Passei o dia entre sonhos loucos, as pernas magrelas da Lilian e barulhos de todo o tipo. Ouvi o padrão convocar os fiéis para missa das 7:30. O caminhão de gás tinha uma musiquinha estúpida, diferente dá clássica que se ouve em outros lugares do Brasil. Muitos tratores, caminhões e carros passaram próximos a nós e tantos foram os transeuntes com os assuntos mais diversos.

Inclusive a audição especial nos permitiu perceber que alguns da cidade já sabiam de nossa estadia. O recepcionista noturno saiu do trabalho de manhã e já foi fofocar numa mercearia da cidade.

Minutos depois do pôr do sol Pepe me ligou e confirmou que o telefone de Sebastian ainda estava no mesmo local. Então sem mais delongas Franz fez o paranaue mental na caipirinha, nos aprontamos e partimos a pé.

Obviamente chamamos muita atenção por onde passávamos, apesar disso, muitos acreditaram que éramos “atores da capital”.

O lugar demarcado no mapa indicava uma pequena propriedade rural. Pertencente há uma família antiga na região, que descende de escravos e italianos. Alguns cachorros ecoaram quando perceberam nossa presença e instantes depois as luzes da casa principal se apagaram.

Percebi que Franz estava tirando sua roupa…

  • Vamos acabar logo com isso. – disse ele enquanto se transformava em sua forma meio homem meio lobo.

Tomei o mesmo caminho, deixando as roupas de lado, enquanto invocava e permitia que o mais louco dos demônios tomasse conta de minha carne.

Lilian virou de costas e acendeu um cigarro dizendo:

  • Enquanto vocês viram os pets fofinhos que são, eu vou fumar aqui e esperar até alguém colocar o focinho no meu pescoço e avisar que é hora de partir…

Estava tão concentrado que não dei bola para o que ela disse. Franz terminou a transformação antes e saiu correndo… fiz o mesmo.