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  • Encontro com o mestre

    Encontro com o mestre

    Estacionei o carro e fui em direção ao centro da praça. Este, aliás, é um belo lugar para se passear as madrugadas. Vazio, ar fresco e praticamente nenhuma alma viva, ao menos aos moldes humanos. Seria inclusive um belo lugar para se deitar a grama e ficar um tempo observando as estrelas, constelações, galáxias…

    Sentado em um banco estava um velhote muito bem vestido de terno completo, chapéu e bengala. Com uma das mãos ele segurava um Tablet e com a outra ele manuseava incansavelmente seu bigode centenário. Concentrado, obviamente ele sabia da minha presença, mas isso não me privou de ficar por um tempo lhe observando.

    160 anos haviam se passado desde que o conhecia naquela madrugada de carnaval e ele estava ainda melhor. Mais elegante e forte, parecia que os anos só o deixam melhor. Pensei comigo…

    “Nostálgico hoje meu filho?”

    Eis que surge o pensamento telepático em minha mente e ao piscar os olhos não havia mais ninguém no banco da praça. No entanto, senti a energia de meu mestre vindo de outro lado e ao olhar para trás lá estava Georg sorrindo e indo em direção ao meu carro.

    – Vamos Ferdinand, temos muito o que conversar ainda hoje!

    O Barão e seu jeito excêntrico, mas que sempre tem tudo sob o seu controle.

    Voltamos para a fazenda e Georg foi me contado da viagem de volta. Novos tempos, muita tecnologia e os tais nanochips que revolucionaram tudo que havia antes do inicio de sua hibernação nos anos 60. Seis meses acordado e muitos teriam inveja de sua interação com tudo que existe de mais avançado na atualidade. Está certo que Sebastian o ajudou muito, porém sua mente sempre fora atemporal e avant garde.

    Sebastian, Franz, Eleonor, Julie, H2, Georg e eu. Todos reunidos naquela velha sala da casa grande. Joseph estaria feliz aqui hoje à noite, pensei comigo… Fora uma noite em que meus pensamentos vagavam por todos os cantos do globo, mas que foram interrompidos mais uma vez por Georg. Ele vinha do porão trazendo consigo um cálice de prata e foi logo iniciando o tão esperado ritual.

    – Meus filhos, apesar da inestimável perda de Joseph, nosso clã aumentou nos últimos anos. H2 trouxe sua fé e Julie seu sangue. Ambos não entraram neste clã ao acaso, h2 já era observado há muitos anos por Franz e Julie… Julie é alguém que tenho muito apreço, que surgiu em nosso clã depois daquela maldita guerra e me deixou feliz, ao aceitar meu convite. Independente de todos os laços afetivos que circundam suas cabeças, Gutta cavat lapidem¹ (risos), eu quero deixar implícito antes do festim que nós somos os Wulffdert e me sinto honrado em tê-los comigo.

    Sabe aquele discurso motivacional que você precisa ouvir em determinados momentos de sua vida? Georg o estava fazendo muito bem…

    – Apesar das revoluções tecnológicas e de comunicação deste século, tudo continua muito tranquilo. Nenhuma força nos ameaça, apesar da instabilidade econômica de alguns países, não há motivo eminente para nenhuma guerra humana ou Wampir. Sendo assim, eu irei cochilar por mais alguns anos como já havíamos conversado, lembram? Tá deu de encher o saco de vocês, é assim que se fala? (risos)

    Depois desse momento mais descontraído, nos concentramos novamente e ele iniciou o ritual. Algumas palavras em latim, algumas ervas mascadas maceradas dentro do cálice e um a um fomos despejando gotas de nosso sangue dentro do cálice. Tudo foi misturado a mais ou menos um copo de sangue de Georg e Franz foi o primeiro a beber, seguido por mim e todos os outros, sendo Georg quem consumiu o último gole.

    O que dizer das reações de tal ritual? Simples. Amizade, amor, carinho, respeito e confiança. Estes sentimentos e muitos outros afloraram ainda mais entre todos os presentes. Depois de 100 anos nossos laços haviam se renovado e mais uma vez o clã se sentiu unido na presença do mestre.

    Nas semanas que se seguiram tratamos da hibernação de Georg e para minha alegria Sebastian retomou o seu lugar ao meu lado. Julie e H2 andam mais receptivos que o normal, obviamente em função do ritual e finalmente eu pude sentar novamente em meu computador para retomar meus escritos.

    A nostalgia é importante de tempos em tempo. Por causa dela aprendemos a dar valor ao que temos e isso é importante para que a sanidade de nossos espíritos se mantenha intacta. Talvez algum dia meu companheiro demônio me domine, talvez algum dia eu o expulse. Porém o que importa mesmo é o equilíbrio entre o céu e o inferno, não é mesmo?

    ¹ Essa expressão em Latim, seria o equivalente ao ditado: “Água mole, pedra dura, tanto bate até que fura.”

  • O velho e o novo

    O velho e o novo

    Escrever meu primeiro livro tem sido um trabalho árduo desde as primeiras linhas. Neste primeiro volume dos três que virão neste ano de 2012, contarei como fui transformado em vampiro e uma série de fatos que aconteceram desde 1850 até os dias de hoje. Posso adiantar que foram momentos muito proveitosos, onde todos os meus sonhos de humanos deram lugar aos pensamentos do monstro que as vezes eu me torno.
    Hoje não irei contar histórias, mas falarei um pouco de algumas constatações que obtive nos últimos dias. O primeiro fato que me marcou muito foi lembrar-se de minha primeira esposa a Suellen, uma vampira repleta de poderes dons e que sempre foi alguém que alegrou cada momento no qual estivemos juntos.
    A questão é que escrever sobre Suellen me fez lembrar muito de minha bruxinha Beth, haja vista que a maioria de seus comportamentos são muito parecidos. Ambas têm um jeitinho meigo que encanta no olhar, por vezes são um pouco indecisas com relação aos fatos mundanos e o mais importante, sabem como fazer um homem/vampiro feliz.
    Falar do passado sempre nos faz ter esses momentos de reflexão e o que mais tenho feito por causa disso é pensar em como o velho e o novo se repetem. Não falo só por causa de minhas amantes, mas por causa da vida e de como ela às vezes é impulsionada pelos ciclos. Vocês sabem que sou um estudante de diversas artes ou filosofias e tanto a astrologia como o espiritismo tem sido meus companheiros desde 2005 quando acordei.
    Povo, não irei pregar religiões ou crenças por aqui e na verdade este é mais um daqueles posts onde de alguma forma eu tento abrir minha mente para todos, no sentido de querer mostrar que no fundo os vampiros ainda são humanos. Muitos verão isto aqui como “Ahh quero ser vampiro por que eles são legais”… Não por favor, não vejam isso desta forma, vejam isso apenas como mais uma reflexão de um ser que já viveu muito mais do que deveria para alguns e que passa suas noite tentando entender se seus objetivos realmente estão certos…
    Talvez as páginas que eu escreva hoje em meu primeiro livro, não reflitam tudo o que elas realmente precisam, porém existem noites e noite, dias e dias. Afinal o que sempre ouvi falar é que o tempo resolve tudo não é mesmo?

  • Velho babaca

    Velho babaca

    Cara eu juro que eu tento ser um vampiro bom, não bater, matar ou fazer qualquer outra coisa que interfira no mundo humano, mas tem noites que o bicho pega. Não, dessa vez eu não matei ou briguei, fiquei apenas na vontade.

    A situação foi simples, diria que foi até corriqueira se não fosse eu um vampiro. Estava no shopping comprando algumas guloseimas para minha querida amada, paguei ticket do estacionamento como qualquer um e fui em direção do meu carro. No meio do caminho me deparo com um velho carregando um carrinho e indo em direção ao supermercado que fica dentro do estabelecimento. Percebi que algo o incomodava, continuei indo em sua direção e de repente ele joga uma sacola plástica no chão, na minha frente.

    Meu, foi tão na cara que fui obrigado a dizer: – Senhor, o lixeiro é ali na frente. Pegando o papel na mão e mostrando a ele. No entanto para minha surpresa ele virou para trás e disse: – Joga lá… Juro que imaginei a cabeça dele caindo, o sangue jorrando como num chafariz, mas em meio a tanta gente fui obrigado a rir… Ri e apenas falei: – Velho mal educado dos infernos… A minha voz ficou tão enfezada que ele pegou a sacola de minhas mãos com a maior má vontade do mundo e guardou no bolso.

    Isso me faz refletir várias coisas, eu poderia dar milhões de recados e o que mais vocês possam imaginar. No entanto, me recolho na insignificância de um velho vampiro bem educado que pensa: O povo tem o que merece… O que tu farias no meu lugar?

  • Vampiros envelhecem?

    Vampiros envelhecem?

    Envelhecer é algo que incomoda muitas pessoas, afinal quem nunca pensou em viver para sempre ou nunca ficar velho? Eu mesmo quando era humano e criança pensava em ter sempre os meus pais comigo, ter sempre meus amiguinhos por perto, ter os irmãos ao lado por onde quer que eu fosse.
    E o tempo passou e hoje estou aqui, deitado em minha cama relembrando algumas coisas e compartilhando com vocês. As pessoas do meu passado se foram e até já devem ter virado pó.
    Mas saibam que o maior drama não é ficar só, nisso tu até te vira, afinal não sou o único vampiro da terra. O Maior problema continua sendo o que é mostrado em muitos filmes por ai: As coisas que se vão ou acabam…
    Já li romances ou vi em muitos filmes alguns vampiros com mais de 300 anos e com a pele de bebê. Acho engraçado, pois nós envelhecemos também. (mais…)