Pelo que a Evelyn me disse este é o último capítulo da história do Juan.
Para quem quiser ler os anteriores segue abaixo os links de todos:

Uma visita inesperada

O mundo aos seus pés

O número

Como a Evelyn conheceu a Beth

Arriba Cancún!

Arriba, Arriba!

No semi-árido com Jurema

Amiga, me ajuda.

Hora da Verdade

O número 44 da Aveneue Verdun parecia não chegar nunca. Ele fazia a contagem em voz alta:

Número 10, 12, 14 …. 40, 42, cemitério, 46, 48…

Juan parou, verificou o nome da rua, o número das casas e viu que já tinha passado. Voltou e continuou falando sozinho:

Okay, passei. Vejamos, este é o número 50, ali o 48, do outro lado da ruas os número ímpares…

Caminhando no sentido contrário, Juan parou em frente ao cemitério:

Número 44, Avenida Verdun.

Viu que o cortejo que passara por ele na praça havia terminado ali. Algumas pessoas já estavam saindo, uma delas falou qualquer coisa para Juan mas ele não entendeu.

A jovem que ele vira caminhar logo atrás do carro fúnebre estava sozinha ao lado do túmulo, o homem jovem e um menino de uns 6 anos se aproximaram dele.

O homem lhe disse qualquer coisa em francês, mas Juan não entendeu nada, só conseguiu dizer em inglês que não compreendia. O homem se apresentou em um inglês impecavél:

 – Me chamo John, o senhor conhecia a Madame Chatobriant?Sou marido da sua neta.

– Minhas condolências, mas não. Me chamo Juan e vim procurar uma amiga.

– No cemitério? Perguntou afoito o menino.

Surpreso com o inglês perfeito da crinaça, Juan respondeu sorrindo:

– Não, não. Acho que o endereço está errado.

Neste instante a jovem começou a caminhar em direção dos homens. E o jovem se apressou a dizer:

– Converse com o coveiro, ele conhece tudoe todos  por aqui. Depois se despediu e com o menino pela mão,  se afastou caminhando em direção à esposa.

Juan esperou o coveiro, ainda em pé na entrada do cemitério.

Ele era um homem meio corcunda, que caminhava com um pouco de dificuldade e parecia ser bastante velho. O coveiro nem se deu ao trabalho de olhar para o homem parado no portão principal, apenas entrou na pequena sala. O mexicano o seguiu no impulso, sem pensar muito no que ia dizer.

– Ah, Pardon, bonjour, Evelyn Dobois, ici.

O velho coveiro resmungou qualquer coisa em francês e apontou para uma lista na parede.

– Non, non, ici, ici (Juan gesticulava apontando o chão) Ici! (fazendo círculos com os braços) Evelyn Dobois, ici (tentava fazer mímicas que pudessem indicar uma casa e apontava para a anotação do endereço).

O velho pegou o papel da mão do jovem e leu em voz alta:

– Evelyn Dobois, 44, Aveneue Verdun, Paris – France. Pensou por um segundo, puxou um livro, verificou umas páginas e fez um sinal para que Juan o seguisse.

Os dois homens caminharam pelo pequeno cemitério até uma ala onde os túmulos eram muito velhos, e estavam ali com certeza muito antes do coveiro nascer.

Uma hora o homem pareceu ter se perdido entre as lápedes, deu uns dois passos meio exitantes e parou derepente.

Sem olhar para o jovem disse bem lemtamente fazendo sinais com os braços:

– Evelyn Dobois, ici, seuelement, ici. Pas d´outre.Jamais.

Depois ele se afastou.

Juan ainda demorou uns segundos enquanto pensava no que o homem havia tentando lhe dizer, para olhar o que estava escrito na lápide:

Evelyn Dobois, *29/02/1600 +29/02/1632.

No dia seguinte o mexicano voava de volta para Cancún.