O internato de Evelyn era somente para meninas. Um terreno bastante perigoso quando se está na adolescencia e começando o desenvolviemento na vida afetiva.

Como Evelyn sempre foi muito bonita, causava inveja nas colegas de escola. Quando iam à pequena cidade que ficava perto do internato, sempre sob a supervisão dos professores, os rapazes nunca desviavam o olhar dela. Muitas pessoas tentaram explicar a beleza da garota, mas ninguém nunca conseguiu. Não que ela fosse perfeitamente simétrica, ela era apenas encantadora.

Uma das meninas no colégio tinha uma sisma com Evelyn. Ela não se lembra de ter alguma vez feito qualquer coisa que pudesse ter ofendido ou prejudicado a garota, mas ela nunca deixava Evelyn em paz.

Marie era suéca, filha de políticos e vinha de uma longa linhagem de pessoas importantes e estava lá se preaparando para ser a próxima primeira grande dama do seu país.

Ela e Evelyn cursavam algumas matérias juntas, e para o azar de Marie, os pontos fortes de Evelyn, línguas e artes. O que a mantinha em destaque constante e sem muito esforço nas aulas. As pessoas sabiam pouco sobre ela lá, tinha aprendido cedo a ser discreta sobre suas origens, mas todos conheciam Marie.

Diferentemente de Evelyn, Marie fazia questão de contar suas férias esquiando em algum lugar exótico ou do encontro com alguém da família real. Sempre que chegava ao colégio era um acontecimento, trazia e fazia questão disso, presentes para algumas poucas selecionadas, criando seus próprio pequeno reinado.

Evelyn pouco se importava com as atitudes da colega e isso era o que mais a irritava. Marie a denunciou por mais de uma vez, quando ela saida depois do horário do dormitório. Também fazia questão de ser sempre a opositora de Evelyn nos debates ensaiados em aula. Ela costumava chegar às rodas de conversa e chamar exatamente a pessoa com quem Evelyn conversava. Algumas vezes também comprimentou todos, menos ela. Fazia de conta que não a via. Isso claro incomodava Evelyn, mas ela sabia que a hora certa viria.

Foi no penúltimo ano que a oportunidade perfeita apareceu. A turma de Evelyn passaria um mês na Suécia, no colégio onde o tal “cara que era super afim” de Marie estudava. Elas não ficariam hospedadas no internato dos meninos, ficariam em um convento do lado oposto da cidade, mas todos escapavam para o mesmo bar no centro.

Quieta, Evelyn observou o comportamento de Marie e Richard, o tal garoto. Vizivelmente ele não dava a mínima para ela, mas Marie não desistia e perseguia- o durante as aulas conjuntas. Ela até começou a escapar do convento junto com as outras garotas para ter mais oportunidades de encontrá-lo. Evelyn não ia. Mantinha-se distante e calada, sempre com uma desculpa diferente, ficava no convento. Ela nunca conversou com Richard, nem nas discussões de sala, até a última festa no bar.
Nessa altura da viagem Marie falava com Evelyn apenas para se vangloriar do belo rapaz que supostamente a cortejava longe dos olhos de todos, porque ele era tímido.

Quando Evelyn chegou ao bar naquela noite apenas Marie e algumas outras garotas da escola estavam lá.
Evelyn entrou com outras pessoas que havia conhecido, e um pouco mais tarde que os outros. Os meninos do internato também já estavam lá. Todos dançavam e se divertiam na pista principal do bar, exceto Evelyn e Richard.

Ela se pôs de costas para o bar e ficou observando as meninas, elas cochichavam entre si e apontavam o tempo todo para o balcão. Evelyn continuou conversando com as outras pessoas e de repente Marie passou bem ao lado de Evelyn, fazendo questão de lhe acertar o ombro, puxando Richard para a pista.

Muito desajeitado o garoto tentou dançar e acompanhar as meninas que o cercavam. Logo depois vieram os amigos dele e todos ficaram dançando juntos. Marie se insunuava indescentemente para Richard.

Sem nenhuma explicação ele se afastou da roda e voltou ao bar. Marie murchou, tentou fazer de conta que não se importava e continuar dançando, mas era vizivel que mantinha os olhos vigilantes nele.

Evelyn não se mexeu. Continuou conversando e discretamente viu onde Richard havia parado.

Menos de 10 minutos depois quando Marie saiu em direção ao banheiro, Evelyn rumou para o bar.

Richard estava encostado num canto, longe da pista, cercado pelos amigos e de costas para o balcão.

Evelyn foi até o lado dele e pediu uma cerveja. Depois se virou e ficou ali bebendo.

Na verdade ela deu apenas um gole antes de um dos amigos dele começar a conversar com ela. O amigo puxou assunto com Evelyn e disse que queria lhe apresentar alguém, nesta hora olhou para Richard e fez a introdução. Ela sorriu tímida e se apresentou ao rapaz que sorrindo a comprimentou.

As coisas fluiram normalmente. Eles ficaram por mais de uma hora no bar rindo e conversando. Evelyn conheceu todos os amigos dele que estavam ali e não se deu ao trabalho de olhar para ver se Marie já os havia visto.

Já perto da hora do bar fechar Richard pegou Evelyn pela mão e lhe ofereceu uma carona para casa. Ele não sabia que ela era uma das alunas que estavam no convento, e como não perguntou nada, ela não mencionou.

Eles passaram de mão dadas por todos do internato e não disseram uma palavra. Evelyn apenas sorriu. Marie não estava lá. Como foi contado depois, ela havia deixado o bar há muito tempo.

Marie reconheceu a derrota e saiu do bar provavelmente logo após ver Evelyn conversando com Richard.

Depois de três anos de provocações por parte de Marie, Evelyn saboreava sua vingança e se mantinha distante dos que não lhe eram convenientes.

Até o final daquele ano e durante todo o ano seguinte, Marie evitou cursar as mesmas disciplinas de Evelyn e tampouco frequentar os mesmos lugares. As colegas passaram a respeitar ainda mais a “garota que tinha vencido” a poderosa Marie.