Parece que foi ontem que eu conheci o Alberto, um vampiro legal, amigo do Franz e que mora em Sampa. Não precisei nem ligar e o mala já sabia que eu estava bem perto da sua “casinha”. Às vezes fico receoso com esses sensitivos, mas me lembro que estão do nosso lado e fico um pouco melhor.

Sua reação foi à mesma que a de quase todos os outros: Por que diabos tu ainda não transformou ela em um de nos? Relaxa bicho, tudo tem sua hora (eu respondi) … Beth deu uma risadinha de canto de boca, mas ficou de boa. Acho que já se acostumou com a pressão, mas eu já disse que tudo tem sua hora e, além disso, para transformar alguém em vampiro é preciso aquele velho ritual e suas conjunções astrais. Se não é óbvio que nossa espécie seria bem mais populosa.

Enquanto estive na bendita selva de pedra, fiquei hospedado nesse vampiro. O local era uma mistura de modernidade com aspectos do século passado e retrasado. Acredita que ele ainda ouve música em um velho phonografo que precisa dar corda? Tudo bem, eu dei de presente pra ele um mp3 player, vamos ver se ele adere a essa moda que também já é velha…

Esse negócio de moda, aliás, é algo complicado entre os velhos, eu mesmo tenho um quarto cheio de tranqueiras e relíquias. Deve ser do comportamento humano se agarrar a objetos que lhe são convenientes ou importantes em determinados momentos.

Sobre tudo, a estadia perto do Alberto foi importante para eu reaver alguns contatos em meio a nossa sociedade. Eu já disse que minha família vive a parte deles, mas é bom sempre dar uma espiadela, vai que algum velho esteja acordando ou algum outro imortal esteja aprontando alguma.

Sábado à noite pedi para Beth dar uma voltinha e fiquei na casa esperando as “visitas”. O papo durou algumas horas, nos apresentamos e infelizmente o único conhecido era o Alberto. Todos os outros eram novos e tinham menos de 50 anos como vampiros, ou seja, não vi nada de novo e até falei mais do que devia. No geral reuniões ou bate papos entre vampiros são chatos, coisa de velho tipo: Ahh teve aquele dia que eu quase morri ficando acordado até mais tarde, ou poxa eu era bom nisso, ou ainda aquela época era melhor, bons tempos…

Contudo, o que parecia perdido se tornou uma noite boa quando concordei em fazer um pequeno workshop prático. Fomos para o centro de Sampa, pedi para que ficassem em um prédio em uma transversal a Rua José Paulino e pratiquei um ataque. Fiz algo simples, metamorfoseei-me (existe essa palavra?) em um cachorro e fiquei sentado esperando o movimento.

Muitas pessoas passaram, algumas me olharam e quando estava perto das 3:30 (eu acho) vi duas putas noutro lado da rua. Aproximei-me devagar para dar confiança e fiquei por ali na minha. Umas delas se aproximou, disse que eu era bonito e me fez carinho cabeça.(O pior é que foi bom) Não precisei esperar muito para que algum cliente aparecesse e me deixasse sozinho com uma delas. Ninguém além de nos, vários cantos escuros e eu não estava com fome… Estava feita a lição…

Um pouco de sorte, muita observação e sempre mantendo a calma. Certo crianças?