Eu estava em meu sítio aproveitando uma maravilhosa noite sentada na varanda, lendo um bom livro. Por um instante, observei a lua cheia e pensei na hipótese de que talvez pudesse haver algum peludo por perto, e mesmo com os riscos eu estava tranquila. Lá era um dos meus novos refúgios, um ambiente calmo e pacato em que só se ouve os barulhos dos insetos. Além disso, só ficaria por lá no fim de semana e logo voltaria para a cidade e seu “agito” noturno.

Após tantos anos “vivendo” com receio, eu me sentia livre e protegida com a ideia de ter encontrado um novo clã. Ou melhor, um clã, pois até então, eu nunca havia feito parte de algum. Naquele momento, tudo o que eu esperava era ser aceita, e acho que eu estava me saindo bem. Pois, apesar de ser brincalhona e ter a aparência frágil eu era sim, muito forte e fiel com aqueles que me mostravam merecedores. E diante de tal situação, eu sentia que tinha encontrado verdadeiros amigos, talvez até uma família.

Estava quase amanhecendo. Resolvi voltar para dentro da casa e fui direto tomar um bom e demorado banho.  Na volta, olho para o celular. Duas ligações perdidas. Uma era de Eleonor. A outra, de Franz. Liguei para minha querida amiga que logo me encheu de perguntas sobre o que eu havia achado dos “meninos”, pois, ao saber do nosso encontro, não conseguiu conter a curiosidade.

-Ah Ferdinand é super querido. De cara ficamos muito amigos e descobrimos inúmeras afinidades. Ainda não conheci os outros pessoalmente a não ser o… Franz, uma figura. Mas nem vem Eleonor! (risos)

Ficamos horas no telefone “fofocando”. Mas enquanto falava com ela, imaginava por que raios Franz estava me ligando.

-Alô? É…Oi… Franz? É a Becky. Desculpe retornar só agora. Eleonor me ligou e sabe como é…

-Oi, ah sim. Imagino que ficaram horas falando de mim!

Naquele momento, olhei para o teto do quarto e soltei um “convencido” e imediatamente o questionei:

– Precisa de algo?

-Preciso sim, de sua ajuda. Ferdinand mandou chamá-la também. Mas, só poderei explicar quando você chegar aqui, “sabe como é…”

Enfim, trocamos mais uma ou duas palavras e combinamos de nos encontrar, pois, eu estava curiosa para saber o que estava acontecendo…