Problemas na matilha – Parte 2

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Vera iniciou os preparativos ao lado do totem. Um monumento que nos foi dado de presente, entalhado em madeira de carvalho e localizado centralmente em nosso assentamento. Vestida apenas com uma túnica, alguns colares e adereços nos cabelos. Ela circulava ao redro do totem com incensos enquanto dizia algumas palavras ritualísticas.

Aguardei numa cadeira em certo local que não a atrapalha-se e aproveitei para beber um pouco de café, meu fiel companheiro em noites como aquelas. Na verdade, de todos os momentos, ultimamente. Depois de uns minutos Isaias também se sentou perto de mim e aproveitou para por o papo em dia:

–  A vera tá como quantos anos mesmo? Tá com corpão ainda ne?

– Te falar que não consigo ver ela dessa forma? Acho que pela convivência ela virou meio que paisagem pra mim. – Respondi desinteressado, enquanto dava mais um gole naquele café sem açúcar e quente.

– Ah para, olha aquelas coxas!

– Na, nada demais, Isaias…

– ôxe! Tá muito tempo sozinho meu velho. Sem falar que tu és o alfa, precisa tá mais ativo.

– Meu irmão (Ferdinand) falou a mesma coisa esses dias, mas tô bem assim… são tantos problemas pra resolver que nem tenho mais tempo pra mulheres. Mas ow, se achar que sou menos alfa por causa disso a gente pode disputar, tá afim?

– Tá mangando deu? Tô pra isso não, só comentei por comentar. Não tá mais aqui quem falou…

Depois de alguns minutos Vera se sentou. Olhou em volta me procurando e foi minha deixa para ir ao seu encontro. Sentei-me ao seu lado… Palavras… Cânticos… Sons que não podem ser escritos… Nevoeiro.

Mais uma vez adentrávamos por aqueles lugares cuja alma sente frio, no qual o movimento e visão são limitados e tudo passa mais devagar. Vagamos, vimos casas, carros… Uma cópia quase exata do mundo terrestre.

Chegamos a uma casa mais isolada na periferia de um centrinho, em seu interior havia movimento, ou pelo menos a sensação de que havia alguma presença. Entramos por uma porta de madeira muito bem esculpida, com desenhos tribais. No cômodo de entrada alguns cristais sobe uma mesa, alguns filtros de sonhos pendurados sobre uma poltrona e uma lareira, ardia fogo azul.

“Bem-vindos” – Nos disse uma voz, angelical e quase sussurrada vinda de todos os lados.

“Fiquem tranquilos em minha casa” – Neste momento algo começou a se formar na poltrona e em questão de segundos surgiu uma mulher morena, de aparência formosa, mas seu roso estava borrado, evidenciados apenas duas luzes azuis fortes onde deveriam estar seus olhos.

Vera deu um passo a frente e entregou uma de suas pulseiras para a entidade. Assim que pegou o artefato seus a luminosidade de seus olhos diminuiu por alguns segundos, deixando evidente seus traços indescritivelmente angelicais. Tão logo ela absorveu o artefato e seus olhos voltaram a iluminar fortemente o ambiente, ela se levantou e levitou até nós.

Perto de mim ela passou uma das mãos em meu rosto. O frio tomou conta de mim e antes de se tornar insuportável ela fez o mesmo em Vera. Em seguida ela se afastou perto da lareira e de lá nos falou telepaticamente: “A lican que vocês procuram está bem”. (pausa) “Ela não quer mais ficar entre vocês, apenas isso!”.

Vera consentiu e se dirigiu a porta. A segui, mas antes de sair a aparição se aproximou e segurou minha mão, levei um susto como se algo a queimasse. Em seguida ela desapareceu, tudo ao nosso redor escureceu. Abri os olhos. Estava em nosso acampamento. Em minha mão havia dois “W” desenhados lado a lado.

7 Comentários

Nossa, que loucura, então a menina sumiu por conta própria, pensei em retaliação vingança ou coisa parecida, mas que bom que ela está bem, esses dois w que apareceram, são de wampir e wairwullf acho que é assim que escreve…rsrs será que isso quis dizer algo? Como sempre Fer suas histórias/ estórias estão incríveis.

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