Era algo em torno das 20h quando Georg me ligou:
“Filho, acordei com fome! Alguma sugestão de cardápio para esta noite?”
Sabe aquele momento em que você não tem o que fazer e espera que alguém lhe traga novidades, ou pelo menos alguma idéia? Foi exatamente assim que eu estava ontem… A espera de algo por fazer…
22h mais ou menos e após duas buzinadas eu olho por uma das janelas e vejo uma BMW prata com vidros escuros em frente ao meu apartamento. Desço, cumprimento o vigia e lá estavam Georg e uma senhorita morena, de olhos escuros, muito bonita chamada Francine. Confesso que de imediato aquela linda mulher chamou minha atenção e não foi apenas por seu vestido “pretinho básico” extremamente minúsculo… Ela não era humana…
Fui no banco da frente junto do motorista, um Ghoul novo de Georg e não pude fazer aquela social com meu mestre e sua convidada, até a casa noturna que fomos. Entretanto, chegando a casa fiz aquela de segurança abrindo a porta para ambos e quando estava próximo daquela linda, já na fila de entrada, tentei começar um papo.
Para o meu azar, Georg tratou de segurar a mão de Francine e bancou “o coroa rico que pega a gostosona”, demarcando território logo no inicio. Provavelmente ele leu meus pensamentos pecaminosos e diante disso, recuei e tratei de providenciar nossa entrada. Alguns dólares na carteira compraram nosso tikets e de inicio uma balada vazia. Georg achou que minha dica de lugar não era boa, até eu duvidei de inicio, porém 30 min depois o lugar começou a encher.
Acho que era perto da 1h quando conheci a Patrícia. Garota alta, pouco mais de 20 anos, cabelos lisos, pretos e amarrados do jeito “rabo de cavalo”. Não sei por que, mas de alguma forma aquele cabelo dela me deu vontade de puxar. Talvez fosse meu demônio aflorando pela fome, mas tratei de ser o mais cavalheiro possível, mesmo depois de lhe dar o primeiro beijo.
No camarote Georg estava como um sultão, apenas observando a energia lupina de Francine esvaindo-se, a cada gole de vodka que ela consumia. Rimos de algumas histórias do passado e perto das 4h voltamos para a casa de Gerog e acompanhados.
A casa era num bairro afastado do centro, bem ampla, ornamentada e nova, daquelas que podem ser vistas na praia de Jurerê Internacional. Não tenho idéia da hora que nos alimentamos, mas o sangue de Patrícia supriu toda a minha fome. O fato inusitado desta noite foi alimentação de Georg. Para um vampiro velho, o desjejum não é algo tão simples e aquela lupina rendeu alguns rosnados durante o fim da madrugada.
Certamente quem passou em nossa rua percebeu a movimentação de nossa casa, mas os latidos dos dobermanns garantiram nosso álibi. Às vezes como hoje, eu fico aqui mexendo em meu smartphone, escrevendo e observando essa fragilidade humana deitada na cama. Lembro-me da época em que era humano, desse calor corpóreo e no divagar dos pensamento me sinto feliz. Sabe aquela época em que eu reclamava, ok passou, esperem noites melhores, aliás, vai ter vídeocast novo em breve. Estou escolhendo a máscara…