O destino nos aproxima de certos indivíduos e partir deles surgem novas experiências. Falo aqui de um camarada, chamado Henrique, que esbarrou em minhas andanças há alguns meses. Sujeito pacato, dono de princípios inabaláveis e ao meu ver propagador da justiça. Não falo aqui da punição, mas sim do Karma ou destino.

Estava viajando com Carlos, meu irmão lobisomem, no que posso chamar de um passeio amistoso em terras distantes. Quando surgiu a figura de Henrique. Esguio, parcialmente calvo, pele escura… Típico sujeito na faixa dos 45, nenhum exemplo de beleza e que ainda por cima tem problemas de comunicação. As vezes dá muita vontade de dar aquele tapinha amistoso nas costas dele: “Desembucha logo, cara!”

Apesar disso, nossa convivência ao longo de uma semana me gerou um insight crucial, que me fez rever alguns processos internos…

– E ai como andam as coisas? – Carlos puxou papo.

– Tô numa pensãozinha te falei? Deixei os meninos com a patroa no nosso apê e cai na vida…

– Nossa, que triste! Achei que tinham se acertado depois dos últimos rolos…

– Nada, não rola bater em pedra, cansei cara! A vida segue…

O silêncio surgiu e ficou entre nós. Fui obrigado a fazer uma piadinha:

– Já ouviu falar de amor livre? Aproveita o momento e pega todas, vai te fazer bem!

Carlos me olhou com reprovação e o desconfortável silêncio imperou por mais alguns instantes até que Henrique se manifestou:

– Eu queria estar lá com eles, na verdade…

O sentimento de tristeza era inerente e por mais que eu quisesse animar aquela conversa, as recordações já haviam inundado seus pensamentos e o jeito foi focar no motivo da visita.

– Bom, anseio que vocês encontrem o melhor caminho… Sobre aquela peça, que falamos por e-mail, está com ela por aqui?

– Claro, sim… sim. Só um instante!

Carlos me olhou de forma séria. Não entendi se me reprovava ainda, fato é que Henrique voltou rapidamente com a peça e tratamos de ir para o próximo destino. Na saída o anfitrião abriu a porta e havia muito lixo por lá, provavelmente resultado de algum vento mais forte que trouxe tudo a sua porta.

– Não entendo como existe ge-gente, ta-tão… porca! Cu-custa jogar tudo nas la-latas lixos!? Eles não entendem que-que isso tu-tudo volta na fo-forma de enchente!

Pode parecer exagero da minha parte, mas aquele momento me fez rever todas as vezes que joguei um cigarro ou papel de chiclete ao vento…

Próximo caminho, a tribo do Carlos. No qual vim escrevendo esse post e me remoendo entre pensamentos sobre justiça, destino e a forma como eu aplico tais conceitos nos caminhos que percorro.