As desilusões de um Vampiro.

Esta história foi traduzida através de um diário e será contada em partes. Quem o possui nos permitiu a exibição de tais acontecimentos escritos.

“Do plano invisível e em todos os tempos, os Espíritos abnegados acompanharam a Humanidade em seus dias de martírio e glorificação, lutando sempre pela paz e pelo bem de todas as criaturas.”

1608 – Florença – Itália

Faz um ano que as perdi. Um ano que não vejo o olhar alegre e inocente de minha pequena Giulia e o lindo sorriso de minha amada Genevive. A nossa casa está escura, silenciosa, vazia, assim como meu ser.

Florença não tem mais o antigo brilho, as festividades já não me agradam, o vinho não tem gosto e o pão não combina mais com o sabor do queijo. O sabor da vida me abandonou assim como minhas adoradas filha e esposa.

A podridão da cidade me agrada, é suja, doentia, podre, me perco em orgias sem cabimento, saio sem destino por uma cidade que aos meus olhos não tem mais luz. Assim como o declínio dos Medici e os sinais evidentes da decadência do governo de Florença, eu vivia a minha própria decadência.

Porque o Senhor Deus, todo misericordioso, tiraste o que havia de mais importante em minha vida? Não era hora, não era o momento, minha pequena não havia idade para falecer. Eu não estava preparado para perder o calor do corpo de Genevive, do toque suave de suas delicadas mãos. Qual tua misericórdia Deus? Leva-las assim? De que valeu tal desagrado a mim? Foi importante deixar que essa doença as levasse?

Não acredito mais em ti! As palavras do testamento não me fazem sentido…

Onde está o milagre? Onde está a vitória dos oprimidos? Eu não os vejo! Vejo mentiras, vejo um povo iludido, com a teoria da aclamada salvação divina.

A ironia tem sido minha companheira junto a mágoa. Quero morrer, mas a covardia do suicídio me segue. Não tenho a coragem, e a bebida não proporciona tal acontecimento. Que eu morra, que me matem, que tirem esse sofrimento, pois de mais nada vale viver.

1610 – Muralhas da Ordem

Fui transformado na existência do medo, aos meus quarenta e dois anos, me sinto no vigor de uma criança. Agora sou um ser das trevas, algo que Genevive sentia medo, apesar de nunca ter visto algum ser como eu em vida.

Esse lugar que agora estou é sombrio e aconchegante ao mesmo tempo, rodeado de seres das sombras. Estou apenas seis meses em treinamento, mas meu mestre insiste que eu possua algum dom diferente e devo seguir o treinamento emocional e espiritual mais profundo.

Essa transformação em vampiro foi puramente por pena, sinto que fui transformado para me libertar das amarras da depressão. Ao andar a noite me deparei com um ser obscuro, estava bêbado e completamente vazio depois de uma festa erótica de um lorde excêntrico. Eis que me veio esse ser da escuridão e me tirou dos laços da humanidade, sem pedir, sem pena, me levou ao outro lado da vida, um lado que antes eu temia e agora adoro mais que o sangue de uma inocente virgem.

Apenas espero que esse treino espiritual ofereça algo estupendo, duvido muito, mas devo dar a chance, afinal quem sou eu para duvidar de algo?

Agora vou me deitar e apreciar a escuridão do meu quarto e as lembranças boas que algum dia tive quando humano. As vezes acho que esse acontecimento na minha vida tenha sido algum tipo de maldição divina, e outras vezes penso o contrário, Deus em sua ironia me deu uma segunda chance, essa no qual muito estranha e controversa.

Att: Trevor W.S

Ferdinand W. di Vittore

Nascido em 1827, foi transformado em vampiro com 25 anos em 1852, enquanto ainda vivia na pequena cidade de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, Santa Catarina – Brasil.

Criou este site em 2008 com o objetivo de divulgar as ideias do seu clã, instituição fraternal em que ele, seu mestre e alguns amigos mais chegados pertencem. Além disso ele também publica aqui e no vampir.com.br histórias do seu cotidiano. Está quase sempre bem humorado e nos últimos anos possui um projeto chamado “Os escolhidos” em parceria com Hector. No qual eles “ajudam” a polícia e a sociedade na resolução de crimes hediondos.

Ferdinand também ocupa suas noites com a escrita e recentemente publicou um livro com suas memórias: https://my.w.tt/UiNb/gz325qd62s

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23 Resultados

  1. Ana Julia Petrova disse:

    Incrível história!! Fiquei com pena deste homem quando perdeu sua família! Mas parece que como o Travor disse, aconteceu uma “maldição divina” em sua vida, ou morte, que pode ser uma segunda chance!! Estou louca para ler e apreciar a próxima parte!!

  2. Erin disse:

    Boa noite!
    Interessante como ele retrata a perda da família, o amor fúnebre que o mesmo sentirá pelas amadas foi ao mesmo tempo a “salvação” da própria alma (Se é que ser transformado, seja uma benção ou algum tipo de maldição), será que só a dor transforma as pessoas nesses seres da escuridão? Enfim, continuarei acompanhando a história, de uma forma acho que essa será umas das mais peculiares por ele ser já um senhor e bem quisto pela família perdida, o modo de escrita do tal diário seja um tanto triste.
    Bom, esperar as próximas postagens.

    Atenciosamente,
    Erin.

  3. va.minsami disse:

    Muito boa a história!!!! Estou ansiosa para ler mais…

  4. Gabriela disse:

    Engraçado, quando cheguei ao meio dessa história me veio o

  5. Gabriela disse:

    Engraçado, quando cheguei ao meio dessa história me veio o Otto (Doutor) na cabeça, não sei pq, mas será que essa história não seria sobre a sua transformação ou eu estou viajando? Kkkk 🙂

    “… sangue de uma inocente virgem”

    • Ana Julia Petrova disse:

      Nossaaaaaaaa….. Agora que a parei para analisar e realmente vem o Otto (Doutor) na cabeça!! Muito bem lembrado Srt. Gabriela!

  6. (w) Lilian K. disse:

    Olá queridas! Boa noite! Então Gabi, essa história é sobre o Trevor querida! ^^ Beijinhos

    • Gabriela disse:

      Olá Lilian, eu sei que é sobre Trevor, mas é que realmente parecia com o Doutor rsrs, acabei me empolgando com esse fato e me esqueci de comentar sobre a história, mas deve ser realmente muito triste perder quem amamos, uma mãe, um pai ou uma filha, deve ser terrível, principalmente perder por essa doença horrorosa ( Peste negra), faz qualquer um perder o rumo e a vontade de viver, sendo castigo ou não, eu acredito que nada é por acaso, às vezes temos que deixar para trás algumas coisas ou pessoas que amamos, para podermos ter outras coisas, outras experiencias, mas somente quem passa por algo assim é capaz de entender.

  7. Deusa do Caos disse:

    Trevor parecia bem desesperado no primeiro trecho, e muito amargurado no Segundo,gostei bastante,quero logo ler a segunda parte.

  8. Kerol disse:

    Gostei da história, espero que continue logo. O lado sombrio e vazio da vida ou “não vida” me deixa curiosa e cheia de dúvidas. É sempre bom saber mais sobre o que um vampiro viveu. Até breve!

  9. Akashiya San disse:

    Muito bom, tocante realmente.
    Os relatos chegam a doer em quem ler. :/
    Parece até algo escrito pelo Louis ><

  10. fhal disse:

    Wie geht’s schatz? Naja !!! Muito interressante, a dor e grande, da pra se sentir lendo o inicio dessa estoria. Acredito em reencarnacao e acho que….., bom depois de esses 4 seculos ele ja deve ter se recuperado do choque. Sei que ele deve se lembrar nitidamente ainda de sua familia e sei so quem passou por essa dor pode entender a sua depressao. Curiosa, poste maisssssss. Ainda bem que ele tem a lilian agora, isso ameniza um pouco essa dor que parece rasgar o peito e espedacar o coracao. Küss. Fhal

  11. Ana disse:

    Sei um pouco qual é o sentimento de perder uma pessoa que muito amamos, parece que não temos mais sentido de vida, que não estamos a fazer nada nesta terra, e também sei o que é quase perder alguém para a morte, mas não nos pudemos deixar abalar muito, pelo contrário temos de erguer a cabeça e seguir a vida, fazer as coisas que as pessoas que morreram queriam fazer, enfim… Temos de seguir com a vida em frente e pensar que pelo menos essas pessoas já não sofrem mais, estão em paz….

    • Ana Julia Petrova disse:

      Eu também sei!! Meu tio morreu de forma mais trágica!! O carro dele capotou e ele quebrou o pescoço! Meu avô morreu de infecção hospitalar e meu bisavô morreu de coração mas mesmo assim foram grandes perdas!! Mas acontece e a vida segue…

      • Ana disse:

        O meu tio morreu de acidente de carro também no estrangeiro e veio para Portugal, e o meu avô também morreu, e eram as melhores pessoas da minha família, claro agora também tenho outras partes da família muito próximas, mas eles eram eles… E o meu pai quase morreu, esteve entre a vida e a morte durante 1 semana… Felizmente agora está bem, mas a qualquer momento,pode morrer. :/

        • Rhu disse:

          Ana aproveite o máximo o tempo que ainda possuem juntos, perder um pai -ou mãe- não é fácil. Por experiência própria lhe digo ser uma das piores percas, contudo não havendo peso de consciência você será capaz de superar com mais tranquilidade.

  12. Leminskir disse:

    Gostei da história, espero que continue

  13. (w) Lilian K. disse:

    Realmente, perder alguém querido nunca é fácil. Mas temos que carregar sempre na nossa memória e em nosso coração os momentos bons que compartilhamos com aqueles que já se foram. Ajuda a diminuir a dor e trás ótimas lembranças. 🙂

  14. aki disse:

    Ei galego ou qual quer que seja o vampiro que postou isso, pode me add no face tenho algumas perguntas e n sei se seria bom fazê-las aqui :\

  15. Janielly Rodrigues Muniz disse:

    Olá Wampirs e simpatizantes!
    Come Back Wampirs! hahahaha
    Otimo trecho do diário de Trevor…
    Ferdinand não estou com disposição para ler tudo desde que tirei férias…. 😉
    Mas tenho um escrito que em breve te envio se ainda existir fanart :3
    Beijos.