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  • A hibernação de Eleonor – 2 de 2

    A hibernação de Eleonor – 2 de 2

    Eleonor acordou melhor do que nas últimas noites. Estava falante, alegre e muito bem-disposta, tanto que me perguntei de imediato, será que ela havia desistido de hibernar?

    – Fê como andam os preparativos, tudo pronto?

    – Si-sim, claro tudo bem contigo? – Falei quase que gaguejando diante tal pergunta seca.

    – Ótimo, já separei umas duas malas, sabe, coisinhas simples de mulher. Quero ter tudo a mão para quando eu voltar daqui uns anos.

    – Humm sei, joia minha querida… – Respondi receoso e cheio de dúvidas.

    – Bom vou terminar de me arrumar, me avisa quando estiver pronto…

    A noite veio como uma faca que perfura a carne, destrói os tecidos e afana a vida das inofensivas células. Trouxe também movimento, pensamentos e intenções, daquelas que apenas dois seres muito próximos poderiam confidenciar diante a eminente hibernação.

    Sinceramente, estava surpreso pela vitalidade de minha doce morena. Será que ela estava ciente de tudo o que iria acontecer? Tentei não focar na desgraça da situação, deixei as dúvidas de lado e tomei todas as providências necessárias. Reuni os principais Ghouls da fazenda, informei o que aconteceria naquela noite e depois que eles se dispersaram em seus afazeres, pude contemplar por alguns instantes as estrelas e o bonito céu daquele momento.

    Fiquei por alguns instantes viajando, pensando no tudo e no nada, até que fui surpreendido sorrateiramente por Eleonor. Ela veio de mansinho e me abraçou carinhosamente. Tentei pronunciar alguma cousa, mas não cabeia mais nada entre nós. Ficamos nessa situação por alguns instantes, até que ela não aguentou e soltou o verbo:

    – Hey, não vai falar nada? Ai Fê para, não é o fim do mundo. Só vou digamos tirar umas férias. Nem sei se você vai sentir tanta falta assim, afinal nos últimos anos desde que acordou anda bem disperso. Focado na internet, nas suas leitoras e afins…. Nem vou comentar da Beth e das outras putinhas que você andou se envolvendo.

    – Caralho, guardou tudo e me solta só agora? aff

    – Deixa quieto mi amor…

    Ficou um clima chatíssimo, afinal Eleonor sempre teve um lugar especial no meu falecido coração, mas como bom geminiano eu sou resolvi dar um pouco mais de trela, afinal tudo o que ela me disse não poderia ir para o túmulo com ela….

    – Olha, eu até entendo e bastante o teu momento, entendo que nos afastamos de tudo o que vivemos antes da minha hibernação. Só que eu tô tentando algo novo. Sei que não posso mudar tudo o que fiz ou que aproveitamos juntos. Mas ao meu ver é para isso que o ritual de hibernação foi criado. Tu passas um tempo “off” e depois podes voltar com outras expectativas. É como se nós tivéssemos a chance de renascer, quase como a alma humana. Só que não vou entrar nessa discussão. Tenho feito sim uma aproximação gigantesca com o povo dessa época, mas isso faz parte do processo de reintegração na sociedade. Com certeza tu vai passar por isso quando voltar do teu sono. Não que eu esteja ignorando o teu amor, ciúmes ou como queira chamar, mas me deixa com os meus problemas e foca nos teus. Aliás, espero que eo teu inconsciente te de estas lições assim como o meu o fez quando hibernei. Aproveita essa chance e renasça como outra vampira quando voltar.

    Suponho que ela tenha absorvido pelo menos uma parte do que eu havia lhe dito, pois ela se calou e apenas me abraçou mais forte. Na verdade, acho que ela se perdeu por alguns instantes nos seus pensamentos e tive de dar o primeiro passo.

    – Tá desculpa, não queria soltar tanta cousa assim desta forma, mas foi tu quem começou. Foca nessa cousa que eu te disse que voltar como outra vampira daqui uns anos. O tempo que ficamos juntos foi muito divertido e tu sabes que és muito importante para mim. Somos irmãos, amantes, e além disso te vejo até como uma mãe as vezes…

    – Sim gosto muito de ti também, mi amor.

    – Bom, pensa no que eu te falei por mais um tempo, vou pagar tuas malas que está na hora de irmos…

    Eleonor ficou por mais um tempo sentada perto da cerca branca. Sabe-se lá se ao menos entendeu parte do que eu lhe disse.  Porém, depois de uns 20 minutos ela foi ao meu encontro na casa, eu estava mexendo no meu celular e sentado num dos sofás da grande sala. Seu olhar era fixo e disse-me apenas: “ Vamos? ” Consenti com a cabeça, pequei suas duas malas e fomos para a cripta.

    O lugar era o mesmo de sempre, com uma entrada repleta de armadilhas, os compartimentos, as portas e fechaduras…. Ao final de uma das salas estava a tumba que preparei para Eleonor e um lugar tipo “armário” com portas e mais fechaduras onde guardei suas malas. Feito isso me posicionei a sua frente e fui direto ao ponto:

    – Quais as tuas últimas palavras, minha doce morena?

    – Eu te amo – Disse ela olhando fixamente para os meus olhos.

    Seus lindos olhos azuis brilhavam como nunca e só me restou lhe dar um longo beijo. Cheguei a me excitar a ponto de querer algo a mais. Porém, ela me segurou em determinado momento, baixou a cabeça e disse sussurrando medrosamente:

    – Começa logo… por favor!

    Não pensei, nem refleti, apenas segui me instinto e aflorei as presas. Agarrei seus braços e cravei minha boca na maior de suas veias. Senti todo aquele turbilhão de pensamentos e emoções se transmitindo entre nossas almas. Agora estávamos mais próximos do que nunca e continuei até o ponto em que ela se amoleceu. Fiquei impressionado com o seu alto controle, pois nem um gemido ela soltou.

    Lá estava eu com seu corpo desfalecido e inerte. Cheguei inclusive a pensara que por um instante sua alma me tocou, mas deve ter sido apenas a emoção do momento…. Terminei o ritual, fiz tudo que era necessário para que ela não se fosse de vez e a enterrei. Cobri todo o seu corpo e a medida que ela sumia do meu campo de visão, diversos pensamentos vinham a minha mente. Lembrei-me do momento em que nos conhecemos em Desterro, do quanto ela me parece estranha e atraente desde o momento em que vi e de boa parte dos nossos momentos juntos.

    Inclusive ao final de todo o procedimento de hibernação eu me peguei sentado ao lado de sua tumba, sujo de terra e com uma pequena pá de jardinagem em mãos. A partir daquela noite eu estava afastado de meu criador e de minha maior tutora. O que viria pela frente teria apenas como testemunho o Franz, que apesar de também ter sido meu tutor, está num nível muito próximo do meu na hierarquia do clã. Clã? Espero que eu consiga manter essa nossa união…

  • A hibernação de Eleonor – 1 de 2

    A hibernação de Eleonor – 1 de 2

    Este não é um texto normal daqueles no qual eu gosto de gerar expectativas e apreensões em vocês. Tampouco, um daqueles textos em eu encho de firula ou figuras de linguagem  afim de satisfazer aqueles que procuram algo a mais além dos livros, filmes e seriado humanos. Este é portanto um texto baseado em fatos e situações reais. Ocorreu no final da semana passada, uma data que ficará por um bom tempo em minha mente: 16/07/15, a noite em que minha linda morena decidiu hibernar por pelo menos 50 anos.

    Sendo extremamente honesto, não estou com o menor saco (paciência) para descrever todo o o procedimento aqui. Ainda estou um pouco abalado e padecendo dos efeitos de todo o processo. No entanto, é fundamental eu deixar gravado aqui e nos meus arquivos pessoais o momento exato em que Eleonor decidiu deixar esse mundo de lado por uns anos. Isso vai ser bom para mim e mais ainda para ela quando retornar. Mesmo por que eu preciso ser realista e quem sabe nem mesmo eu esteja aqui daqui 50 anos.

    Pois bem, estávamos sentados no gramado e a beira da cerca branca, aquela no qual ficam os recém-nascidos da fazenda. Nesse ano tivemos sorte e quase todas as fêmeas reproduziram, as vacas, os porcas, as ovelhas e até mesmo as cadelas. Com certeza foram os “pequenos saltitantes” que motivaram uma de nossas conversas, em meio àquela primeira noite de lua nova.

    – A vida se renova sempre e todas as gerações nos trazem aspectos do passado melhorados…

    – Não sei se essa é a teoria certa de Darwin, mas pode ser, minha querida!

    – Ai Fê, minha querida? Que deboche é esse?

    – Ahh ando tô em muitas cousas, inclusive escrevi lá no site sobre isso. Sobre o que está acontecendo contigo e comigo.

    – Eu sei que tu escreve lá frequentemente. É um bom passatempo humano, mas poxa tô aqui e temos tanto para conversar. Consegues focar o assunto aqui por favor?

    – Sabes que sou um pouco dispersivo nas conversas mas vamos lá então. E ai vais hibernar ou não.

    – Ahh para. Sabe que não é uma escolha fácil.

    – Eu sei que não, mas até quando vamos ficar nesse chove e não molha. Sabes que é complicado ter uma vampira Nômade no grupo.

    – Nômade? Hahaha de onde tirou isso? Estou me sentindo uma cigana…

    – Tirei daquele seriado Sons of Anarchy, sabe?

    – Ahn? Tá enfim, eu sei que não da pra ficar nessa Fê, mas relaxa, já tomei minha decisão.

    – E vai me enrolar até quando?

    – Eu quero hibernar!

    No momento em que ela pronunciou a palavra “hibernar”, senti um enorme vazio, meu corpo ficou adormecido e pareci que a mais dura das estacas havia perfurado meu coração duro e morto. Demorei para desenrolar os pensamentos, tanto que ela me “cutucou”.

    – Tá eu sei que não é do teu agrado mas , vai anda diz algo.

    – Olha para te ser bem honesto, não me imagino namorando ou tendo algo contigo de novo. Desbcobri depois da minha hibernação e com os estudo do mundo atual que cada um de nós é um ser completo e que não precisa da outra metade. Cousa bem diferente do eu fui no passado.

    – Para Fê, não me venha com os teus sermões filosóficos.

    – Não quero ir por esse lado, calma. Estou digerindo aqui essa situação. Tu estás comigo desde o inicio vou sentir falta de ti. Também não quero ser egoísta e vou tentar ser o mais objetivo possível…

    Fiz uma pausa, ponderei por mais alguns instantes e Eleonor me esperou.

    – Bom, vou me referir a situação como líder do nosso clã e te digo: ok, tens permissão para hibernar. Acredito que isso vai ser melhor para as tuas ideias e garantirá um ponto fraco a menos para o nosso clã. Inclusive já falei com os outros.

    – Não foi uma decisão fácil, sei que vou perder todas as mudanças atuais do mundo, mas como tu mesmo disse esses dias, o mundo atual está muito parado e estou sem objetivos para o momento.

    – Bom não vamos resumir isso. Volta lá para dentro e da mais uma pensada. Amanhã à noite resolvemos isso. Eu vou dar uma passada na cripta e deixar as cousas semi-prontas por lá. Como fizemos o procedimento com Georg a pouco tempo, vamos aproveitar algumas cousas e vai ser rápido contigo.

    Fiz a trilha que levava a cripta, um lugar de arbustos fechados e mata muito virgem. Fiz o ritual para achar a porta de entrada e cuidadosamente passei por todas as portas, fechaduras “armadilhas”, que levam ao salão principal.

    A nova iluminação funcionou muito bem e tratei de preparar a caixa de concreto que guardaria o corpo de Eleonor. Lubrifiquei algumas engrenagens, tive de usar um pouco da minha força sobrenatural e lá estava o túmulo, caixote ou como queira chamar. Um aparato com estrutura mista de concreto e aço e intensamente limpo. Como se tivesse sido limpo a poucos minutos.

    Tratei de encher com a terra que sobrou do ritual de Georg, por sorte foi o suficiente e fiz mais alguns procedimentos para adiantar o ritual de hibernação. Voltei para a sede da fazenda e não consegui dormir naquele dia. Na minha cabeça ocorreu um misto de ansiedade, com pensamento desconexos e ideias para o futuro. Inclusive liguei para Franz, que prontamente me atendeu e não quis bater muito papo. Não demonstrou muita afeição pela situação, mas também não quis entrar em detalhes. Preferiu uma saída a francesa, dando uma desculpa qualquer.

    Finalmente, depois de algumas horas anoiteceu novamente……..

  • Livro de bruxarias da Madame Borgia – Pt 2

    Livro de bruxarias da Madame Borgia – Pt 2

    Não sei se foi algum feitiço ou talvez por causa do cansaço, mas tão logo eu comecei a ler o tal livro eu simplesmente dormi. Foi um sono bom, daqueles extremamente revigorantes e tudo seria perfeito se não fosse o sonho exótico com a tal garota loira.

    O cenário era algo legitimamente de sonho, um clima Noir à meia luz, o tempo passando em câmera lenta e um lugar fechado que se assemelhava muito com uma balada mais dark. Algumas pessoas andando por todos os lados e a minha frente aquela garota de manto preto, que deixava amostra apenas os seus cabelos quimicamente loiros, mas que mesmo assim lembrou-me nitidamente de Suellen.

    – Fê, Fê… Ferdinand………………..

    Eu devo ter ouvido todos os meus nomes ou apelidos antes de sentir o balanço delicadamente grosso de Franz. Diz ele que ficou por quase dez minutos tentando me acordar, até que se estressou e resolveu me dar um chacoalhões. Afinal, eu havia dormido o dia inteiro sem sequer mudar de posição no sofá.

    – Nos chegamos daquela festinha vimos que tu estavas dormindo e nem quisemos acordar, porém como ainda estavas no mesmo lugar o dia inteiro, achamos que tinha algo errado. – Confessou-me Eleonor.

    O que diabos tinha acontecido ninguém soube me explicar, muito menos sobre o livro, no qual nenhum deles tinha conhecimento. Porém quando o papo foi dar sermão, todos encheram meu saco por eu ter mexido em algo do Barão e ainda mais por que estava lacrado e selado. Mas afinal de contas, como eu iria saber que não era para mexer? –Pensei comigo. Se fosse algo tão importante não estaria em uma simples caixa e junto de outros livros desinteressantes…

    Reclamações a parte, lavei o rosto para tirar a cara de sono, troquei de roupas e resolvi dar uma corrida pela fazenda. Contudo, o livro e as histórias tão bem ilustradas não saiam da minha cabeça e cousa de 20 minutos mais tarde voltei para casa. Tomei um banho quente e longo, vesti algo confortável e fui para o meu quarto. Tratei de me concentrar na leitura e cuidadosamente eu li cada página, fazendo sempre que necessário anotações ou esquemas ilustrados em meu bloco de notas.

    Leitura boa, rica em detalhes, mas novamente adormeci em meio à leitura. Algum tempo depois eu acordo e ao olhar no relógio já eram 15:25. Olhei para o livro que ainda estava em minhas mãos e para minha surpresa eu só havia lido 7 páginas… Naquele instante eu me preocupei, afinal leio pelo menos umas 100 ou 150 por noite quando estou empolgado.

    Como ainda era dia eu sai com cuidado do quarto e tentando não fazer barulho, afinal casas de madeira são extremamente barulhentas e Eleonor tem o sono leve. Não queira ouvi-la saindo de seu quarto enfezada por ter sido acordada! Contudo, sabe quando você se vira e como num reflexo vê algo estranho, tipo uma presença? Pois então, lá estava a garota de manto preto em um dos cantos da sala e estacionada como se fosse uma assombração.

    Levantei a cabeça, liguei a luz e em seguida olhei em volta, mas não havia ninguém… Diabos, devo estar doido. – Pensei comigo e não, isso não tem nada a ver com o filme “O chamado” de 2002.

    Assim que liguei a luz e depois da aparição eu vi alguns barulhos na cozinha e fui para lá pois alguma das empregadas podia estar limpando ou fazendo algo. Dito e feito, naquele dia uma das empregadas faziam um lanche. Quando me viu ela ficou envergonhada, engoliu rapidamente o pedaço de sanduíche que mastigava e me disse:

    – Boa tarde… O senhor precisa de algo?

    – Por favor minha querida, que dia é hoje?

    – Acho que é 16, segunda senhor…

    Agradeci, deixei-a curiosa sobre o que eu queria e voltei para o quarto. “Merda, tem algum feitiço nesse livro, dormi por quase dois dias e estou vendo cousas…”

  • Será ela minha escrava de sangue?

    Será ela minha escrava de sangue?

    E la estava eu mais vez indo de encontro a aquela pobre alma. Já perdi a conta das vezes em que ela me doou seu sangue. Talvez ela ache que um dia a transformarei, mas será que ela não pensa em mais nada de útil para sua monótona vida?

    Alguns trocados por sangue e nos últimos tempos ela parece estar mais passiva diante de minhas investidas. Está certo que seu pescoço já está calejado em função das várias mordidas, mas será que o tempo pode mesmo deixa-la neste estado quando me vê? A que falta me faz meu mestre. Às vezes penso em romper seu sono, sinto falta de alguém mais experiente para resolver estas dúvidas simples que circundam minha cabeça.

    Parece que foi ontem que ele me disse: Ferdinand agora é por tua própria conta, hibernarei e anseio que te cuides. Aproveite esta liberdade e siga com os planejados até o meu retorno!

    É meus amigos os pensamentos vão longe no momento em que me alimento. Antigamente era uma estase inimaginável, hoje em dia eu apenas resolvo minha questão alimentar. Talvez seja por isso que eu procuro por sangue em locais de alta adrenalina, combatendo o crime ou lhe buscando nas veias dos pilantras e salafrários…

    Ontem foi assim, quem sabe nas próximas semanas eu esteja mais tranquilo para pensar nas minhas filosofias, livros e site.

  • Como os vampiros dormem?

    No ano de 1951 a vontade de ficar um tempo fora do mundo era tanta, que ter de esperar Eleonor acordar para ficar em meu lugar, não era uma opção. Infelizmente, era preciso esperar, pois era ela que cuidaria das coisas da família enquanto eu e os outros estivéssemos fora daqui.

    Era perto de abril quando meu tio e eu fomos para a “fazenda” da família, um local tido como refugio nas horas incertas e local das nossas “camas”. O local além de todas as proteções de praxe também possui proteção mágica, feita por um bruxo muito amigo do barão.

    Depois de muitas entre – salas chegamos a uma câmara escura, sem luzes, sem janelas e apenas com quatro tampas quadradas cheias de poeira por cima. Foi na terceira tampa que o barão se abaixou, soprou forte fazendo levantar a poeira que cobria um pequeno orifício no qual ele colocou o seu dedo indicador. Nunca vou esquecer do giro para esquerda, da puxada firme e do destravamento da tampa…

    Uma das paredes desceu como se fosse uma ponte elevadiça e a frente estava uma caixa grande o suficiente para caber uma pessoa dentro. O barão então me disse:

    – Chegou o momento do seu descanso meu filho, daqui 50 anos vamos nos ver novamente, caso isso não se realize saiba que continuo achando um erro tu ir para alí antes do combinado. De qualquer forma mantenho feita a promessa que te fiz… Trouxe as correntes que eu te pedi e aquela adaga?

    Meu foco no momento era o descanso, eu queria um pouco de paz depois de tantas mortes, sangue e situações pelo qual já tinha passado:

    – Sim meu senhor está tudo aqui!

    Abrimos a tampa do túmulo, e dentro havia apenas terra. Deitei-me em cima da terra e meu tio me amarrou com as correntes sobre alguns suportes da caixa. Depois de algumas palavras ele jogou uma espécie de pó branco sobre meus pés e cravou a faca em meu peito, certeiro no coração. Lembro apenas de alguns flashes, mas a dor não era tanta se comparada a de outros tipos de ferimento, sendo que o pior de tudo nem era isso e eu estava paralisado. Alguns minutos se passaram e fui sugado para dentro da terra… ficou tudo escuro… Dormi?

    Olá, quem são vocês?…