Texto enviado pela Gabriella.

Desconhecido

Naquele dia eu estava exausta do trabalho árduo no plantão da noite no hospital.
Quando saí fui para a cafeteria para esquecer que havia perdido um paciente naquela
noite. Sentei-me e logo percebi que havia um homem com jaqueta de couro preta, pele
branca e olhos claros sentado distante de mim, éramos apenas nós dois daquela
madrugada fria. Ficamos trocando olhares por um longo tempo. Levantei e fui em
direção ao balcão pagar pelo meu café e ao sair e não resisti e dei mais uma olhada para
aquele estranho sentado ali.

Quando estava chegando perto da minha casa, percebi um homem em pé perto
da minha porta, hesitei por um instante, mas continuei caminhando. Parei na sua frente e
o seu olhar penetrou nos meus olhos e passou pelo meu corpo como um arrepio que
misturava medo, ansiedade e excitação. Sua mão fria tocou o meu rosto e eu não resisti
aquele olhar. Nós nos beijamos e eu o convidei para entrar, ele não dizia nada, nenhuma
palavra, mas não era preciso eu sabia exatamente o que ele estava pensando.

Passamos aquela noite juntos, uma noite de amor que eu nunca havia vivido com
ninguém daquela forma. Estava exausta, mal podia me mexer quando ele sussurrou no
meu ouvido com aquela voz rouca e firme. – Não sinta medo. – Eu não entendi a
princípio o que ele queria dizer até eu sentir seus dentes cravados no meu ombro. Eu
podia sentir o meu sangue saindo do meu corpo, todos os sentimentos existentes
passavam por mim, menos medo.

Quando acordei com o sol pegando no meu rosto, logo me lembrei do que havia
acontecido, procurei por ele no quarto, mas não havia ninguém. Aquele homem
desconhecido que me fizera viver uma noite inesquecível. Seria verdade ou apenas
sonho? Logo chequei meu ombro e lá estava das marcas daquela noite.

Na mesa da cozinha havia uma rosa vermelha com um bilhete que dizia: –
Obrigada pela noite! – Não dizia mais nada, não havia nome, nem telefone. Depois de
tudo o que aconteceu eu nunca mais o vi, mas dentro de mim, todos os dias, eu esperava
encontrá-lo novamente.