Durante horas, fiquei ouvindo aquele homem falar e me interrogar. E impaciente, eu tentava respondê-lo sem entrar em muitos detalhes. Mas, percebi que deveria tomar cuidado, ele era meio… Manipulador. A cada pergunta seu rosto aproximava-se mais e, ao mesmo tempo em que me repugnava me fazia sentir uma atração estranha. Mal percebi o quanto as horas haviam passado. Na verdade não sabia identificar se era dia ou noite, além disso, a todo instante insistia em encher minha taça  com bebida, mesmo eu dizendo que não bebia. Comecei a me sentir tonta, então questionei:

– Tudo bem, o senhor parece disposto e me manter aqui. Mas, que fique bem claro que não estou com medo. Visto que não tenho outras opções, o senhor poderia ao menos me dar licença para retornar ao quarto na qual estou instalada?

O homem fitou-me por um tempo e com um sorriso cínico, disse parecendo estranhamente animado:

– Ah sim! Desculpe-me a indelicadeza senhorita. Deve estar cansada. Acredito que por hoje seja o suficiente. Tenha uma boa noite, e… Bons sonhos, pequena.

E levantando-se se retirou da sala. Calafrios. Sim, ele parecia provocar-me. Nada me fazia duvidar que ele fosse o causador de tudo. Mas o que queria comigo? Voltei ao quarto, cambaleando e me sentindo ridícula por causa da bebida. “Bons sonhos, pequena” repeti, lembrando sua voz, nem pude perceber como cheguei até a cama…

Um homem sentado em uma poltrona. Não, eu estava sentada em uma poltrona. Ao redor pessoas riam, gritavam e falavam. Levo a mão à cabeça, está sangrando. Tontura. Dores. “Aproxime-se, deve sentar-se aqui”.

Abro os olhos e em um sobressalto acordo assustada, continuo presa naquele lugar.