demais ou tramava algo… Mandei Pepe vir ao meu encontro e deixei tudo planejado com Hector para irmos atrás de um dos membros. Ao todo descobrimos 11 membros oficiais e o lado serial Killer de Hector entraria em ação na noite seguinte.

    – Estou perto, vai ficar em casa hoje à noite? – Perguntei a Helen por sms.

    Ela me respondeu alguns segundos depois – Sim, quer acabar comigo de novo esta noite? – Tal resposta era muito tentadora e respondi que chegaria em até uma hora. Eu até chegaria em 10 minutos no seu refugio, porém, tendo em vista meu receio resolvi deixar o carro um pouco afastado e fui para o lugar à surdina em forma de névoa.

    Ao chegar no lugar havia uma caminhonete nova, que até onde eu sabia não pertencia a Helen e pressenti a presença de alguém sobrenatural  e estranho pelas redondezas. “Tenho certeza que senti algum peludo passar por aqui” pensei comigo.  Instantes depois em meio à mata que ficava perto da casa e do carro um quarto sujeito entrou na história. Um homem na faixa dos 60 anos e muito bem vestido de terno e gravata.

    Voltei a minha forma humana e fiquei os observando com minha audição e visão aguçados. Ambos estavam felizes, Helen estava diferente, talvez um pouco mais confiante que o normal e o sujeito estava feliz.

    – Esse problema está chegando ao fim meu amor, logo mais você vai poder sair pelo mundo novamente e quem sabe eles queiram que você assuma a liderança aqui na cidade. Apesar de tudo o vampirinho está ajudando…

    Depois de tais palavras ela apenas consentiu com a cabeça e deu um longo abraço no misterioso homem, que lhe correspondeu da mesma forma com muito carinho, embarcou no carro e foi embora. Depois que ele partiu ainda havia a presença lupina na região e isso me preocupou mais que tudo.

    Decidi dar mais uma volta na forma de névoa e depois de um tempo voltei para o carro. Helen estava sendo vigiada ou aquilo podia ser uma emboscada para mim. Resolvi então me precaver e lhe mandei uma sms dizendo que iria atrasar, mas que iria para mesmo que fosse ao final da noite. Prontamente, ela me respondeu dizendo-se triste, mas que estava com saudades e era para eu ir assim que possível.

    Peguei Pepe no aeroporto, expliquei a situação e a levei junto para caso houvesse algum perigo iminente ou surpresa. Avisei Helen, que estava chegando e estranhamente ela não me respondeu. Não percebi nenhuma presença estranha ao chegar a sua casa e ao adentrar uma nefasta surpresa.

    O corpo da bruxa estava com muitos ferimentos sobre a cama do porão. Ela vestia uma daqueles lingeries sexys e estava à beira da morte. Mal consegui sentir sua pulsação e tudo o que ela me disse antes de partir foi: “Por favor… Salve… Mmmm… Mãe…”.

  • Em busca da vampira assassina. Parte 2 de 2

    Em busca da vampira assassina. Parte 2 de 2

    Carlos começou a fazer o que sabe de melhor e nos levou mata a dentro atrás dos dois. Mesmo para nós que não somos rastreadores ficava evidente o cheiro do sangue perdido pela vadia. Os diabolistas tem um cheiro muito particular, fétido, que lembra carne podre e ácido. Tem como cheiro ser ácido? Ok…

    A cada passo que dávamos ficava mais evidente na cara de todos a vontade em terminar tudo logo para cada um poder voltar as suas rotinas. Apesar de termos nos recuperado parcialmente era agora o melhor momento para acabar de vez com a maldita sanguessuga diabolista. De nós cinco apenas Hector, Carlos e eu podíamos realmente cair no pau. H2 ainda estava sofrendo os problemas da transformação e Franz havia gasto muita energia, ou seja, na hora eu pensava somente em encontrar rápido a maldita e antes que ela viesse com outra surpresa.

    Carlos, manda todos se moverem em silêncio, mas nenhum de nos conseguiu fazer isso, afinal estávamos em meio a mata na escuridão total. Mesmo com a visão aguçada que possuímos os galho, folhas secas e arbustos formavam a sintonia perfeita para nos denunciar.

    Shiiiii insistiu ele… Mas antes que consiga terminar de falar uma granada de fumaça explode ao seu lado e o impacto o derruba. O forte barulho atordoou nossos sentidos e o susto nos dispersou. Olhei perdido para os lados e segui o que parecia ser o brilho da espada de Hector. No entanto antes que pudesse me aproximar do pirata sou atacado pelo maldito peludo, que em forma de humanoide agarra minha perna e me joga contra uma árvore.

    Sinto o estalar de algumas costelas e ao tentar me segurar em algo para pegar equilíbrio levo um chute na altura do ombro. Nos engalfinhamos então pelo chão, enquanto tentava começar minha transformação, mas não consegui haja vista que é algo que precisa de certa concentração. Nessas horas em meio a socos e agarrões é difícil concentrar e somente a sobrevivência fala mais alto.

    Consigo me levantar e enquanto tento aplicar um aperto em seu pescoço no infeliz ele me surpreende com um golpe de capoeira e me joga novamente contra outra árvore. Desta vez senti alguns ossos do braço esquerdo se quebrarem. Enquanto ele vinha para cima de mim, o que provavelmente resultaria em um belo estrago, vejo Carlos segura-lo e Hector aplicar um golpe certeiro com a espada de prata em seu coração. A besta peluda engoliu um uivo seco, seus olhos ficaram imóveis e ao levar as patas a espada ele se contorceu e ficou de joelhos. O velho pirata o empurrou para trás com o pé e usando sua rapidez deferiu um golpe que separou a cabeça do corpo. A rapidez do golpe foi tanta que certamente olhos humanos veriam apenas o pirata parado na frente da besta e sua cabeça caindo ao lado.

    Enquanto Carlos e Hector me ajudavam a se levantar somos surpreendidos por uma espécie de névoa escura. A névoa retardou nossos movimentos e reduziu a praticamente zero nossa visão. Mesmo utilizando a nossa velocidade e força superiores era difícil dar passos simples e por fim percebemos que estávamos presos no maldito poder de Tenébras.

    Depois de alguns poucos minutos sinto minha energia e força diminuírem, mas antes que eu vá ao chão alguma coisa forte me puxa para cima. Confesso que senti meu corpo flutuar como se a gravidade não existisse mais como em algo surreal. Na sequencia minha visão começa a melhorar e vejo ao meu lado Carlos me carregando junto de Hector para cima de uma árvore. Impressionado com a agilidade e força de um lobisomem? Tu nem imagina do que eles são capazes…

    Ele nos soltou em cima de um grande galho, onde ao longe era possível ver a fonte da névoa: a vampira bruxa com uma tênue aura alaranjada recobrindo o seu corpo.

    Antes que pudéssemos tentar falar algo Carlos foi em direção da luz e entre saltos chegou perto de um galho que ficava logo acima da feiticeira. Ele a fitou por alguns instantes, pois percebeu que abaixo de si vinha correndo Franz e H2 em direção da bruxa.

    Os dois vampiros deferiram vários golpes, mas não conseguiram desfazer o círculo mágico, que repentinamente se expandiu e os arremessou para muito longe em meio a mata.

    Enquanto achávamos que tudo ia dar errado, consigo descer da árvore com a ajuda de Hector e rumamos em direção a bruxa que já não conseguia mais manter a escura e espessa névoa.

    Ao chegar perto da vadia ví algo que nunca havia visto em todos os meus muitos anos como vampiro. Não vou conseguir transmitir em palavras tudo que ví, mas vou tentar… Carlos saltou da árvore de onde estava em forma de lobo humanoide, isso quer dizer que ele parecia uma besta de quase três metros de altura ou seja o máximo de poder que um lobisomem poderia ter, achava eu…

    Na verdade acho que a própria encarnação do lado mais nefasto de Gaia estava a nossa frente. Certamente o simples fato de olhar para Carlos faria um humano normal entrar em colapso e o que parecia grandioso aumentaria ainda mais com os atos posteriores da fera.

    Carlos precisou de poucas passadas para ficar frente a frente com a mulher e por algum tempo se encararam. A primeira a se manifestar foi a vadia que mudou cor da aura de energia que a envolvia para uma cor vermelho carmim e se preparou para receber algum tipo de golpe. O peludo em sua vez já estava a conjurar algo até que quando sua longa calda peluda que balançava muito ficou repentinamente parada. Ele abriu então os braços, dobrou um pouco os joelhos e como um relâmpago deferiu uma centena de garradas que perfuraram várias partes da  bruxa.

    Em poucos segundos  o corpo da mulher amaldiçoada foi ao chão e entre contrações e espasmos foi possível sentir o que lhe restava de não vida se esvaindo junto do seu sangue podre, até que restassem apenas um corpo seco.

    Carlos ainda de costas para nós e muito ofegante se ajoelhou em frente aos restos da diabolista agarrando sua cabeça com as duas patas. Ele resmungou mais alguma palavras em uma língua completamente desconhecida para mim e assoprou a face desfigurada do corpo. Com o ato o que ainda restara se desmanchou em cinzas até que não existisse mais nada em frente ao lobo.

    Nos aproximamos, ele estava mais calmo e já era possível ver seu rosto humano novamente. Antes que ele se levantasse diante de mim vejo algumas lágrimas esvaíram-se de seus olhos profundos. Solto então meu braço esquerdo que já estava um pouco melhor e apoio minha mão direita em seu ombro o encarando de frente.

    O peludo limpa o rosto e me fala pausadamente algumas frases que me deram mais confiança para continuar minha jornada:

    – Sonho todos os dias com o fim dessa guerra inútil… Gaia deu hoje mais um voto de confiança para o seu plano contra as trevas… Aproveite pois acabamos de pagar a minha dívida contigo e a alma do seu amigo está livre novamente!

    Voltamos todos para casa e já estamos recuperados, mas ainda fico no meu canto pensando nas palavras de Carlos. Voltei a pesquisar nossas origens e confesso que os últimos acontecimentos deixaram-me na dúvida quanto ao meu lado bestial. Será que meu lado agressivo é realmente demoníaco como insisto em idealizar sempre?

     

  • Foi a vez da caça! Parte 1

    Foi a vez da caça! Parte 1

    Sempre, mas sempre que acordo com o som do despertador diferente eu penso com meus botões: “Puta merda já ta na hora de novo…“. Sério gente, sempre que eu me alimento eu preciso ajustar o alarme para que toque novamente depois de uns 15 dias. As vezes eu consigo agüentar mais tempo, mas quase sempre no dia que este “pentelho“ me avisa eu preciso me agilizar e procurar alguma forma de me alimentar.

    Nesta mesma noite, ao acordar com bendito som, eu já avisei a patroa que iria sair em busca de comida. No entanto por azar não achei nada e para me precaver avisei meu cunhado, o mesmo que lhes falei anteriormente que trabalha como detetive e sabe da minha situação. Ele foi meio direto como sempre e me disse que no momento não tinha nenhuma Idea mas que me ligaria assim que soubesse de alguma alma condenada.

    Nesta noite voltei para casa preocupado e meio puto, sentei no sofá e resolvi ver um pouco de TV enquanto a Beth ainda dormia. Nessas noite ela me evita um pouco, pois sabe que fico mais arredio e que não estou disposto a muito papo. Sinceramente acho que ela deve ir para o céu, pois não é nada fácil me agüentar. Sem sono fiquei ali na poltrona pensando em algum lugar que eu pudesse ir. Uma regra que todo vampiro tem de ter em mente é o fato de não repetir os mesmo lugares no qual arranja vitimas. Isso é uma boa explicação para nossas freqüente mobilidade, alem da proteção. Antigamente era mais fácil ter um rebanho, hoje com as câmeras, os celulares qualquer ato que sai da rotina pode estar na hora seguinte no Youtube ou o que é pior, nos canais de notícias. Quando os vampiros mais velhos acordarem vão enfrentar mais um grande problema.

    Consumir sangue morto? Ir a um hemocentro? Ir atrás de algum dependente? Quem manda ser tão exigente seu Galego, se tu fostes um vampiros sem escrúpulos poderia atacar qualquer um… Nessas horas os pensamentos humanos se confundem com os pensamentos do nosso companheiro bestial e se o alimento não vier de alguma forma, as pessoas próximas podem sofrer as conseqüências… Não posso ficar perto da Beth… Naquele dia tentei dormir e em meio aos sonhos e pensamentos diabólicos consegui descansar um pouco. A noite quando sai do quarto avisei a Beth que sairia e só voltaria quando estivesse tranqüilo. Detesto quando alguém e em espacial ela me olha com expressão de pena nos olhos, mas tentei manter a tranqüilidade. Meus lábio secos e gelados tocaram de leve a sua boca carnuda, encaixei um abraço e me despedi lhe apertando forte como ela sempre gosta.

    Pistolas carregadas e devidamente guardadas nos coldres das costas. Camiseta vermelha, jaqueta própria para motociclismo com alguns bolsos que armazenam algumas balas de prata e o celular a prova d’água. Sob a calça jeans próximo aos pés guardei minha carteira com os documentos falsos que sempre me abrem as devidas portas e fui para a batalha. Duas vezes por mês eu preciso usar esse kit. Com o tempo nos acostumamos, mas é sempre difícil lidar com a morte final a sua espreita.
    Quando estava na garagem o celular vibra e atendo dizendo:
    – Fala doutor…
    – Galego, tem uma mulher que está vindo aqui pela quarta vez só esse mês, ela abriu queixa do marido que vem lhe violentando e que inclusive já tentou abusar do próprio filho de 4 anos…
    – Deixa comigo!

    Se existe uma coisa que deploro é alguém abusar de pessoas indefesas, abusar de uma criança? Espancar uma mulher quase lhe cegando? Senti de leve a saliva umidificando minhas presas e sem pensar muito fui para a casa deles.

    Bairro de classe média e novo, próximo das 23 horas, quase nenhuma pessoa fora das casas que eram um pouco afastadas umas das outras. Escolhi uma esquina próxima de um terreno baldio para deixar a moto. Tomei cuidado para ver se não tinha ninguém em volta e desliguei a moto, que desta noite era uma das minha prediletas a nova e silenciosa Zero S.

    Verifiquei a redondeza novamente, localizei a casa e em um dos cantos do terreno me agachei para começar a transformação. As transformações vampirescas iniciam quando nos concentramos e pensamos por alguns segundo no que queremos virar. Nesta vez foi a névoa, meu corpo começou a esmaecer, uma tênue fumaça surgiu ao meu redor e alguns instantes depois minha visão do mundo era outra. Agora eu não via mais o mundo como os humanos vêem, é algo difícil de descrever em poucas palavras, mas é como se eu sentisse a vibração e a energia emitida por tudo em um imenso mar escuro, com os detalhes como cantos e silhuetas em uma espécie de branco prateado. O mais legal desse estado é que o ar parece liquido e se move em câmera lenta. Já o som que também pode ser visto, faz ondas que se chocam com nossa visão provocando sensações que vão muito alem da audição, podendo inclusive ser degustado. Outro aspecto importante é que nesse estado as emoções podem ser visualizadas, mas o ponto negativo é que nosso demônio fica muito mais evidente e se algum ser especial estiver por perto poderá nos ver mais facilmente.

    Não precisei procurar muito para ver onde estava a casa do cidadão, bastou seguir o rastro podre que emanava de uma grande área a alguns metros. Ele estava sozinho em casa e foi então que entrei e me acomodei em um cômodo ao lado do seu.

    A televisão estava ligada e o som alto mostrava um jogo de futebol. Concentrei–me e voltei a forma material. Sorrateiramente abri a porta e lá estava ele me olhando como se estivesse me esperando… Maldito peludo…

  • Lobisomem em Florianópolis

    Lobisomem em Florianópolis

    Estava vasculhando as notícias dos jornais de hoje e me deparei com esta notícia abaixo, informada por um dos telejornais de Florianópolis:

    Animal desconhecido assusta moradores na Capital

    Estão vendo como estas pragas destes peludos estão por perto?
    Eu sempre falo para cuidar por onde andam, ainda mais à noite!!!