Esses dias lembrei de uma história de terror e magia que envolve Joseph, meu grande amigo e irmão vampiro que se foi anos atrás. Lembrei disso, porque este mês seria seu aniversário. Data no qual ele sempre juntava os mais chegados para uma boa farra.

Joseph ou zé para os íntimos, era um vampiro pacato. Sua origem francesa transmitia para alguns certa arrogância, mas quem o conhecia de verdade sabe que ele era um nerd convicto. Fã de teatro e de uma boa história, desde que ela fosse explicada nos mínimos detalhes.

Il faut vouloir vivre et savoir mourir.

É preciso desejar viver e saber morrer. Tal frase ele dizia que vinha de algum dos Napoleão, mas de tanto que ele falava  eu penso que podia ser invenção dele mesmo. Caso é que tais pensamentos nos contagiavam e serviam de inspiração para que fôssemos atrás de qualquer coisa com maior afinco.

Numa das suas histórias, no qual ele gostava de criar um clima, acendendo velas pelo castelo, usando seus poderes para nos dar sustos e entreter. Iniciou o vampiro…

“O amor permanece, naquele que é tocado pela morte? Apresento-vos a dança dos decrépitos, tal culto surgiu em meados…” E lá se ia ele flutuando pela sala, dançando sozinho, mas era como se estivesse com alguém, e magicamente nos encantava…

Escuridão total e apenas o estalar de seus ossos vagando entre nós. Todos sentados em almofadas. Mesmo aqueles que possuíam a visão noturna apurada ficavam atentos e não tiravam o foco de seus movimentos finamente orquestrados.

De repente uma vela se acendia em suas mãos de dedos esqueléticos e seu verdadeiro rosto causava angustia, medo e até nojo por parte da plateia. Figurava ali o que ele chamava de La petite mort. Satirizando a icônica frase dita por muitos naquele século.

Meu amigo não tinha pudores e na verdade ninguém naquela época controlava os pudores ou palavras. Tal comunicação era ainda pior nas rodas vampirescas e os moralistas certamente se aterrorizariam nesses meios.

Horror Clown

“Venham, levante-se junto. dos espíritos. Vamos celebrar a podridão dos corpos que foram deixados para trás. Não tenham medo, o medo é apenas a falta de conhecimento a certa do caos e do infinito. Venham, vamos celebrar a morte, que vos é inerente e ríspida.”

“Trago apenas verdades e se teu coração ainda bate, e teus rosto transparece o rubor do sangue corrente, o que fazes aqui?”

“Ainda queres o corar dos viventes? O dom que fora-te dado por Lilith ou pelo próprio Samael é o que tens na profundeza das tuas noites. Venha!”

O soprar do vento gelado que pairava perto da janela, trazia consigo o medo no qual ele se referia e queria nos mostrar. Tantas noites passamos ouvindo suas retóricas e comoventes histórias. Como já disse, para alguns ele trazia terror, magias profanas, filosofias exacerbadas ou rebuscadas demais…. Para mim ele apresentava uma riqueza impressionante de ideias. Quando eu estava com ele era visível o brilho que vinha do fundo de meus olhos vampirescos.

Que saudades meu maior amigo!

Quer saber mais sobre Joseph, leia aqui.