Anos atrás no final de 2007 eu passeava com minha ex por Desterro, quando num momento inesperado, reencontrei Hector. Era para ser um simples passeio de barco pela ilha, mas para minha surpresa o velho pirata estava na mesma marina cuidando de seus negócios marítimos.

Logo que nos vimos foi aquele elegante papo de cavalheiros “Seu puto, não acredito que estou te vendo por aqui…” Situação que trouxe as velhas histórias a tona e fizeram com que ele mesmo se oferecesse para ser nosso “capitão” num de seus barcos. Foi um passeio muito prazeroso no qual pude rever os detalhes do mar de minha ilha natal. Cousa que eu não fazia a mais de 50 anos.

Coincidências a parte o reencontro com Hector havia sido num momento muito importante, uma fase boa de reencontro pessoal, estabilidade amorosa e no qual eu procurava algo além de meus afazeres de clã. Pois convenhamos, ter uma vida eterna só de trabalho, nunca foi objetivo para nenhum vampiro…

Apesar das peculiaridades da história de Hector , vocês já devem ter percebido que somos muito parecidos. Família humana cheia de detalhes e segredos, mestres importantes na sociedade de sangue vampiresca, objetivos e funções parecidas no clã… Então, talvez por isso tenhamos nos tornado bons amigos.

Continuando, noites depois eu marquei uma reunião com Hector em uma casa que eu havia alugado. Sebastian e Eliot, cria de Hector, também nos acompanharam e surgia ali os primeiros passos de nosso novo projeto: “Os escolhidos”.

A ideia não é criativa, tão pouco original, mas com poderes sobrenaturais, dinheiro e tempo livre só tinhamos uma cousa a fazer: Virar super-heróis? Não, é muita exposição para alguém que não pode sair à luz do dia, precisa de sangue… No entanto, ajudar a resolver crimes nos pareceu ser um bom passatempo…

Esse rumo havia sido tomado depois que conheci o irmão de Beth, cara que já foi citado por aqui em vários momentos, no qual apelidei de “delegado”. Como a influência dele é relativamente interessante, seria uma base boa para nosso projeto.

Tendo então os planos traçados eu simplesmente juntei a fome com a vontade de comer. Aproveitei o final de ano com as famílias reunidas e marquei um encontro com todos. Naquela noite Hector usou seus poderes mentais e convenceu o delegado a ser nosso informante e lá mesmo reafirmamos nosso pacto de sangue. Aquele pacto no qual os vampiros bebem o sangue um do outro para criar uma espécie de contrato ou laço mais estreito. É algo bem complexo, mas de forma resumida vampiros com estes pactos têm obrigação de se ajudar acima de qualquer outra cousa.

O final de ano havia passado e já em fevereiro tivemos nossa primeira reunião no local escolhido para ser a sede dos escolhidos. Cada um de nós cinco havia ficado responsável por juntar determinados “brinquedos”. Computadores de alto desempenho, armas militares, veículos fortemente equipados com armas e blindagem, entre outros. Inclusive já tínhamos uma missão inicial, monitorar o tráfego de mulheres brasileiras para os EUA.

Todavia, o projeto teve de ficar de lado, pois em meio às investigações Hector e Eliot foram seguidos e uma de suas bases, aquela que guardava a cripta do velho Rafael Santiago sofrera um ataque. Esse é um grande problema no qual sempre enfrentamos por vezes o lugar escolhido para hibernação é atacado, às vezes algum terremoto ou desastre natural ocorre e as criptas precisam ser evacuadas…

Mas o projeto “os escolhidos” morreu, Ferdinand? Não mancebo, é disso que falarei agora, pois desde então estávamos envolvidos na escolha de novos locais para criptas e cheios de afazeres pessoais. Por vezes eu até tentei levar tudo sozinho e contei várias histórias por aqui, mas agora nos sobrou tempo para retomar tudo.

Por enquanto, como as histórias envolvem muitos detalhes,  elas serão divulgadas somente para um grupo seleto do site…