Iniciei minha noite ouvindo um pouco de Heidevolk…

“De zon wordt zwart
In zee zinkt de aarde
Uit de hemel vallen
Heldere sterren
Damp en vuur
Dringen dooreen
Hoog tot de hemel
Stijgt een hete vlam”

Marie-Arthur du Buet foi a primeira testemunha que consegui contato. Liguei falando do caso, no início ela ficou receosa, mas talvez pelo fato dela ser irmã de sangue da desaparecida, me permitiu um bate-papo num café.

Naquela noite uma inquietante névoa solida pairava pela cidade, o vento não era frio e decidi ir de moto, pois como sabem me sinto mais livre nesse tipo de veículo. Minutos mais tarde cheguei ao café e não foi difícil reconhecer Marie-Arthur. Uma mulher de meia idade, cabelos mistos loiros com grisalhos, com olhar fixo e preocupado. Ela emanava tanta energia que qualquer sobrenatural poderia lhe reconhecer a quilômetros de distância.

– Olá boa noite, posso me sentar senhorita Marie-Arthur?

Ela não pareceu nenhum pouco surpresa por eu ter lhe reconhecido, na verdade até se movimentou pouco quando me sentei a sua frente. Iniciamos um diálogo e como esperado ela tinha poucas respostas, senti-me por diversas vezes num monólogo áspero e interrogativo que não levaria a lugar algum.

Ah certo momento um motoboy passou ao longe e fez aqueles estouros, que parecem tiros de armas de fogo. Naquele instante Marie-Arthur irrequietou-se a cadeira, arregalou os olhos e disse aos sete ventos:

– Vocês não vão destruir a ordem. Podem levar o corpo de minha irmã, mas nunca terão sua alma!!!

Claro que todos ao nosso redor ficaram olhando e tive que dar uma improvisada.

– São os remédios pessoal, desculpem! Marie-Arthur, quem levou o corpo de tua irmã e atirou em vocês?

E mais uma vez ela falou para todos em claro e bom tom:

– Um homem velho pálido, cavalgando um crocodilo e com um falcão em seu punho, Agares, é o seu nome neste mundo…

Depois disso tive de encerrar a conversa com a bruxa, pois já havíamos chamado muita atenção. Despedi-me de Marie-Arthur e voltei para o hotel, onde passei o resto da noite pesquisando sobre a tal entidade demoníaca no qual ela havia me falado.