Juan recebeu o envelope e ficou por algums minutos olhando e relendo a sentença. Era difícil dizer o que passava pela cabeça dele naquela hora.
Quando finalmente se convenceu que havia entendido corretamente já na primeira vez que leu, e que, significava exatamente o que ele estava pensando, Juan terminou em um gole sua margarita e seguiu até o quarto que havia reservado para Evelyn. Bateu à porta e esperou.
Nada.
Mais uma vez.
Nada.
Encostou um dos ouvidos na porta para tentar ouvir algum ruído, mas uma vez, nada.

Ele ligou de um telefone que ficava no andar, mas na área restrira aos funcionários para a recepção e perguntou se ela havia feito check – out. A recepcionista negou, mas afirmou que as chaves haviam sido entregues ali pelo atendente do bar, que relatou apenas que ela as esquecera lá, depois de ser avisada que sua mesa já estava pronta. Juan voltou ao bar e perguntou ao bartender quem a havia avisado da mesa, ele apontou um dos carregadores de mala.
Juan sabia que ela tinha partido, mas não queira acreditar. Indagando o carregador, a única coisa que ele descobriu foi que a recepcionista pedira para avisar a senhora no bar que a mesa dela estava pronta. Desconfiado da veracidade da história, Juan checou as reservas de mesas dos outros restaurantes do hotel e descobriu que havia uma reserva no número do quarto de Evelyn no restaurante italiano. Sorrindo e esperançoso que ela apenas estava lhe pregando uma peça, Juan foi checar.

No restaurante a mesa estava vazia. Nada. Nem Evelyn, nem um recado sequer.

Na noite seguinte Juan pediu a chave mestre na recepção e foi verificar o quarto. Ele já tinha pedido à recepção que lhe avisasse caso Evelyn voltasse ao hotel, mas como até ali não houve resposta, achou que seria interessante ver se o quarto estava mesmo vazio.
Não o surpreendeu muito o fato de o aposento estar intacto. A cama estava arrumada, o banheiro também. Nem a toalha de mão havia sido removida. Tudo lá, esperando o próximo hospede.
De volta a recepção, Juan liberou o quarto para reservas e saiu. Voltou ao hotel apenas ao amanhecer, completamente embriagado.
Ele dormiu o dia inteiro, quando saiu do quarto novamente já era noite. Depois de jantar Juan acessou da sala da gerência os dados dos hóspedes em busca das informações de Evelyn. Sabia que ela seria obrigada a deixar o telefone e um endereço como referência na hora do check – in, além do nome completo, coisa que “Don” Juan, não se preocupara em descobrir anteriormente.
Como ele imaginava lá estavam os dados. Sem pensar duas vezes discou o número que Evelyn fornecera e ouviu tocar do outro lado. O número tinha o código de Paris, o que conferia com o endereço que também era na cidade luz.
Juan tentou três vezes, mas em nenhuma delas houve resposta, nem uma secretária eletrônica. Imaginou que ela não deveria atenter à telefonemas no meio da madruga e resolveu esperar pelo próximo dia.
Antes mesmo de descer para tomar café Juan já havia tentado entrar em contato com Evelyn umas quatro vezes. Nehuma delas alguém atendeu ao telefone.
Já desesperado, ele ligou para a agência de viagens do hotel e pediu passagens para Paris, naquela noite.

Em Paris, Juan antes de deixar as coisas no hotel pediu ao motorista do táxi que o levasse ao endereço que Evelyn deixou. Estranhamente o homem se negou e disse que nem ele deveria andar por aquela área. O francês de Juan é extremamente rudimentar e o inglês tem um sotaque muito forte, o que dificultou muito entender porque o motorista não o levaria lá. O homem árabe, não entendia uma palavra em espanhol.
Depois de algum tempo tentando se comunicar com o motorista do táxi, Juan desistiu em deixou que ele o levasse para o hotel.
Ele tentou com alguns motoristas de táxi chegar ao endereço, mas todos se recusavam a dirigir naquela àrea. Perguntou no hotel e tudo que ouvia era: “O senhor não deveria ir lá”.
Sentado em um café numa ruela perto do centro da cidade, Juan estava a ponto de desistir, pediu a conta, mas se enrolou um pouco para isso e acabou falando claramente em espanhol, a garçonete não entendeu o que ele disse, mas um homem na mesa ao lado repetiu em francês o pedido dele. Em seguida se apresentou.
Miguel era um comerciante espanhol que visitava Paris com frequência. Ele tinha amigos e negócios por lá.
Os dois homens conversaram um pouco até que Juan disse o que estava fazendo lá. Explicou tudo que acontecera até ali em Paris, não deu uma palavra em relação aos dias e ao abandono em Cancún, apenas deixou claro que estava extremamente interessado em encontrar aquela misteriosa e maravilhosa mulher outra vez. Miguel pediu para ver o endereço e assim que colocou os olhos na anotação, as feições dele mudaram.
“- Você tem certeza que anotou corretamente o bairro?” Perguntou.
“Tenho sim” respondeu Juan sem hesitar.
O espanhol explico à Juan que ninguém queria levá-lo lá por que é a área mais perigosa da cidade.
“O bairro é praticamente murado, ninguém entra ninguém sai sem ser um morador ou ter autorização da polícia.” Disse Miguel.
Juan se espantou e imaginou que então Evelyn tivesse anotado o endereço errado ou na recepção alguém deve ter cometido algum erro na hora de fazer o cadastro dela no computador. Os dois homens se despediram e trocaram contatos, Miguel prometeu à Juan que ele poderia lhe telefonar depois de confirmar o endereço.