Baile no Rio

Quando falo do Rio de Janeiro sempre vem a minha mente a primeira metrópole que conheci. Eu ainda era um vampiro novato quando cruzei tais terras pela primeira vez e aos olhos de alguém que na época possua apenas 26 anos, tudo me vislumbrou.

Em muitos locais já havia energia elétrica, os bondes levavam as pessoas para todos os lados como fazem os metrôs atualmente e todo aquele movimento me deixou tonto. O movimento de pessoas a noite era muito maior que na minha doce Desterro e isso gerou muitas oportunidades, principalmente para saciar minha fome de sangue.

Ficamos pouco em tais terras, apenas o tempo suficiente para que o navio que nos levaria para a Prússia aportasse por li. Apesar disso, voltei inúmeras vezes para a capital fluminense e como várias outras cidades pelo mundo a vi crescer e se modernizar.

Noites atrás passei por ali e a cidade foi inclusive palco de mais uma história. Estava eu numa das comunidades da cidade, entre uns chegados que me chamavam de “Gringo”. Nos preparávamos para um baile, quando fui apresentado aquela que apelidei de “Bombom”. Haja vista que ao nos conhecermos ela trazia consigo duas caixas de bombons, doces que mataram a larica da geral.

O papo sobre a pandemia foi o principal. Muitos estavam preocupados. Muitos debochavam que era apenas uma gripezinha e Bombom era do time dos afoitos, que apesar de estar entre muitos, usava máscara e tinha um tubinho de álcool em gel no sutiã. Eu, para me ambientar também estava de máscara e isso na verdade era ótimo, pois ajudava a esconder minhas presas, que diante as beldades que lá estavam, insistiam em se aflorar.

Muitos corpos a mostra, muito suor, muita música, bebidas para os humanos e tentações para um vampiro pseudo europeu como eu. O baile no qual fomos durou a noite e meus parsas se empolgaram e tive uma noite de rei. Aliás. Franz ficou puto, quando soube que eu fui pra lá e não o chamei…

Negócio é que a bebida faz os humanos saírem do normal e infelizmente na madrugada alguns brigaram, outros se xingaram… acho até que a briga foi por causa do uso de máscara, mas estava tão empolgado conversando com a Bombom, que relevei tudo de ruim que aconteceu até ali.

Ao longo daquela madrugada fiquei com ela e entre uns amassos e outros os papos avançaram. Vocês sabem que adoro um probleminha. Tipo, não consigo saber de coisas como maus-tratos e ficar na minha. Soube que Bombom teve um filho quando tinha 16 anos e que o ex dela batia na criança quase sempre. Se não bastasse o cara era envolvido com jogo bicho e isso deixava Bombom sempre aflita e preocupada com a sua segurança e com a do filho.

Acontece meus amigos, que eu estava no território deles. Um lugar com muitos olhos, smartphones e câmeras. Por mais que eu não quisesse fazer nada é sempre a confusão que vem até a mim (Matanza)… e lá pelas três da manhã apareceu o tal camarada junto de outros dois. Um chegou por trás e me deu uma paulada na cabeça, no chão eu fui chutado, pisoteado e pior não é isso. A Bombom também levou alguns sopapos do bando.

Confesso que eu queria liberar as presas, a fúria bestial que já me ajudou em tantas outras vezes, mas resolvi apelar para as pistolas que sempre estão nos coldres nas minhas costas… Alguns tiros para o alto e foi aquela correria desatada ao som de vai malandra da Anitta (essa música ainda ta na minha cabeça)

Minutos depois eu estava num beco, senti um pouco de sangue num dos braços e me afastei o máximo que pude do baile. Por onde eu andava, minha audição aguçada me mostrava os comentários de desaprovação feitos pelos locais e foi assim até que em meio a mata eu me transformei em morcego e voei de volta para o meu hotel.

Fiquei com pena da Bombom, tentei contato com ela noites depois e nada, mas soube pelos continhos que ela estava bem, ao menos havia postado fotos de outro baile com umas amigas. O que fica disso tudo? Continuo achado o Rio uma cidade intrigante, da mesma forma que admiro os movimentos de São Paulo, Nova Iorque, Berlin… No fundo o vampiro aqui que é deslocado em todos esses lugares…

12 Comentários

Jurava q no meio dessa festa a Polícia ia aparecer kkkk, agora entendo o pq o “Senhor” Ferdinand desapareceu!

Espero q essa Bombom esteja bem e longe desse traste!

Hmm ei!!! Será que você poderia me dizer que tipos de criaturas existem?? Tem um adolescente que conheço… E confesso que desconfio que ele seja algo

Ferdinand, responde nós aqui 🌹
Fiquei curiosa com o comentário do (a) amigo (a) 👆
Que q. o adolescente faz que te deixa
” desconfiado” dele?
Volto na madrugada pra conferir respostas
Já ansiosa. Abs pessoal

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