De quando quase virei pó

Naquele tempo o mundo começou a girar de uma forma diferente, a ascenção dos veículos distanciou os pobres dos ricos. As antigas luminárias a óleo deram lugar aos postes com lâmpadas elétricas e a confortável escuridão noturna fez surgir aquele clima Noir, onde já era possível identificar quase todo mundo que cruzava seu caminho sem precisar forçar a vista.

Nem preciso dizer que isso afastou muitos vampiros das ruas e dificultou nossas empreitadas atrás de sangue humano. Então é necessário dizer que muitos de nós foram para as periferias e para o interior. Onde as tecnologias sempre demoram mais para chegar.

Eu permaneci próximo dos meus negócios e isso me fez pagar um preço caríssimo. Ainda mais quando numa noite qualquer eu fui emboscado por um grupo de caçadores. Era uma noite onde eu saí de madruga de uma das fábricas, estava com os pensamentos concentrados nas rotinas diárias e caminhava em direção ao carro parado nos fundos.

O frio daquela noite era incomum para época e os vidros estavam embaçados. Sem um sistema próprio para limpeza, eu passei meu próprio casaco e foi nesse instante que três brutamontes apareceram. Um deles jogou um líquido em mim, que de imediato me atordou, provavelmente uma água benta potente. Outro me colocou um saco escuro na cabeça e último me derrubou… Todos desceram o pau em mim até que apaguei.

Acordei com o carro em movimento, ainda estava com o saco na cabeça e me sacudi. Imediatamente, percebi que estava bem amarrado e que estava entre dois caras de sangue quente. Resmunguei e logo veio uma coronhada na cabeça que me atordoou e fiquei quieto, fingido desmaio.

Minutos mais tarde o carro parou, fui arrastado para dentro de um prédio e o pouco do chão de vi indicava um local afastado do centro. “Joga ele no porão” disse uma mulher. Na sequência fui levada para dentro de algum lugar e depois duas escadas fui largado no local que ela mandara.

Já estava lúcido e percebi que não estava sozinho. Junto comigo havia pelo menos mais dois seres de sangue frio, provavelmente vampiros também e me manifestei:

– Hey alguém sabe onde estamos?

– Fica quieto, sempre que alguém aqui fala eles vêm dar um pau na gente. – Disse um deles.

– Acho que estamos no porão de uma casa de campo. – Comentou o que perecia ser uma vampira.

– Tudo bem vou tentar algo aqui no chão, se der certo volto pra resgatar vocês. – Sussurrei.

Por sorte naquela época eram comuns os porões de terra batida, o que me permitiu o uso do meu poder de união com a terra. Concentrei-me e em pouco segundos estava naquele cantinho que por vezes me serviu de refúgio e abrigo. Movimentei-me e em seguida emergi há uma centena de metros de onde estava. O local parecia ser um campo aberto, próximo de uma pequena floresta, que foi onde me escondi e planejei os próximos passos.

Meu carro estava estacionado aos fundos da casa, o que indicava que possivelmente lá também estava o porão onde fui deixado. A madrugada fria afastava os humanos da rua e uma luz em um dos cômodos indicava a possível localização daqueles que ainda estavam acordados.

Sem armas, improvisei com alguns pedaços de madeira e andei rápido, porém sorrateiramente em direção ao meu carro. Chegando nele eu tinha a missão de girar algumas vezes a manivela na tentativa de que pegasse rápido ou atacar antes de ser atacado. Por mais que estive num local desconhecido e possivelmente diante de caçadores que possuíam água benta de verdade, eu fiz o mais adequado a meu ver e ataquei primeiro.

Bem na verdade eu me escondi e fiz barulho para que vissem ao meu encontro. Dois saíram de imediato. Com o primeiro eu usei a madeira que tinha em mão e abri sua testa, o sangue jorrou e aquilo excitou meus caninos que afloraram na hora. Com o segundo eu nem pensei e me atraquei em sua garganta. Consegui beber alguns goles enquanto ele se debatia e fiz isso até que senti de raspão um tiro de arma de fogo. Joguei-me praticamente ao chão próximo do carro e era uma mulher com espingarda.

Fiquei naquele cão e gato até que ela deu um próximo tiro que acertou um dos vidros do meu possante e precisou recarregar. Ela bem que tentou fechar a porta quando me aproximei e no enrosco caímos ao chão. Ela disse alguma coisa do tipo: “Sai de cima de mim em nome de…” acho que falou o nome de algum santo, mas foi oportunidade suficiente abocanhar sua pele fina e pôr em dia meu desjejum.

Tudo se encaminhava, mas ainda havia um terceiro elemento que estava dormindo e acordou com nossa briga. Ele bem que tentou, mas um vampiro alimentado vale mais que 4 homens numa briga e foi fácil colocá-lo para dormir novamente.

Com tudo resolvido desci no porão e libertei meus colegas da noite. Eram dois viajantes dos EUA, que haviam sido capturados em algum rolê turístico. Azar para mim e sorte para eles, como um deles disse. Mais azar ainda aqueles que nos atacaram e que viraram pó naquela noite

Dei-lhe uma carona para centro, onde trataram de programar seu retorno para a próxima noite. Eu voltei para a meu refúgio junto de Eleonor e Franz. Hoje essa história é vista como gozação por eles e para mim foi mais um dos momentos que me serviram de estímulo antes da hibernação. Se eu tivesse seguido naquele rumo certamente teria virado pó também.

15 Comentários

A pessoa tem que gostar muito de perder tempo, pra ter um site a mais de 10 anos e não colocar ao menos uma propaganda em cima de suas “estórias”. Sendo racional, a pessoa está mais perdendo do que ganhando. A troco de que?

As pessoas wue gastam dinheiro em videojogos que não sao nada baratos, ganham o que? Apenas diversão. Os leitores, incluindo eu, acho divertido e adoro as histórias do Fer. O blog do Fer é único, para que ele vai colocar publicidade? Este é o passatempo dele, não significa que tenha de ganhar dinheiro. Muitas pessoas pnsam em criar blogs a fim de ganhar dinheiro, nao conseguem e desistem porque nao amam o que fazem, como faz o Fer que ama escrever para nós.

Angélica, eu não estou criticando o fato de não ter propaganda, estou achando louvável e digno. Eu aprendi com a vida que aquele que cobra pra falar de algo sério e que acrescenta na vida das pessoas, na verdade não sabe nada. Mas aquele que faz de graça esse sim, sabe de tudo. (Esse blog acrescentou muito na minha forma de pensar e ainda sim eu nunca precisei pagar 1 real.)

Então assume que são apenas “estórias”? Na minha cabeça 99% das pessoas que falam de uma determinada”realidade diferente” por muito tempo sem cobrar nada, de fato contam histórias… Mas tem aquele 1% que tem outros motivos e talvez você seja parte dele. Mas é uma grande coincidência, porque muitas coisas que você fala, condiz com a realidade que pra mim é real.

Valeu Ale, acho que é um pouco de cada coisa do que disse, um pouco também do que a Angélica disse. Eu tenho sim um zilhão de intenções por trás dos meus posts, artigos, histórias e estórias…Além de outros projetos, alguns inclusive onde as pessoas me conhecem. Apesar disso, o que mais contribui para eu vir aqui por mais de uma década em anonimato é que isso me liberta saca, não tenho a pressão da aparência e o de ser ou não um vampiro me defende, apesar das críticas. É onde venho porque tenho leitores que me acompanham por esse tempo. É por estes (vocês) que continuo vindo aqui, gastando de certa forma o tempo em que poderia estar em outro lugar, inclusive ganhando algo com propaganda 😉

Oi, não tô querendo incomodar mas gostaria de saber se vc já ouviu falar em alguma lenda sobre a “rainha dos vampiros”..?

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