Depois que descobri na sexta que dois seres haviam sido responsáveis pela morte do meu irmão Zé eu vago sozinho pelas noites em busca de pistas que me levem aos culpados. Como são seres “especiais” é sempre mais difícil encontrar pistas, no entanto, as buscas sempre começam no mesmo lugar: A cena do crime.

Voltei pela terceira vez ao local onde o Zé foi morto, era um apartamento em um bairro simples de periferia. Na sala um sofá simples com alguns aranhões e de frente para uma tv antiga. Na modesta cozinha havia alguns poucos utensílios domésticos e uma caixa de pizza vazia sobre a pia. A geladeira ainda estava ligada e guardava o que parecia ser os restos de um pouco de sangue em uma garrafa pet de 2 litros. Já no quarto que ele foi morto o cheiro estava forte, todo aquele sangue que havia ao chão perto de suas cinzas já havia coagulado e era consumido por alguns insetos. A cama, o criado mudo e o guarda roupas estavam estranhamente vazios e com algumas partes quebradas e aranhadas. No outro quarto nada além de alguns fios de tv a cabo e telefone pelo chão.

Já meio puto, resolvi ir ao último cômodo, o banheiro. Não havia box, apenas um vazo sanitário e uma pia sem armário. Estranhamente era o local mais limpo do ap, fato que de início não me chamou muita atenção. Desolado por não achar nada me sentei então ao chão, foi quando senti a presença de um ser vivo muito fraca e com aspectos sobrenaturais. Olhei detalhadamente em volta e ao me levantar deparei com uma tampa no teto entre aberta e também com alguns arranhões. Empurrei-a de leve, subi no vazo e à medida que colocava a cabeça para dentro eu sentia a presença ficando mais próxima. Antes que eu pudesse ver qualquer coisa, levo uma arranhada na bochecha e ouço aquele clássico “ashhhhshiiiiii” que os felinos fazem.

Felizmente era um velho conhecido: Oliver, um dos assistentes do Zé. Um velho gato vermelho e rabugento, mas amigo e de extrema importância para a solução do crime.

– Desculpe Galego, não ví que era você…

Ele continuou falando enquanto pulava do forro do teto e andava meio cambaleando em direção ao quarto do crime.

– Que bom que você voltou para cá, eu ainda estou me recuperando dos ferimentos. Antes que eu morresse junto do mestre ele me jogou longe e consegui me esconder por aqui. Foi tudo muito rápido… Cara não to bem…

O coitado se esforçou para me dizer algo, mas acabou desmaiando de fraqueza. Levei-o então para minha casa e aqui o deixei de repouso aos cuidados da Beth. Até lhe dei um pouco do meu sangue para que se recuperasse mais rápido, mas ainda estou esperando ele acordar.

Vocês não tem ideia de como fiquei feliz reencontra-lo, acho que finalmente vou descobrir quem foi o culpado por tudo isso.