Em 1499 a Europa e em específico a Prússia Teutônica enfrentava o fim da era feudal. Uma época, aliás, com uma série de limitações de todos os tipos, principalmente as sociais. Onde ainda era muito evidente a participação da igreja católica com seus padres, bispos e afins governando tudo e todos junto dos reis e nobres.

Nesta época não existiam policiais tal qual hoje em dia, porém havia as famosas ordens, compostas em sua grande maioria pelos melhores guerreiros de determinada região e que faziam toda a segurança dos reinos junto de alguns soldados ou mercenários. No caso da Prússia a Ordem que controlava a região nesta época ficou conhecida como Deutscher Orden ou Ordem Teutónica. Esta ordem foi considerada uma das mais influentes da Europa e além dos melhores guerreiros, muitos nobres também a compunham em todos os seus anos de existência.

É de conhecimento público que alguns nobres pertencentes à família real prussiana, também fizeram parte Deutscher Orden e dentre eles pode-se destacar o jovem Maximilian Franz Henzollern. Franz participou desta ordem por cinco anos e dentre seus feitos consta o resgate de quatro padres que foram sequestrados e título de melhor atirador de bestas da região.

Franz era filho único e perdera seu pai aos 11 anos, fato que o fizera ir morar junto de sua mãe no imponente castelo dos Henzollern, propriedade de seu tio, o legendário Marques Henzollern, popular por suas festas e bacanais.  A Relação de Franz com seu tio era muito boa e eles viviam juntos. No entanto, apesar de ser um festeiro de mão cheia e possuidor de muitas riquezas o Marques era infértil, fato que o fez se aproximar ainda mais do jovem Franz e por consequência lhe desprendeu todo seu amor paterno.

O marques lhe ensinava tudo que sabia e o garoto que sempre fora muito esperto, recebia tudo como um bom aprendiz. No entanto, essa relação durou aproximadamente oito anos e foi interrompida bruscamente por um câncer maligno que debilitou fortemente o Marques. Deixando-o nesta situação deplorável por longos três anos.

O último desejo do Marques foi que Franz recebesse seu título e levasse o nome dos Henzollern à diante. Nesta época com 22 anos Franz estava no auge de seus atributos físicos, possuía vasto conhecimento em batalhas, bem como táticas militares, aceitou de bom grado o presente que seu tio lhe dera. Dizem às lendas que o primeiro ato do novo Marques foi fazer uma festa em homenagem à memória de seu falecido tio e esta durou três dias e noites ininterruptas.

Apesar de manter os padrões festivos de seu falecido tio, Franz sempre fora uma pessoa nobre e digna, respeitado por todos que o conheciam. Fato que lhe rendeu um convite para participar da Deutscher Orden. Enquanto fez parte da ordem, Franz aprimorou seus conhecimentos e fez parcerias interessantes que inclusive garantiram a paz naquelas terras por pelo menos duas décadas.

Tanta visibilidade atraíram as atenções para o Jovem Marques e cinco anos depois de assumir o título de seu tio, ele recebeu uma visita que mudaria sua vida para sempre. Ao anoitecer de um dia normal, um mensageiro montado em um cavalo preto e com feições que lhe garantiam vários anos de vida, trouxe um convite selado e que só poderia ser entregue às mãos de Franz.

Os guardiões do castelo estranharam a visita, porém como o mensageiro possuía boas vestimentas e um linguajar muito culto sua entrada foi permitida. Acompanhado de dois dos melhores soldados o estranho foi levado a uma das salas do castelo e lá aguardou até que o jovem Marques estivesse disposto a atendê-lo. Como Franz sempre fora muito receptivo ele não deixou que o visitante aguardasse muito e foi ao seu encontro.

Lá chegando ele se deparou com um homem velho, de cabelos muito brancos e que mexia em seu bigode de uma forma muito peculiar e ao ver o jovem ele tratou de se apresentar:

– Muito prazer senhor Marques, me chamo Georg e vim lhe trazer um convite para uma recepção que o Barão Wulffdert fará em seu castelo no próximo sábado a noite.

Franz já havia ouvido alguns boatos sobre o tal barão e suas habilidades de guerra noturna e isso o motivou a aceitar de bom grado o convite que o desconhecido o fizera. Como forma de agradecimento eu pegou uma moeda de ouro em seu bolso e ofereceu ao mensageiro, que ao aceitar apertou com força a mão de Franz e lhe disse olhando em seus olhos:

– Obrigado senhor Marques, levarei minhas boas impressões sobre sua pessoa ao Barão.

O jovem Marques achou tal abordagem um pouco diferente, pois aquele homem lhe transmitia uma confiança diferente, algo quase mágico, que lhe deixava a vontade como se o conhecesse a muito tempo.

Apesar de tal sentimento Franz se despediu rapidamente e voltou para seus aposentos. Durante a semana que passou ele não conseguia tirar o olhar do mensageiro de sua memória e o que lhe deixou mais confuso foi o fato de que o Barão também se chamava Georg. Seria o próprio Barão que viera ter com ele? E depois de tantas dúvidas e poucas respostas ele e alguns outros nobres de seu cortejo se dirigiram em comitiva para o tal castelo Wulffdert.

Ao chegarem no alto do monte em que o castelo Wulffdert se localizava, Franz percebeu que aquela energia de boas vindas emanada pelo mensageiro também estava presente no lugar e apesar de sentir-se ressabiado com tal sentimento, ele apenas desceu e foi em direção à recepção. A porta do lugar estava o tal Georg junto de alguns serviçais, que ao ver Franz dirigiu-se imediatamente à sua pessoa.

– Boa noite senhor Marques, o Barão o aguarda em seus aposentos e informou que os seus serviçais prepararam uma bela recepção aos membros de seu cortejo.

Junto de Franz havia pouco mais de cinco nobres e amigos íntimos de Franz e pelo menos um dúzia de seu melhores soldados. Todos incluindo os soldados foram recepcionados com muito vinho e quitutes, enquanto o mensageiro levou Franz para uma sala de reuniões. Ao entrarem a porta foi fechada por fora e então ambos iniciaram uma conversa de poucas palavras.

– Acredito que estejas curioso para saber mais sobre o convite não senhor Marques? Pois bem, primeiramente peço desculpas por omitir a minha real identidade, muito prazer sou Georg Heindrich von Wulffdert. Conforme seu semblante e pensamentos me dizem tu já desconfiavas disto e fico feliz por tal raciocínio rápido.

Franz estava até então apenas observando e ao ser informado de tal revelação desprendeu algumas dúvidas:

– Não entendi o motivo de tal teatro meu senhor, porém se o fazes deves ter um bom motivo e gostaria de ser informado se for de bom grado.

– Meu jovem, hoje eu irei te propor algo, pois acredito ter achado alguém de sague puro tal qual o meu. Certamente não tenho como resumir tudo o que tenho a te propor em apenas uma noite, todavia queria que viestes treinar comigo por algumas noites o que achas?

– Meu senhor, sei que és tido como um dos melhor guerreiros noturnos que existe na atualidade e este convite me encanta muito. Porém por que o fazes e o que queres de mim?

– Acalma-te jovem, tudo há seu tempo. Percebo que a batalha é algo que inflama tua circulação e aumenta as batidas de teu coração, porém o que posso lhe dizer por hoje é isso. Queres aproveitar a recepção juntos dos teus? Venha vamos para o salão de festas.

E mais uma vez sem conseguir recursar, Franz sucedeu as falácias do tal velho e o acompanhou de bom grado até o festim. Chegando ao local, deparou-se com quase todos embriagados e seminus em meio a várias mulheres bonitas e como todo nobre da época, puxou uma das mulheres para si e deu boa noite a todos beijando na boca a inofensiva jovem de cabelos dourados.

Algumas horas depois Franz acabou sucumbindo a bebida e não percebeu que estava sendo carregado por Georg para o jardim de seu castelo. Lá chegando ele foi deixado em meio a um círculo que continha o desenho de um pentagrama algumas velas e algumas ervas. Minutos mais tarde Georg iniciou a transformação de Franz, que não havia tido escolha e fora transformado no que muitos apelidaram de sanguessuga ou vampiro.

A transição do jovem em tal ser durou mais pouco menos de uma semana, nesse período  o seu cortejo havia sido mandado de volta para o castelo, mediante uma grande lavagem cerebral feita por Georg e depois de algumas semanas Franz era dado como desaparecido. Várias buscas foram feitas, muitas especulações e lendas surgiram diante tal sumiço e inclusive o próprio Barão e seu castelo foram palco de investigações. Porém Franz havia sumido completamente de sua sociedade, em certos momentos até a contra gosto, todavia com o passar dos anos ele assumiu com gosto sua nova não vida.