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O retorno da minha cria

Minha cabeça estava cheia de dúvidas e isso se refletiu no sono ruim daquele próximo dia e nas estratégias que deveria montar para conseguir resgatar Pepe. Sem falar que lidar com um coletivo é algo novo pra mim e ao que tudo indica eles não seguem as mesmas ideias dos clãs tradicionais. Inclusive Audny estava preocupada, mas ainda estava receoso para envolver ela ainda mais nisso.

A noite veio e com ela novos pensamentos e ideias. O local onde eles se encontram foi fácil de descobrir, além do contato daquela que me chamou para nos falarmos a sós. Optei por deixar meu lado frio, calculista e manipulador agir em prol do caos. Mandei uma mensagem para a bruxa em questão: “Da mesma forma que me chamou para nos falarmos a sós, conseguimos nos encontrar dessa forma para falar dos negócios?”

Gosto de quem responde rapidamente nas redes sociais e em questão de segundos ela retornou: “Claro, pode ser naquele mesmo lugar?”. Aceitei, pois além e tudo o lugar é de propriedade de uma amiga.

Perto das 00h00 a senhora surgia naquele mesmo canto do rooftop. Senhora é apenas uma educação minha, pois para alguém na faixa dos 50, ela até que enganava uns 15 anos a menos. Talvez havia ali a indicação de alguns procedimentos bruxólicos? Enfim, divaguei…

– Olá senhorita, aliás como é sua graça mesmo?

– Lourdes, mas por favor me chame de Lu.

– Ah sim, obrigado. Pois então, como resolvemos o infortúnio que teu grupo me proporcionou?

– É simples, nos traga o carregamento, faça o preço que foi indicado e seguimos liberando a tua cria para voltar a beber sangue por ai…

– Certo e se eu não concordar com o preço baixo que me oferecem?

– Então teremos problemas.

– Vou fazer uma contraproposta. Ofereço metade da grana dessa negociação, para que você me traga minha cria sã e salva. Basta me passar uma conta tua ou um pix o que preferir. Depois disso, você se afasta da negociação das armas e eu me viro com os outros dois. O que me diz?

– Quais certezas você me da sobre o que vai rolar com meus colegas?

– Nenhuma!

– Preciso pensar Ferdinand.

– Tens 5 minutos, é o tempo de eu fumar um pouco e a música do camaradinha ali terminar. – Apontei para o DJ que estava no lugar onde a Pepe estava noite passada.

– Certo, vou aceitar tua proposta, mas preciso ver se consigo liberar tua cria ainda esta noite.

– Te deposito metade agora e metade quando ela estiver na minha frente até o fim da noite.

Fiz um pix com a grana que havia combinado e fui para lugar, onde combinei que ela deveria ser entregue. Perto das 4 chegou uma mensagem da Lu: “Tô levando ela onde cominamos”. Pepe estava normal, exceção das roupas um pouco judiadas. Tão logo a vi lhe dei um abraço e percebi o quanto havia me apegado.

Lu se aproximou, com a intenção de receber a outra metade do pagamento. Porém num lance de duas ou três passadas para o lado e para atrás, Pepe a agarrou. A vampira mordeu seu pescoço num ato animalesco. Aquela mulher estremeceu de dor, pela surpresa, mas muito mais pela fúria cruel e violenta da mordida de Pepe.

Fiquei ali de voyeur, até que minha cria terminasse o que se propôs a fazer e teve mais. Ao final de sua refeição ela me olhou, como quem pedisse permissão. Todavia, antes que eu me manifestasse ela quebrou o pescoço da infeliz.

– Tá certa, minha filha! Eu sou bom de mais as vezes… Coloca ela no banco do motorista, fogo talvez?

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