Espirito: uma saga – pt1

Tempos atrás eu estava com o Carlos, meu irmão Lobisomem. O interessante desse papo é que em nossas andanças, rituais e experiências ao longo de 2020 e 2021 eu conheci um espírito inquieto. Seu nome é indizível em línguas humanas, mas o apelidei de Ari.

Digo que Ari é um espirito inquieto, pois ainda tem apego ao seu corpo humano e está há alguns passos da ascensão evolutiva. Tal ascensão pode ocorrer quando ele resolver o que deixou pendente em sua última passagem pelo plano terrestre ou quando realizar algo de valor para outros seres.

Conheci Ari em umas das seções em que Carlos e seus chegados nos levaram até o mundo Umbral. O Local onde alguns espíritos circulam, geralmente em busca de penitência ou por estarem perdidas. Tais almas podem ser pacíficas, agressivas ou estarem num estado parecido com uma espécie de paralisia. Estas últimas geralmente ficam nesse estado quando ainda não aprenderam como se movimentar no Umbral ou por se esquecerem que ainda existem depois de longos anos e séculos em tal ambiente.

Ari também pode por alguns segundos influenciar o mundo terreno, nos famosos assobios, brisas que movimentam cortinas, objetos derrubados ao chão ou na forma de sombras rápidas que por vezes assustam as pessoas na penumbra do luar. Além disso, alguns sensitivos podem receber seus espíritos e lhes permitem a possessão de seus corpos por alguns instantes.

Onde quero chegar com tal espírito?

Pois bem noites atrás eu estava circulando por um lugar de gosto duvidoso, estava atrás de alimento e quando estava atracado em um pescoço delicioso, apareceu alguém do meu lado. Este alguém estava possuído por Ari, que gentilmente tocou em meu ombro e disse com a voz tranquila: “Acho algo neste lugar… Algo… quando passei aqui… Acho… Morri aqui… Falamos disso… Fer-di-nand!”.

Surpreso, parei o que estava fazendo e soltei aquele pescoço gentilmente ao chão. Ponderei por dois ou três segundos e me veio à mente o papo de outrora com o Ari que comentei acima. Soltei:

– Lugar ruim para se morrer meu amigo! Fui eu?

A pessoa possuída pelo espírito deu uma viradinha com a cabeça, dando a impressão que me observava e disse:

– Talvez! Ajuda?!

Peguei-me de forma tensa e pensativa à medida que a possessão terminava e alguém à minha frente voltava a si, como se acordasse de um sonho louco.

Desfeitos os desencontros, voltei para a estrada. No caminho mandei algumas mensagens e Carlos foi o primeiro a responder: “Karma, mano… Quem sabe alguns espíritos precisam ter algumas contas acertadas!”. Tal resposta me deixou meio puto de início, ponderei e minha humanidade falou mais alto. Chegando em casa tentei lembrar das mortes mais recentes ou daquelas que mais impactaram minha existência nos últimos anos.

Passei o resto da noite naquilo… Pepe tentou chamar minha atenção algumas vezes e não consegui dar bola… Fui atrás de dados sobre pessoas encontradas mortas no local onde eu estava.

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