Depois que recebemos a liberação para andar por terras paulistas eu resolvi deixar a patroa num lugar tranquilo e voltar a minha realidade. Essa liberação feita pelo ancião paulista significa em outras palavras que posso caçar dentro do seu rebanho. Sim, por mais que eu pareça um cara legal, às vezes eu também chamo os humanos de rebanho, paciência, é a minha bestial falando mais alto.

Apesar de ter conseguido se alimentar de alguns animais durante a viagem, chega um momento em que é preciso beber sangue humano para recuperar alguns nutrientes importantes. Esse papo de nutrientes é algo meio esquisito, na verdade o que nos faz sentir tanta falta do sangue humano é a sua energia. Certa vez eu conversava com um velho vampiro que me disse que por vezes fez misturas entre os sangues humanos e de outros mamíferos. Nessas experiências ele constatou qeu o sangue de macacos possuía características próximas às humanas. A proporção de satisfação que o deixou tranquilo era 2 para 1 ou seja um vampiro que precisa de 4 litros de sangue humano para saciar sua sede, ficaria tranquilo se bebesse 8 de plasma símio. Eu e minhas curiosidades…

Enfim, sai então em busca de alimento, se fosse aparecer pra mim um macaco, boi, cachorro ou uma patricinha de botas rosa era indiferente, pois o que importava era por algum sangue para dentro antes que eu virasse o próprio demônio. Foram poucas as vezes que eu deixei isso acontecer e em todas deu merda e sobrevivi por alguma sorte que ainda tenho.

Andando pelas ruas da velha são Paulo é possível encontrar muitos alvos, tais como: trabalhadores voltando para casa, mendigos em suas camas improvisadas, bêbados segurando paredes, prostitutas mulheres e indefinidos, além de claro muita gente normal, pois a cidade não descansa.

Como sempre o meu foco são os marginais com intenções ruins e ao contrário do que muitos pensam não é tão fácil os achar. Quase sempre fico em algum lugar parado que seja potencial para este tipo de gente, aguardo alguns minutos e se não aparece ninguém vou a caça. A minha caça é baseada em alguns fatores como pessoas potencialmente perversas sozinhas com conduta suspeita ou pequenos grupos que exalam destruição por seus poros.

Desta vez como eu não conhecia muito bem a cidade então resolvi parar e perguntar para um policial, onde que eu não deveria trafegar com a moto, para evitar assaltos. E o bom policial me disse para evitar a marginal pinheiros próximo ao parque Novo mundo. Então lá fui eu para o bendito parque e servir de alvo para a bandidagem. Com uma moto importada como a minha eu seria uma presa fácil aos olhos desconhecidos.

Passei próximo ao parque e aparentemente não ví ninguém, voltei por outro lado e mais nada. O negócio foi literalmente parar e aguardar, só faltava eu pintar um algo no chão, mas tudo bem. Depois de uns quinze minutos de trafego constante e de algumas pessoas, param do meu lado duas motos, um com um sujeito sozinho e outra com dois caras, ambas motos pequenas dessas 125cc de motoboy. O carona da moto desce e me pergunta.

– Sozinho essa ahora ai amigo, algum problema?

Eu fiquei na minha tranquilo e resolvi entrar na dança deles:

– Sim, então pow véio to meio perdido preciso ir pro centro, sabe como eu chego?

No momento que eu termino de falar vejo que o cara que estava sozinho mexe em algo que estava abaixo do seu casaco e deixa a mostra um pedacinho de metal preto, mas relax eu ainda não tinha um motivo óbvio para acabar com a festa de alguém.

No entanto a festa estava prestes a mudar quando o “carinha” que havia descido continuou o seu papo:

– Então cara, gostei dessa sua moto e quero ela pra mm…

Essas palavras misturadas com a forma e a expressão que ele fez, foram o sinal que eu queria para poder agir.
Aguardei ele se aproximar para tentar fazer algo e no momentoi exato em que ele fosse agir eu me antecipei e pulei rapidamente em cima do outro que estava armado. Derrubei-o da moto e o deixei inconsciente com um gancho direto no queixo. O Outro que estava dando carona ao que me falou as besteira ligou a moto e saiu.

Apavorado, o valentão ue queria minha moto correu para o meio do parque. Um local semi-abandonado e muito escuro para os olhos humanos. Perfeito para saciar minha fome, deixando-o vivo, mas encostado dormindo próximo a uma árvore. Voltei então para a moto, peguei o celular do motoqueiro que estava no chão e chamei a polícia, para ajuda-los.

Nem consigo descrever a felicidade com voltei para casa naquele dia… ^^