Tag: sangue

  • Um bate-papo com o The Reaper

    Um bate-papo com o The Reaper

    Ferdinand segurava e admirava uma adaga de desenho simples, mas muito bem entalhada e afiadíssima, com pedrarias antigas de tamanho mediano. Ficou ali, um tempo concentrado até que enfim começou a rodar a lâmina pelos dedos. Arremessando certeiramente num pedaço maior de carne do corpo já falecido da minha última e em pedaços, vítima.

    – Vejo que tens andado ocupado cara. Muitos trabalhos Mr. Reaper?

    – Trabalhos, vítimas, pessoas e seres sobrenaturais afogados em rancor querendo a doce vingança ou apenas saciar a vontade de ver o sofrimento alheio. Escolha a definição que mais te agrada, mas digo que todas vão te levar para o mesmo caminho.

    Apesar de ter este trabalho e a forma fácil como me vem os ‘alimentos’, eu não preciso me alimentar com frequência, consigo ficar sem sangue por meses e mesmo assim não perco meu poder e não viro sapo também. Quando a necessidade de tomar sangue aparece eu estou geralmente trabalhando e assim aproveito para me alimentar e é o que devem saber. Só!

    – Alguns dos meus seguidores deixaram claro que tem medo de cruzar o teu caminho. Pedem a proteção divina para que isso não aconteça.

    Sim o vampiro não conseguiu conter a pequena risada e eu não consegui conter o fato de que a proteção divina que vocês humanos tanto pedem e anseiam vai chegar a cavalo e digo mais, a mesma vai chegar para aqueles que se mantiveram fiéis as então palavras claras do Deus, o ser divino tão aclamado em orações durante gerações por todos vocês crentes do Pai celestial. Mas não se engane você que ajoelha e pede sabedoria e proteção de um lado e com o veneno da língua traiçoeira, cospe maldades sobre o próximo. Eu posso garantir que só esse pequeno fato vai te fazer descer alguns andares e dar um abraço bem apertado em um cara de olhos vermelhos. Que tal começar a repensar melhor as tuas atitudes humanas deploráveis?

    – Mal sabem eles que cruzam com entidades em plena luz do dia. Talvez troquem até saudações e algumas palavras sem se dar conta, assim como alguns caem nos encantos noturnos e soturnos sedutores de seres como você Ferdinand, sem saber o destino que lhes aguarda.

    O vampiro sorriu sarcástico fumando um charuto Gurkha Black Dragon que apenas os mais ricos no mundo tem o prazer de se afogar em sua fumaça densa e atrativa, enquanto eu terminava de limpar meus instrumentos ensanguentados e brilhantes de que tanto tenho orgulho, em cima da minha mesa organizada de ‘cirurgia’.

    Ás vezes eu me esqueço que devo conter meu temperamento, afinal e apesar dos meus poderes, as entidades e vampiros são aliados desde uma era remota e no começo de tudo. Seres amaldiçoados e contratados pelo submundo devem manter a união, afinal no fim somos todos iguais e se você começar a conectar fatos e estudos sobre nós ao invés de fantasiar com uma noite trocando saliva e erotismo conosco, vais saber muito sobre religião, maldições, formações políticas e muitos detalhes para engrandecer sua sabedoria sobre algo além do óbvio.

    – Sabe Mr. tenho um trabalho para te oferecer…

    – Imaginei que não tivesse vindo até aqui para admirar minha beleza ruiva e meus olhos verdes.

    – Se fosse uma ruiva de olhos verdes talvez. Porém um cara ruivo não faz nem de longe o meu tipo, ainda mais alguém que consegue ficar cara a cara comigo sem precisar de um banquinho.

    Gosto da sagacidade sarcástica e honesta dele, digamos que alivia meu lado sombrio e malicioso que agora precisava de um cigarro forte e fedido para iniciar uma conversa de negócios.

    – Charutos não são sua praia Mr. ?

    – Charutos, vinho branco e romantismo não são a minha praia. Mas se me oferecer um bom e velho Malboro e quem sabe uma noite em algum puteiro digno com pedaços refinados de carne, ai já é outra história. Vais ter um companheiro para toda eternidade ou até o mundo acabar.

    – O Malboro eu posso oferecer, porém o puteiro refinado…

    Eu me esqueço que o vampiro possui uma companheira. Lembro-me do pouco que falou sobre sua vida amorosa e esqueço que é um ser que mantém compromissos fiéis até que se prove o contrário, apesar das tiradas sexuais e sarcásticas para aliviar a tensão.

    Dei alguns tragos e sem ao menos esperar vi que ele jogava em cima da velha mesa de centro uma foto antiga de alguém, um alguém que me era conhecido e que logo seria mais um desconhecido na história. Com as minhas mãos ainda machadas com um pouco do sangue do pobre desafortunado que agora parecia um quebra-cabeças sentado em uma cadeira, eu peguei a foto e vi que esse trabalho seria muito interessante.

    – E então?…

    – Sr. Wulffdert , acabou de me relembrar de como o mundo é pequeno.

    – O conhece e eu sei disso Mr. o cara fez umas atrocidades contra o mundo aqui e o mundo que vivemos…

    – Poupe as palavras senhor vampiro e me considere dentro. Apesar dos pesares eu também tenho minhas próprias batalhas para lutar e vinganças para saciar. Você apenas acabou de me relembrar de uma delas, assim como uma conhecida tua me relembrou e me ajudou em outra.

    – Como ela está?

    – Linda como sempre, sarcástica como sempre e buscando vingança contra alguns humanos curiosos. Mas isto é entre eu e ela. Desculpe te decepcionar.

    – Sem problemas Mr., conheço a sagacidade dentro dela e sei muito bem que vinganças levam a muitos lugares e sentimentos diferenciados. Como dizem? A vingança é um prato que se come frio…

    – Muito frio. Frio o suficiente para a mente humana esquecer e por fim tudo não passar de uma surpresa desagradável.

    Por uma dessas idiossincrasias do destino ou coincidências que ás vezes acontecem, Ferdinand e eu temos amizades em comum e para melhorar vamos atrás de alguém que fez alguma merda próxima ou na mesma esquina em que a gente e agora seria apagado, claro desfigurado e agonizado antes, mas por fim apagado. Mais um vai entrar para minha conta de almas levadas para povoar o abismo de fogo.

    – Planos?

    – Com todos meus séculos nesta Terra de ninguém, os planos são para mim, o maior e mais precioso instrumento. Não se preocupe Ferdinand eu possuo vários e garanto sucesso em todos.

    – Um brinde a nossa parceria?

    – Tenho A e AB guardados e agora tenho O negativo sentado naquela cadeira definhando. Qual prefere?
    – O negativo, sangue fresco sempre!

    – Sim claro, ao gosto do freguês. Eu também vou de O negativo fresco. Gosto das coisas frescas sabe, como sangue, carne, medo e agonia. Trazem um sabor refinado ao paladar.

    – Você é insano e eu gosto disso Mister Reaper!

    – A nós, seres malditos e insanos!

     

    Vejo vocês em breve.
    Ass: The Reaper

  • O mistério do lobisomem – pt5

    O mistério do lobisomem – pt5

    – Levanta logo Fê, o sol já se foi a tempos!

    – Ahh pega leve lobinha, ontem foi pesado.

    – Antes de ontem tu quer dizer né? Já passa da meia noite

    – Puta que pariu… Eu tô atrasado… marquei a às 22 com  Pepe e o Hadrian.

    Coloquei a primeira camiseta que vi pela frente, a mesma bota, calça e fui de moto. Cortei alguns sinais, peguei uns atalhos e lá estavam os dois no canto marcado da praça.

    -Poww Fê, três horas depois do combinado??? Assim não tenho como te defender. – Falou Pepe indignada.

    – Tô de férias, lembra? Mas desculpa meus queridos, trouxeram os ingredientes que faltavam?

    – Boa noite, tudo bem com você? Eu tô ótima, obrigado por perguntar, você é o legitimo cavalheiro, quando quer…

    – Tá com saudades filha ou é ciúmes?

    – Aff…

    Hadrian que até então não havia dito nada, me entregou uma bolsa de academia e disse:

    – Isso foi tudo o que encontramos. Tá bem difícil achar esse tipo de coisa hoje em dia.

    Conferi o interior da bolsa com cuidado e faltava algo muito importante…

    – E o sangue?

    Pepe interrompeu Hadrian…

    – Olha, tu sabe muito bem que não atacamos crianças, então sangue de virgem tá foda de achar!

    – Eu posso dar um jeito nisso se algumas regras puderem ser quebradas. – Ironizou Hadrian.

    – Relax man, eu dou um jeito. Tô devendo essa pra vocês, semana que vem voltamos as nossas atividades!

    Os olhos de Pepe vibraram com minhas palavras. Então, sem mais delongas me despedi e voltei para a casa de Claire.

    Consegui, quase tudo só preciso de um pouco de sangue.

    – Isso não deve ser problema para um vampiro? – Ironizou ela…

    – Não, o problema é achar um virgem que não seja criança.

    – Boa sorte, aliás com tantas câmeras, smartphones e gadgets. Deve ser difícil caçar nas cidades.

    – Sempre foi lobinha, por isso que os centros de doação tem se multiplicado… Aliás descobri um aqui perto, sabe a lavanderia do vizinho?

    – Não acredito, eles parecem tão normais!

    – Pois é…

    É lá fui eu com uma trouxa de roupas pra lavar em uma das mãos.

    – Tô precisando lavar algumas roupas com o “serviço especial” de vocês.

    A atendente me deu um ticket para as roupas e um cartão NFC. Depois apontou uma porta. Aproximei o cartão da fechadura, que se destravou e liberou minha passagem escada a baixo.

    Ambiente claustrofóbico, com paredes de tijolos a vista e iluminação com poucas lâmpadas incandescentes.

    Havia uma sala de estar com meia dúzia de pessoas lendo revistas velhas ou mexendo nos celulares. Aproximei e soltei:

    – Algum virgem?

    Dois caras gargalharam, uma garota estou uma bola de chiclete e os outros pareciam não ter ouvido. Tentei novamente com o tom de voz mais alto:

    – PODE SER UMA VIRGEM TAMBÉM!

    Os caras riram mais ainda e quando estava prestes a ir embora uma das garotas se levantou e foi pra cabine mais próxima. Ela devia ter uns 16 anos, usava fone de ouvido onde tocava algo eletrônico e tinha cara de  indiana. Entendi que se encaixava no perfil e fui atrás.

    – Seguinte eu tô aqui pela grana fácil do sangue, mas ando tão emputecida com a vida, que se o senhor pagar bem a gente negocia.

    – Relaxa eu te pago bem mas tô aqui pelo sangue. Só preciso saber se é virgem mesmo.

    – Sim, eu sou de uma família onde as moças precisam casar virgem… Tem algumas seringas descartáveis ali na bacia, ou prefere me morder? Só peço que não morda no pescoço, por favor.

    – Relaxa, pode ser com a seringa mesmo. Pago $1000 por 300ml.

    – Por 300ml eu quero $3000, sou virgem lembra?

    – Ok realmente tá difícil achar gente com teu perfil…

    Não conversamos sobre mais nada ao longo da Seção. Fiz o recolhimento, paguei e fui pra “casa”.

    – Super discretos na lavanderia – Comentei com Claire.

    – E conseguiu o que queria?

    – Sim, espero eu…

    – Antigamente devia ser muito fácil conseguir sangue, todos só rituais antigos usam. – Falou ela irritada.

    – Sim, sim. Sem falar que era fácil esconder corpos.

    – Nossa, que desapego com a humanidade.

    – Ah claro, falou a wairwulff que nunca comeu carne humana (risos)

    – Pior que nunca comi mesmo! – Disse ela com toda firmeza possível no tom de voz.

    – Não acredito, mas ok. Se quiser algumas receitas, peço para o Carlos mandar…

    – Idiota!!!

    Depois disso ela foi pentear macacos e tratei de me preparar para o ritual de purificação, que antecede o ritual principal.

  • Em busca da fé

    Em busca da fé

    Até onde você iria em busca da fé? Sempre que saio para me alimentar vou em busca de novidades. Não que eu seja exótico a ponto e querer uma vítima nova a cada refeição. Digo isso no sentido de que não gosto de me alimentar sempre de um mesmo tipo de indivíduo ou criatura.

    Certamente, quem me acompanha por aqui a mais tempo sabe da minha disposição ao sangue de meliantes e corruptos. No entanto, até mesmo deles eu me enjoo as vezes. Isso não precisaria de uma explicação mais profunda, haja vista minha existência eterna. Além de tudo no qual um ser vampírico como eu venha a sentir ou enfrentar.

    Delongas a parte, ontem foi um noite interessante daquelas em que o espírito aventureiro fala mais alto e eu resolvi enfrentar o centro de uma cidade. Os centros são muito peculiares e o que se iniciou numa simples ideia alimentar, me levou a novos experimentos.

    Sou geminiano, babe. Quem estuda os signos, sabe que sou um desbravador esotérico e isso me levou a uma igreja católica. Local que frequentei poucas vezes, mas que de alguma forma me atrai sempre que estou perto.

    Eu poderia ter ido a tantos bordéis, tantas ruas semi desertas ou parques escuros, mas preferi algo divino. Entre padres de fé discutível, beatas desesperadas e mendigos eu preferi me sentar ao lado de um cara aleatório.

    Aliança de casamento, uma foto de criança em mãos e de joelhos, ele suplicava para seu Deus por algum tipo de cura. Algo que certamente era requisitado a criança da foto é que provavelmente estava além da medicina humana. Fiquei impressionado com suas súplicas e lágrimas. Tanto que o deixei terminar e me dirigi com boas intenções:

    • Tudo bem com a tua menina?
    • Minha sobrinha… Hoje ela está hospitalizada, mas Deus vai ajudar ela. Tenho muita fé nisso.
    • Desculpa a intromissão, mas estava acompanhando tuas preces. Ela está doente?
    • Pois é sempre venho aqui pedir ajuda pra Deus… ela foi hospitalizada depois de um acidente com o carro da minha irmã… (concentração e suspiros fortes) Eles bateram no carro dela. Ela morreu e minha sobrinha tá em estado grave no hospital.

    Coloquei minha mão esquerda sobre o ombro dele e mencionei:

    • Meus pêsames…

    Ele baixou a cabeça, levantou uma das mãos na direção da estátua de Jesus crucificado e falou alto, interrompendo inclusive a concentração dos outros:

    • A justiça divina virá sobre nós e aqueles bêbados vão pagar por isso…

    Em seguida ele praticamente me ignorou, ficou de joelhos novamente e começou a chorar desenfreadamente. Decidi que era um momento muito pessoal, deis dois tapinhas nas costas dele e fui embora do lugar. Subi em minha moto que estava parada logo a frente do templo e circulei sem rumo pelas ruas geladas e escuras daquele centro.

    Parei algumas quadras a diante. aonde algumas pessoas faziam uma fila simples próximas de uma porta. Acima da porta havia um luminoso, que me chamou a atenção a ponto de estacionar. No letreiro estava escrito “Santa Rita” e ao que tudo indicava era alguma balada qualquer.

    Aquela história contada pelo homem na igreja, com toda sua fé havia me impressionado de uma forma diferente. inclusive dentro do lugar eu me sentei num balcão e fiquei filosofando sozinho por um instante até que algumas garotas chamaram minha atenção. Inclusive sai com uma delas de lá. Apesar disso, não me alimentei dela. Fiz meu desjejum com dois bêbados no banheiro. Caras que provavelmente vão acordar com a mesma dor de cabeça de sempre, mas que serviram para alimentar aliviar minha fome de sangue, vingança e fé.

  • Capítulo 4 do livro Ilha da Magia

    Capítulo 4 do livro Ilha da Magia

    Todo mês eu penso no que vou lhes falar sobre o capítulo que estou entregando. Afinal, são momento de minha vida/morte jogados a todos os ventos e isso sempre me emociona. Não me emociona no sentido de chorar num canto feito uma menininha birrenta, mas sim no sentido de que me vem a mente cada parte do que vocês estão prestes a ler.

    O conteúdo a seguir contém “spoilers”, não prossiga caso não tenha lido as outras partes.

    Nesse capítulo nós ainda estávamos na velha Desterro, passaram-se semanas desde a minha transformação e tive minha primeira alimentação. No qual pela primeira vez tive a vida de um humano em minhas mãos . Além disso, recebi notícias de Helga e sua carta bagunçou mais uma vez minhas ideias já deturpadas sobre o mundo e momento no qual estava.

    A partir desde capítulo eu agilizei um pouco mais as falas, conversas e relatos. Espero que gostem da leitura!

    Ir para a página do livro Ilha da Magia

    Fazer download do capítulo 4 em pdf

    Küss,
    Ferdinand

  • Eu prefiro sangue do pescoço e tu?

    Eu prefiro sangue do pescoço e tu?

    Sim e sim estive em milhares de projetos Brasil à fora e ontem, antes de partir de uma das maiores cidades deste belo e caloroso país. Dei-me a liberdade de gravar um VampiroCast antes de embarcar. Estive numa reunião de clã e dentre os assuntos conversados, discutimos sobre a questão dos bancos de sangue e de onde vem principal nutrição dentre as alimentações dos membros de meu clã.

    Como sabeis, sou responsável pela ordem e disciplina entre os membros e é importante revisar as práticas mais comuns, mesmo que isso ainda pareça piada para alguns…

    Tu meu nobre e atencioso leitor e ouvinte, se lhe fosse permitido beber sangue humano, onde morderias?

  • Sangue frio – Pt5

    Sangue frio – Pt5

    Conteúdo impróprio para menores de 16 anos: Sexo, drogas e rock ‘n roll

    Deixei meu corpo gélido e pálido relaxar na água quente daquela banheira com sais e aromas. Fechei os olhos que queimavam como fogo e refleti por alguns instantes. De onde eu estava, conseguia ouvi-lo caminhando vagarosamente de um lado a outro no andar de baixo, enquanto balançava o gelo em seu copo com whisky.  Em certo momento, ouvi que subia as escadas. Tão logo estava escorado na porta do banheiro, me olhando. As lembranças do que haviam acontecido horas atrás perturbavam minha mente e eu não podia evitar a sensação que despertavam em mim. Tentei disfarçar. Juro.

    – O que foi? – Questionei logo que senti sua presença.

    – Não consigo ficar lá embaixo, sabendo que tu estás aqui nessas condições… E além disso, me surpreendeu muito essa noite.

    – É mesmo? Que bom… E, quanto ao “nessas condições” podemos resolver o seu problema, também estou precisando me divertir um pouco. – Falei sarcástica…

    Algumas horas atrás…

    Por incrível que pareça, eu gostava do jeito de Hector e sabia que aprenderia muito com ele. Naquela noite chuvosa, saímos com o carro. Era hora de agirmos, pois nossa vítima já estava capturada. Era hora da diversão! Ao chegarmos ao local que havíamos preparado, não pude deixar de notar que parecia mais úmido e sombrio. O ambiente estava carregado com uma energia maligna, porém, tentadora que, instigava meu demônio. Entramos e só o som da porta pareceu assustar aquele ser esguio e apavorado. Hector fez a frente, cheio de atitude, rindo daqueles olhos arregalados que nos observavam. Como ele ficava sexy daquele jeito. Eu entrei imponente, controlando minha raiva daquele ser. Hector sentou em uma mesa que havia logo a frente de onde nosso brinquedinho estava amarrado. Acompanhando- o sentei na cadeira, e posicionei minhas pernas em cima da mesa com os pés nas pernas de Hector. Ficamos ali por alguns instantes encarando aquele verme, deixando-o mais apavorado ainda com nossas expressões.

    – O que querem de mim!! – Grita agitado.

    – Não adianta gritar. Não somos surdos e ninguém em um raio de 20 km irá ouvi-lo aqui. – Fala Hector erguendo a sobrancelha, irônico.

    Levanto-me. Vou até o Mini System. Coloco um pen drive. Deixo a música tocar. Pego algumas folhas com as fotos que confiscamos do computador daquele imundo e as espalho ao seu redor em inúmeras cópias. Hector que observava curioso e ao mesmo tempo divertindo-se, disse:

    – Rebecca, por que não mostra do que é capaz? Quero ver suas habilidades! Já que estamos aprendendo tanto um com o outro, não é mesmo? Vamos! Fique a vontade, ele é todo seu. Satisfar-me-ei, por ora, observando-a. Além disso, ele já me parece recuperado da surra que lhe dei mais cedo. – Fala cruzando os braços.

    Concordando puxei a cadeira mais para perto.  Caminhei ao redor daquele ser, sentindo sua aura espiritual e em seguida, sentei-me bem a sua frente, deixando Hector ver tudo. Precisei controlar-me para não arrancar sua cabeça. Encarei-o.

    – Olhe para mim Filho da Puta! Agora! – Sim, eu falo palavrão quando estou com raiva.

    Confesso que minhas habilidades ainda são primárias, mas eu tenho potencial, sei bem disso. E no momento em que minha mente começou agir sobre a dele, pude ver o quanto meu dom de manipulação já era forte. Em minhas mãos, vesti uma espécie de próteses de garras afiadíssimas banhadas em ouro. Era um instrumento de tortura que eu havia adorado.  Cravei- as no rosto daquele infeliz e deixei-o em meio a algumas alucinações. Em sua mente, criancinhas meigas se tornavam seus piores demônios, ao mesmo tempo em que o fazia sentir como se seu corpo ardesse em chamas. Seus olhos reviravam expelindo gritos de dor e desespero. Minha mente o feria fazendo cada nervo retorcer e sua pele suar frio, até que feri com as próteses os seus genitais, fazendo o urinar e defecar ali mesmo, envolto ao sangue dos cortes calculadamente bem feitos. Mas, eu ainda queria mais. Lambendo os dedos, lhe dei sangue suficiente para se recuperar, até suas vertigens passarem. Olhei para Hector, que imaginou minhas intenções. Caminhei até ele que no momento parecia triunfante e excitado com a cena que acabava de presenciar. Continuava sentado na mesa, de maneira despojada. Puxei-o pela camisa brincando. Hector envolve as mãos em minha cintura, nos beijamos e então, começamos a rir.

    – Hey você! Olhe para cá. – Provoca Hector.

    Aquele pedaço de lixo ergue a cabeça lentamente, em meio às dores.

    – Você sabe o que é fuder uma mulher de verdade? Aliás, você sabe o que É FUDER de verdade?

    O obrigamos a nos ver jogados em cima daquela mesa. E confesso que foi uma experiência satisfatória. Hector violentamente rasgou meu vestido. Eu arranquei suas roupas e envolto a beijos e mordidas, bebíamos o sangue um do outro. Colocou-me sentada na ponta da mesa, e em pé de frente para mim, fez-me tocar seu sexo, movimentando- o em um vai e vem frenético, enquanto mordia a ponta dos meus seios, fazendo- me arrepiar. Nós nos divertíamos com a frustração e expressão de “Argh, pelo amor de deus” daquele pobre coitado. Senti a penetração de Hector com uma intensidade extraordinária, enquanto nos embalávamos no ritmo das músicas que tocavam. Estávamos em êxtase, fazendo as posições mais mirabolantes possíveis. Mas, infelizmente, nossa plateia estava aos trapos e seu corpo parecia morto. Decidimos que era hora de fazê-lo acordar. Acompanhando as instruções de Hector, o vampirata mais sádico e gostoso que já conheci, utilizamos bisturis, açoites e correntes para darmos uma bela surra naquele infeliz, arrancando e espalhando pedaços de sua carne por todo o chão, enquanto bebíamos seu sangue podre. Até que seu corpo entregou-se de vez.

    – Sim, isso é o que merece um verme pedófilo como esse. – Hector cuspe no rosto já morto daquele ser enquanto fala.

    Arrumamos nossas coisas, limpamos o local e fomos embora. No caminho, refleti que pensava ser sádica, mas não tanto assim. Eu havia descoberto outro ser dentro de mim. Outra Rebecca. Tão ruim quanto aquele pirata, ou seria sua influência?

    Conclui que, sim, eu aprendi muito com ele, e sim, definitivamente éramos uma bela dupla.

  • Sangue frio – Pt2

    Sangue frio – Pt2

    Atenção: Conteúdo inadequado a menores de 16 anos.

    Cheguei ao encontro daquele “vampirata moderninho” seguindo o endereço indicado pelo Fê, que em algumas de nossas conversas fraternas em companhia de bons vinhos deixou-me a par dos assuntos sobre o projeto “Escolhidos” e sobre os métodos utilizados por Hector. Segundo Ferdinand, a metodologia daquele vampiro sodomita era um pouco diferente do seu, acreditando que eu certamente me identificaria com seu estilo e que, de certa forma, seria deveras interessante cumprirmos algumas missões juntos, compartilhando nossos conhecimentos sobre a arte de causar sofrimento a alguns dos porcos e infelizes seres que praticam a perversidade contra inocentes. Eu sabia claramente em qual terreno estaria pisando, e estava ansiosa, como de costume, e ao mesmo tempo excitada com tais expectativas, pois sempre gostei de bons desafios.

    Eram por volta das onze, de uma noite qualquer, quando fui recebida em sua moradia para nosso primeiro encontro. Uma festa gótica.  Fui pega de surpresa em ter que ir a tal festinha a caráter, porém, eu possuía algumas peças no carro que quebravam um galho.  Confesso que inicialmente a conversa soava estranha, como se quiséssemos intimidar um ao outro. No entanto, logo constatei que tínhamos algumas afinidades em determinados aspectos. Hector estava sentado e com meu lápis de olho na mão mostrou precisar de auxílio. E foi então, que pude observá-lo com mais detalhes. Bem de pertinho. Tinha o corpo magro, mas definido. E uma altura mediana. Seu cheiro era instigante para mim, seus olhos miúdos e negros e suas mãos com dedos longos movimentavam-se junto ao cabelo razoavelmente comprido e escuro, com enorme destreza, conforme falava. Porém, naquele momento, nos mantivemos em silêncio. Concentrada no que estava fazendo, pude sentir sua perna roçar sobre a minha. Distraído, Hector pareceu não notar que eu imaginava sobre o que eram seus pensamentos. Ficamos ali por alguns minutos imaginando-nos em cenas sórdidas e quentes.

    Deixei meu carro em sua garagem para irmos juntos e, na tal festa, conheci alguns amigos de Hector.  Mas, no final cada um foi para um lado observar o ambiente, e claro, ambos sabíamos que estávamos atentos as ações um do outro. Mordemos alguns pescoços por lá e madrugada adentro constatamos que era hora de ir embora.  Chegando, desci e escorei-me no carro.

    – Você vai ficar hospedada aqui. Podemos levar sua mala lá para cima, pequena?

    -É… Na verdade eu havia me preparado para ficar em um hotel aqui perto.

    -Não. Agora que eu a conheci, realmente quero que fique aqui por esses dias. Devo agradecer a Ferdinand pela companhia que me enviou.

    – Quer é? Hector… Eu sei no que estava pensando quando eu estava fazendo essa maquiagem sexy de corvo em você. Não precisa se preocupar com nada.

    Ele compreendeu minhas intenções e olhou para mim, sem parecer surpreso. Deu um sorriso frio e sínico de lado.

    Nem o diabo pôde prever o que houve ali. Não havia nem uma alma na rua àquela hora, e se houvesse eu não me importaria. Hector veio para mim, agarrou meus cabelos já desalinhados com força e entre uma mordiscada e outra senti meu corpo arrepiar como há muitos anos não acontecia. Sim, ele rasgou ainda mais minha meia calça, colocou minha calcinha minúscula de lado, abriu sua calça jeans preta cheia de correntes somente o suficiente para transarmos ali mesmo, prensados sobre o carro.  A cada movimento, mordíamos e bebíamos o sangue frio um do outro na qual sentíamos uma junção do orgasmo humano com o vampiresco. Arrancávamos pedaços de nossa própria carne com as unhas e quando nos acalmamos, daquela sede doentia, continuamos ali, em movimentos lentos e fortes penetrando um corpo gélido no outro o máximo que fosse possivel…

    Naquela noite, após aquela loucura toda. Ele carregou minha mala até o quarto. Tomamos um belo banho. E ainda ficamos até amanhecer bebendo e conversando. Hector me mostrou sua coleção de utensílios e bisturis, onde planejamos nossos passos para resolver um dos casos entre os diversos que havia em toda aquela papelada de processos criminais encaminhados por um aliado e amigo policial. Eu estava determinada. Por enquanto, também estava satisfeita, mas eu queria e sabia que ainda haveria de acontecer muita coisa dali pra frente.

  • As desilusões de um vampiro – Parte 2

    As desilusões de um vampiro – Parte 2

    Muitos que vivem, merecem a morte. E alguns que morrem, merecem viver! Você pode dar-lhes vida? A morte pode transformar a não vida em destino e mesmo assim vai haver uma luz para você nos lugares escuros, quando todas as outras luzes se apagarem.

    Ps: Esta história não segue uma cronologia e sim a teoria a ser explicada.

    1614 – Muralhas da Ordem

    Dúvidas me seguem por todos os lados. Devo continuar nesta jornada? Eu vejo mudanças. Mudanças que me assombram e me seguem nos sonhos, nos pensamentos e até o fundo da alma, se é que possuo alguma depois de me tornar uma figura tão sombria.

    Eu tenho consciência de que sou um vampiro, mas nunca imaginei chegar a esse ponto. Que poder é esse que surgiu em mim? Cage tinha razão, ele sabia de alguma forma que eu conseguiria obter tal façanha. Não fui o único, Daniel e Michael também conseguiram.

    Estamos os três surpresos e confusos. Temos em nossas mãos a nossa força e também a nossa ruina.

    Mas paro e penso, de que adianta temer o que já está feito? Tenho que arcar com isso de qualquer forma. Entre as sombras e o fim das noites, até que as estrelas brilhem sobre as nuvens, não deixarei tal poder me tomar. Serei forte e cada dia que treinar, irei evoluir e ampliar o controle e por fim não ser controlado pela vontade crescente de um assassino e serei sim o domador da fera que dentro do meu ser ruge e estremece meus sentidos.

    Quando alcançar tal nível de controle, ficarei satisfeito , lutarei ao lado dos meus companheiros e farei tudo para me tornar mestre. E quem sabe um dia treinar um ser tão destruído como eu, no começo de minha não vida e torna-lo tão forte e sábio quanto eu.

     1950 – Mansão Vermelha

    Como deixar que, machuquem um ser indefeso? Pobre menina, onde a inocência a enganou? Desde que acordei e conheci Pierre, meu monstro interior floresce de ódio e ira, estou cheio de vontades e uma delas é acertar um machado no meio do sorriso forçado desde infeliz.  Cage nada faz, diz que a fortuna de Pierre ajuda a manter a Ordem em “bons panos”. Confesso que tenho vontade de mandar meu alto mestre Cage colocar os “panos” citados em um lugar escuro e profundo de seu corpo.

    Já eu procuro meios de punir Pierre, mas nada posso fazer. Quero arrancar aquela pobre criatura do desespero. Descubro que ela não é a primeira, muitas foram torturadas por aquele sádico. E os altos mestres não impediram. Simplesmente fecharam os olhos e esqueciam da palavra que carregávamos.

    Pierre em sua loucura se achou apaixonado pela humana que ali estava amarrada. Não vi o rosto dela, mas sinto que é inocente,  frágil e está com medo. Pobrezinha.

    Tento recorrer a todos os sábios, procuro achar uma punição e nada. Quando fiquei sem esperanças, recebo ordens para ir até Cage e ao chegar na ‘ sala dos senhores’, vejo que tramavam algo contra Pierre e eu obviamente concordei em ajudar. Todos estavam cansados da atitudes impulsivas e grotescas dele. Tais feitos infantis poderiam colocar todos nós em perigo e nos expor sem necessidade. Vou chama-lo, Cage quer conversar com o sádico e eu quero conhecer a vitima.

    Salão Águia de Sangue

    Lilian, um belo nome para uma dama simplesmente linda. Mesmo machucada, sua beleza me encanta ferozmente. A voz já frágil, demonstrando medo, ela sabia que ele iria machuca-la mais e eu nada podia fazer por hora. Sei que ele vai engana-la falando que vai ceder a imortalidade como uma forma de punição e depois vai deixa-la jogada em um canto para morrer. Só que eu tenho uma carta na manga, assim que ele sair e terminar a “ falsa transformação”, darei meu sangue a ela, sendo assim,  tornando muito mais gratificante criar a arma mais poderosa contra aquele maldito. O famoso Carma iria bater na porta dele daqui algumas décadas.

    Agora ele será expulso e vamos dizer que ele fugiu. Mentira, mas uma mentira necessária por hora.  Mal sabe ele que não vamos deixar ela para morrer, como as outras… Não, não… Eu vou pessoalmente treinar o pior pesadelo da existência dele. Lilian saberá a verdade no tempo certo e ninguém vai ficar no caminho dela. E eu vou estar aqui para aplaudir teu sofrimento Pierre.

    Att: Trevor W.S

  • Fui traído! E agora? – Final

    Fui traído! E agora? – Final

    Diante as revelações feitas por Franz, que foi a fundo na mente de Débora, ficou claro o que ela havia feito…

    Era uma noite fria e típica de junho no hemisfério sul. Débora se despediu e desligou rapidamente o Skype. Alegou que estava com muito sono e precisava descansar para acordar cedo no dia seguinte e fazer o que eu havia lhe pedido. Porém, aquilo foi uma mentira para se livrar de mim e ir para uma reunião importante com outro acionista da empresa.

    Ela havia se arrumado mais do que o normal, estava altamente sexy de saia curta, blusinha decotada, óculos, salto alto e uma liga preta estilizada por cima de sua pele macia e roseada. Os pensamentos eram nítidos em sua cabeça:

    “Preciso impressioná-los a ponto de que confiem em mim, dessa forma vou conseguir tudo o que quero.”

    15 minutos de taxi e lá estava ela entrando num restaurando badalado da cidade. Muito frequentado por empresários, figurões e até mesmo artistas da cidade. A hostess lhe indicou com facilidade a mesa onde havia três homens muito bem trajados, no qual ela mesma já havia avistado com sua visão aguçada de ghoul. Respirou fundo, ajeitou a sainha e o decote antes de cumprimentá-los.

    A mesa ela percebeu rapidamente que um deles estava cobiçando seu corpo, foram muitos os olhares para seus seu voluptuoso, tanto que os negócios renderam rapidamente.

    – Não vejo problemas em conseguir o que me pediu ainda mais se todos concordarem com o custo de seis zeros…

    Dois deles se entreolharam e consentiram para o terceiro, que desprendeu mais uma bela secada no decote da loira e falou para os demais.

    – Pois bem senhores agora que nos acordamos eu preciso definir alguns detalhes com a senhorita Débora.

    Impreterivelmente os dois homens se retiraram, momento no qual Deb percebeu de relance que o homem a sua frente despejou algo em seu copo. Ela sabia que o home a sua frente desejava o seu corpo, mas sedá-la para conseguir isso seria o cúmulo da idiotice? – Disse a si mesma.

    – Viu o que eu coloquei em teu copo? Isso serve para romper o que tens com teu “cliente”. Basta um gole e o laço será rompido. – Disse o homem, que agora havia mudado seu olhar para algo sombrio e diferente do tarado de antes.

    Débora relembrou dos últimos dias que passou comigo, ponderou por alguns instantes e fingiu que havia bebido. Voltou seu olhar para o homem e lhe disse:

    – Pronto! Agora confias em mim?

    – Sim, venha. Vamos tratar dos reais negócios pelo qual lhe procurei.

    Eles saíram do restaurante, entraram numa limusine onde ela percebeu algo de sobrenatural e andaram pela cidade por mais alguns minutos. No caminho o homem lhe confidenciou sua relação com magia e que queria vingança de mim. Pois, eu havia acabado com sua irmã, a maldita bruxa que matou meu estimado irmão Joseph: http://wp.me/p3vcNH-sQ

    Na sequencia daquela noite ela chegou a se lembrar de nosso laço, porém havia sido corrompida por promessas, falácias e aquilo que ela mais queria em sua vida eu havia lhe negado ao escolher Pepe: O maldito do poder.

    Naquela mesma noite ela foi para o refugio do tal mago e lhe proporcionou tudo o que uma puta cobraria em ouro para fazer. Ao amanhecer ela confidenciou sua real intenção de desfazer nosso laço e sem perceber foi sentenciada a ser a cadelinha daquele infeliz…

    – Nem todos merecem uma segunda chance! Ferdinand ela é toda tua…

    Dois passo a frente e arranquei sua cabeça naquele mesmo lugar. Espalhei seu sangue podre por toda a sala e nos presentes. Franz sorriu, Becky se concentrou e Pepe passou a língua nos lábios.

    – Peçam para algum Ghoul limpar isso. A próxima cabeça que vai rolar é a daquele filho da puta…

    Transformei-me em lobo e passei dois dias e uma noite meditando na floresta da fazenda.

  • Fui traído! E agora? – pt1

    Fui traído! E agora? – pt1

    Tivemos muitas conversas, tive inclusive de refazer diversas das minhas contas, verifiquei muitos vídeos de segurança, até chegar a conclusão de que o inferno realmente estes cheio de indivíduos com boas intenções. Relutei muito. Larguei de lado os ensinamentos de meu mestre e até mesmo Carlos, meu amigo lobisomem,  consultou os espíritos sobre o que ocorreu: Débora, minha ex-assistente pessoal estava fazendo espionagem industrial conosco.

    Não posso entrar em detalhes sobre as cousas que ela nos roubou, mas precisei invocar uma legítima “caçada de sangue”, com o objetivo de por fim aos planos da infeliz e de quem mais estivesse envolvido com ela. Eu sabia que não seria algo fácil, porém havia alguém em minha cabeça que poderia dar a devida atenção ao ocorrido: Pepe!

    Os mais atentos as nossas histórias perguntarão: Ferdinand, Sendo ela uma Ghoul ela não deveria fazer tudo o que tu mandar? Sim e não mancebo. Há uma forte ligação entre o vampiro e aquele que recebe o seu sangue, no entanto, este laço é diferente daquele entre dois vampiros. É um laço muito fácil de romper, ainda mais tendo em vista os envolvidos nesta operação, um grupo de desavisados, que “compraram” Deb e certamente não sabem que eu sou o que sou.

    Tão logo Pepe controlou sua sede, tratei de colocá-la a par das cousas que Sebastian estava fazendo e uma delas era monitorar os “negócios da família”. Em especial uma das fábricas em que ainda temos controle direto, pois as demais já possuem capital aberto e demandam pouco acompanhamento diário. No meu livro eu falo um pouco mais desse meu lado empreendedor e empresário, mas por hora vamos à ação, afinal esse papo de negócios não tem a ver com o que vocês gostam de ler por aqui.

    Durante a minha investigação tivemos a chegada da senhorita Becky e Franz decidiu voltar ao ambiente urbano. Portanto, vocês já sabem vai atrás da loira traíra e seus comparsas? Optei por oferecer o comando da missão a Franz e julguei que a participação de Becky seria uma boa forma de comprovar sua lealdade. Além disso, vocês sabem muito bem que meus assistentes fazem muito mais que monitorar ações em sites, então Pepe teria uma oportunidade boa para por seus dons físicos em ação.

    Essa seria uma missão interessante para os “escolhidos”, mas Hector e Eliot estão envolvidos em uma determinada investigação e eu ainda não me recuperei por completo depois da transformação de Pepe. Portanto, me restou ficar como apoio e na torcida para que me trouxessem a loira ainda viva. Afinal, qual a graça de apenas aniquilar uma traidora, sem ao menos olhar em seus olhos e ver sua maldita vida se esvaindo? Posso estar andando muito com o Hector ou tendo muitas influências do Doutor em meus pensamentos, mas que fique claro. Ninguém sacaneia os negócios da minha família e sai ileso!

  • A Vingança de Rebecca – Parte II

    A Vingança de Rebecca – Parte II

    Eu acabei recordando o tempo em que era apaixonada pelo único professor de Francês que tive na adolescência, sempre tinha apenas professoras, até descobrir que ele era um psicopata, mas isso é outra longa história… E naquele momento, eu ainda não conseguia acreditar no que meus olhos estavam vendo. Observei o que acontecia por alguns minutos, pensando no que faria em seguida, de que forma reagiria quando percebessem minha presença.

    Recostei-me na porta e olhando para minhas unhas, falei com desdém:

    – Meu querido Senhor, por que não me chamou para a festa? Vejo que realmente é insaciável, depois da noite que tivemos…

    Ele não se surpreendeu quando o encontrei com duas vadias na cama do meu quarto, que eu nem sei de onde vieram. Eu sei que no mundo de alguns vampiros essas coisas pareciam comuns, mas ele sabia que aquilo naquele momento me provocaria e até me machucaria, e era exatamente esse o propósito. Então, reagi de uma forma que nem eu mesma imaginava.  Aproximei-me das duas garotas. Estava decidida a não deixá-lo conseguir o que queria. Eu não reagiria feito uma moça iludida. Então, o provoquei como se estivesse gostando de senti-las me tocando, querendo participar da tal “festinha”. O surpreendi quando fiz parecer que até beijaria uma delas. Foi quando comecei a gargalhar nervosamente, mas de maneira estranha, digamos, demoníaca. Passei as mãos sobre os cabelos delas, e olhei bem o rosto de cada uma. Também eram jovens, bonitas. Olhei para Sr. Erner. O que será que ele pensava ou via em mim naquele momento? Queria também poder saber o que havia em sua mente. Desci minhas mãos até o pescoço das duas e sufocando-as senti que perdia o controle. Minhas unhas compridas apertaram ambas com tamanha fúria que acabei cortando a garganta de ambas. Seus corpos caíram como sacos no chão esvaindo-se…

    Silêncio. Suor. Sangue nas mãos. De onde havia surgido tanta força? Ele olhava para mim sarcasticamente, mas estava nervoso.

    Eu havia matado pela primeira vez.