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  • Lilian à Reunião – Pt2

    Lilian à Reunião – Pt2

     

    ” Eu vou te fazer implorar por isso! Pedir por isso! Até que você sinta que vive por isso… Eu quero lhe ver obcecado, que acorde e durma pensando nisto! Até que eu lhe tire cada membro… Que você dê um passo a frente e veja que não tem nada além de mim lhe esperando. Agora o seu tempo é meu, acredite! Por que  oque tivemos foi atração mortal e agora eu quero tudo e você não terá nada!”

    Sentada em minha varanda, querendo abstrair tudo que me falaram alguns minutos atrás, fumei um cigarro tentando de alguma forma uma solução para meu mais novo problema, afinal minha vida é uma eterna “aventura”, para minha alegria… ¬¬’ “Lili?”, lá estava ele em toda sua glória masculina que mexia comigo por mais que eu negue, ” Trevor, em que posso ser útil?”, “Acho que sou eu quem deveria lhe perguntar isso…”, tentei esconder a minha frustração, mas a merda é que ele me conhece tão bem que mesmo se eu quisesse mentir ele saberia que era mentira, ” O que quer que eu fale T? Vocês me aparecem com essa noticia boa e cheia de ótimas recordações! Me desculpe se não estou lá na sala fazendo uma festa!”. Senti aquelas mãos familiares tocarem minhas costas  e seguirem até a altura do meu pescoço, ” Eu queria lhe dar uma noticia boa todo santo dia Lili, mas sabe que as coisas não são bem assim! E acima de tudo eu confio em você e sei que vai conseguir fazer o seu melhor e trará excelentes resultados”.

    Com um beijo em minha testa Trevor foi embora antes que amanhecesse, já eu entrei em meu quarto e deitei na cama esperando que aquilo fosse de alguma forma me confortar, “Cada dia que passa as assombrações só aumentam! Eu realmente preciso de umas férias”. Adormeci depois de alguns minutos pensando como seria minha noite seguinte.

    “Acorda dorminhoca, hora de levantar!” Ao abrir os olhos me deparo com Dani já vestido e com uma mochila nas costas, “Posso saber aonde você vai?”, perguntei ao me levantar e começar a procurar algumas roupas no armário “Acho que sair em uma longa aventura com minha irmã querida!”, senti os olhos carinhosos do meu irmão descansarem sobre mim, parei de remexer entre os montes de roupas e me voltei para Dani, lhe dei um longo abraço e sei que ele sorriu, “Você realmente achou que eu deixaria você ir sozinha? Claro que não!” sai dos fortes braços do Dani e o olhei em dúvida ” Você será capaz de destruir ele, sem sombra de dúvidas! Mas não espere que ele esteja esperando sozinho!”

    Tudo que meu irmão me falou fazia sentido, ir sozinha seria arriscado, ter ele ao meu lado apenas me ajudaria. Tratei de fazer uma mochila, me troquei com as minhas roupas normais e me encontrei na garagem com Dani, de lá iriamos pegar um avião seguindo para o nosso primeiro destino, seria uma longa busca. Para nós vampiros muitas vezes chegar até um determinado destino, mesmo que seja de avião, demoram alguns dias, devido aos horários podemos apenas viajar a noite fazendo escalas entre um país e outro.

    Depois de alguns dias conseguimos chegar na Europa, lá seguimos até uma velha amiga de Michael, conhecida por todos nós como Sra. Mun Na, esta possuía algumas informações a respeito sobre o paradeiro da nossa vítima. O problema é que a Sra. Mun Na, não viva em uma simples casa rodeada de vinte gatos, ela vivia rodeada de seguranças e para chegar até ela deveríamos possuir uma espécie de convite e apenas um poderia entrar.

    Ao chegarmos em uma enorme e bem adornada mansão vitoriana, fomos recebidos por dois seguranças que nos acompanharam até uma grande sala, lá fomos orientados que apenas eu entraria, já que o assunto era à meu respeito, “Apenas a grandona pode entrar!”, falou um dos capangas, olhei para Daniel e disse que tudo bem.

    Segui então até o quarto da antiga senhora, quando entrei lá vi que era uma oriental de idade, traços bem definidos e sem muitas surpresas, haviam gatos por todos os lados, ” Entre minha cara, aqui apenas vai obter o que deseja!”, ao me aproximar mais dela pude ver, olhos tomados pelo negro, não havia nada além de imensas bolas negras no lugar dos olhos, ” Devo perguntar ou não?”, “Jovem vampira, eu não sou uma mera velha, sou serva das trevas e as trevas me mantém neste mundo!”, acho que ela quis dizer Lúcifer ou algo do tipo, mas preferi não perguntar, “Apenas quero saber o que tens para me ajudar Sra. Mun Na…”, com facilidade aquela mulher  levantou da enorme cadeira em que estava e veio em minha direção, segurou meu queixo com uma das mãos e nos olhamos por alguns segundos até que ela finalmente falasse, “Sábio é aquele que procura no óbvio sem deixar que o complicado do mundo o atraia! Pense com o passado e veja o futuro!”

    Sai daquele lugar um tanto atordoada… Porra mas que merda, isso era hora dela me falar poema, cantiga, rima ou o caralho que fosse? Ao me deparar com Dani, ele no mesmo instante percebeu minha frustração, ” E ai como foi? Tudo bem? Descobriu algo? Ela é legal?”, eu apenas segui ele para a saída e não consegui conter a revolta ” Claro! Foi tudo bem! Ela me contou tudo em detalhes enquanto fazíamos tranças uma no cabelo da outra!”, Dani deu risada e continuou andando, ” A Sra. Mun Na falou algumas merdas mistícas, filosóficas que ela retirou de uma bosta de um biscoito da sorte!”.

    Mas que porcaria foi aquela? Cara me fez viajar até aqui pra falar isso? Sério? Se fosse assim era só ir em algum restaurante japonês, comprar a porcaria do biscoito e ler essa jóia rara que ela cuspiu pra mim!

    Enfim, agora vou te de esperar a noite seguinte em algum hotel e filosofar para onde devo seguir… Como se o mundo fosse um lugar pequeno e com escassas opções! É melhor eu sonhar com algo ou essa doida me ligar com informações  além de citações! #OHSHIT!

  • O Manipulador: a história de Rebecca – Parte II

    O Manipulador: a história de Rebecca – Parte II

    Acordei após um tempo, e embora de maneira lenta, semicerrei os olhos algumas vezes até recobrar a consciência. Estava em um ambiente totalmente diferente do que imaginava que iria acordar. Era um quarto grande e arejado. O sol ultrapassava as grandes cortinas feitas de cetim cor de pérola. E eu estava em uma cama, surpreendentemente aconchegante, com travesseiros feitos de plumas de ganso. Havia alguns móveis e uma poltrona, acredito que devido à tontura da qual ainda me encontrava, tive a impressão de que alguém estivesse sentado ali me observado. Mas não. Não havia nada. Nenhum som. Ninguém.

    Lembrei-me de Alice e de seus olhos. Aquela voz… Levantei, e para minha surpresa eu estava aparentemente bem, com minhas roupas limpas, sem nenhum ferimento. Seria tudo um pesadelo? Onde eu estava? Será que teria dormido por tanto tempo para estar totalmente curada? E… De quem era aquela casa? Caminhei até a porta e antes de abri-la, tentei escutar algo. Nada novamente. Então, decidi que era hora de sair dali, tudo estava muito quieto. Ao sair do quarto, deparei-me com um longo e escuro corredor. Fora do quarto parecia ser noite.

    Caminhei em direção a uma escada, desci e entrei em um ambiente que parecia uma sala de jantar. Então, finalmente alguém. Era uma senhora. Arrumava uma mesa enorme com talheres, pratos, taças e muita comida. Assustei-me quando ela percebeu minha presença, porém, ela não parecia surpresa. Pude então, ver seu rosto, claro como uma vela, e seus olhos negros como a noite. Seus cabelos desalinhados e brancos, e suas rugas mostravam-lhe certa idade, era exageradamente gorda. Então, com um sorriso pálido convidou-me para sentar e disse:

    – Minha querida sirva-se à vontade! Precisa estar bem alimentada. Se desejar, pode passar o restante do dia na biblioteca, na sala ao lado.

    Senti calafrios com aquela mulher que falava como se sua voz não saísse de si mesmo e que não me deu ao menos a chance de pedir maiores explicações, deixando-me sozinha. Então, percebi que realmente estava com muita fome e não acreditei que toda aquela mesa estava posta apenas para mim. Alimentei-me como se estivesse sem comer a dias. Em seguida, comecei a notar o quanto tudo era estranho naquela casa, e as lembranças em minha mente, faziam-me imaginar que talvez alguém tivesse me salvado. Mas, mesmo assim, me senti receosa, era meu sexto sentido, falando mais alto. Na biblioteca, encontrei folhas e tinteiro em uma estante, escrevi um recado em forma de agradecimento sem saber ao menos a quem escrevia, e mesmo que talvez estivesse sendo indelicada, decidi que era hora de ir embora.

    Havia portas e portas naquela casa, nenhuma estava aberta. Comecei a apavorar-me, estava trancada naquele lugar!