Supermercado é algo interessante, como o povo gasta dinheiro com comida… Bom, eu até vou lá às vezes, pois a Beth precisa comer e por que atualmente ali também vende outras coisas além dos alimentos. Ok, nessas horas ser vampiro tem suas vantagens …

Mas por que diabos estou falando de supermercado? Bom, é por que me lembrei de uma boa história. Sim, este é um daqueles posts onde conto minhas peripécias.

Fabiana era uma menina linda, daquelas de fazer virar o pescoço para dar uma boa olhadinha. Magrinha, perto dos 1 e 70, seios fartos, cabelos castanhos escuros encaracolados, olhos azuis claros e um pouco sensual. Uma mulher estonteante que faria muito homem fazer besteiras. Tanta beleza e desperdiçadas em um caixa de supermercado, não que esse trabalho seja ruim é que a moça poderia ganhar muito mais dinheiro fazendo outras coisas, talvez trabalhando como modelo fotográfico por exemplo.

Enfim, lá estava eu fazendo minhas compras quando sinto a presença de algo sobrenatural. (Esse tipo de sensação pode ser provocada pela presença de peludos, humanos poderosos ou até mesmo por outros vampiros) Apesar dessa sensação inconveniente eu continuei circulando com o carrinho por entre as gôndolas. Meus ouvidos estavam ouvindo mais que o normal e qualquer barulhinho diferente me fazia arrepiar os ossos. Chega a ser impressionante como o tempo nesses momentos passa mais devagar, tudo parece estar em slow motion. Pessoas passando, corações batendo e eu ali sem saber quem era…

A sensação e a angustia aumentam, a ansiedade extrapola e de repente eu esbarro em um senhor. Por alguns segundos trocamos olhares, rolou aquele momento de espera, um esperando o outro dizer algo, mas ninguém balbucia nenhuma palavra. A sincronia é tanta que parecíamos extasiados um pela presença do outro. Mais alguns segundos e sinto meu calcanhar… vrumm… e o mundo volta a girar na velocidade normal… Olho para trás e uma menina me pede desculpas. Olho novamente para frente e o senhor havia sumido. Droga, para onde ele foi, eu continuo o sentindo…

Larguei o carrinho e comecei a procurá-lo, droga de supermercado grande, pensei comigo. Nada do cara e a sensação foi diminuindo até parar, merda… Quem era?

“Senhores clientes a loja fechará em 10 min…” Falava a menina com voz de pato… Ok, lá vou eu para o caixa. Depois de alguns minutos o local estava bem vazio, embalei minhas coisas e fui para o carro. Nessas horas acho minha vida muito parecida com algumas cenas de cinema…

Escuridão, umidade, lâmpadas piscando e meu carro sozinho em um canto. Ao longe eu desarmo o alarme e o barulho das travas produz um eco ensurdecedor. Droga, enquanto faço isso à sensação surge novamente arrepiando minha coluna, nesse momento eu até olho para os lados, mas não vejo ninguém. Guardo as compras entro no carro e na frente do carro como uma assombração surge o infeliz.

Ele me olha, estala o pescoço e diz: “Fazia tempo que eu não via outro de nós“. “Fazer comprar em lugares movimentados é uma bela forma de se manter um disfarce, não acha?” Antes que eu pudesse dizer algo vejo vindo em nossa direção uma linda mulher de cabelos cacheados com roupas do estabelecimento. Merda, merda, merda… Novamente o cara sumiu…

Ligo o carro ando alguns metros e lá estava o infeliz tomando sangue da pobre infeliz. Até hoje não sei por que parei, desci do carro e fui em direção a eles. Ver aquela pobre linda menina sendo sugada por outro que não fosse eu, mesmo depois de tantos anos como um sanguessuga me fez sentir um pouco de ciúmes misturado com embrulho na região abdominal. Estranho? Sim… Pulei nele e bati o quanto pude, mostrei minhas presas como um felino feroz e ele recuou. Uma das minhas pistolas caiu ao chão, fui mais rápido, peguei e dei dois tiros. Um pegou de raspão no braço direito e outro no pescoço, o que provocou sua queda e uma explosão muito grande de sangue sobre mim.

Depois disso comecei a sentir cheiro de carvão, o ambiente ficou mais escuro, tão escuro que quase era possível tocar o ar, mesmo assim sem poder ver muita coisa comecei apalpar a minha até conseguir encontrar meu carro. Liguei os faróis e logo a frente do carro estava um crachá escrito Fabiana de Oliveira Linhares, assistente de caixa…

Quem era o meu concorrente? Não sei, nunca mais o vi ou senti, somente sei que era um maldito cultuador das sombras.