Sonhos com Suellen, dias inteiros de sono profundo… Eu não queria que meus pensamentos adquirissem novamente aquela paranoia, no qual enfrentei antes da hibernação. O que havia em tal livro, que despertavam em mim os pensamentos mais obscuros e ainda me fazia ver uma loira de Capuz parecida com minha amada???

Liguei para Sebastian e pedi para que ele fizesse algumas pesquisas com relação aos nomes e termos que havia encontrado no material. Falei com Joseph (Zé), que também achou o livro inusitado e resolveu ajudar. Além deles, também tentei contato com Kieran, mas nenhum de seus discípulos me retornou, aliás, é nesse tipo de situação que você percebe a importância dos contatos rs

Noites depois, acabei deixando o tal livro de lado. Veio o Natal seguido pela virada de ano e algum tempo se passou até que numa noite qualquer e antes do carnaval de 2007, Joseph me surgiu com novidades. – Lembra-se du livre que j’ai pediu informações? Tenho bonnes informations à ce sujet. (Esse sotaque engraçado que ele tinha é uma das cousas que mais sinto falta).

Nessa mesma noite ele me deu uma pasta de arquivos, nela além de diversos artigos impressos, havia também o que parecia ser o casco de uma árvore marrom escuro  e um saquinho de plástico transparente contendo um material arenoso e amarelado. Depois de olhar o material encontrei uma folha de instruções e lá estava o tal «Ritual de troca de posse do dono do livro»…

Ansioso que sou eu já queria fazer o tal ritual naquele mesmo instante, porém como precisava de um lugar aberto tive de esperar até a noite seguinte, que por coincidência era sexta-feira de carnaval. Além disso, Joseph estava com tempo e decidiu que iria ajudar no que fosse possível.

Preparamos os ingredientes : Uma toalha de algodão virgem, um punhal, a tal casca de Freixo, algumas gramas de enxofre ou breu e algumas velas. O local precisa ser próximo de alguma árvore e de preferência que esta fosse ao lado de água corrente. Não vou descrever o procedimento todo, mas depois que o altar foi montado e com as devidas entidades convocadas, eu precisei me cortar e derramar parte de meu sangue sobre a capa do livro.

Depois disso, misturamos o pó de enxofre ao sangue e embrulhamos tudo com o tecido. Dispersamos as entidades, desfizemos o círculo, limpamos o lugar, nos lavamos no riacho e voltamos para a casa da fazenda. O livro deveria ficar naquele pacote por 3 luas, ou seja, próximo de junho eu poderia abri-lo e ver se tinha dado certo. Este é um bom exemplo do por que de eu nunca ter me envolvido a fundo nas práticas ritualísticas, não tenho paciência para esperar tanto tempo, ainda mais com algo que pode nem dar certo.

Novamente em casa, Joseph me falou mais sobre o que havia descoberto sobre o livro e em específico sobre a Stregheria italiana e suas Janara Strega di Benevento. Um dos grupos de magia mais antigos e com raízes que remontam o século XIII. Contudo, pouco do que ele  descobriu possuía relevância, afinal este tipo de assunto é sempre repleto de muito  misticismo e lendas. Tanto que ao final da noite, eu já duvidava que o tal ritual de desapropriação do livro pudesse dar certo…

Histórias, dúvidas e bruxarias a parte e como era carnaval, resolvemos cair na festa. Longe da fazenda, longe dos lugares conhecidos… Franz, Joseph, Eleonor e até mesmo Sebastian estiveram ao meu lado nas comemorações. Sete dias de orgias e todas as safadezas vampirescas que tu podes imaginar, pois dentre vários fatores, fazia tempo que não conseguíamos juntar o clã para uma «festinha»…