Enviado pela Gabriella, divirtam-se!

Medo

Quando acordei naquela manhã eu não espera pelo que estava por vir. Arrumei-me e fui para a cozinha tomar o café da manhã com meus pais. Logo percebi que havia algo muito errado, já que estava sentado a mesa, um senhor que eu nunca tinha visto antes. Recebi a notícia de que iria para França, pois minha doença havia se agravado.
Voltei para o meu quarto, arrumei as minhas coisas, tinha toda a certeza do mundo que iria fugir antes que me levassem embora. Eu sabia que não tinha muito tempo e que apesar de aparentemente estar bem eu sabia que iria morrer. Eu saí como de costume para ir ao colégio, entrei no ônibus, mas desci algumas quadras antes do colégio. Havia uma casa grande no ponto mais alto da cidade, segui pela estrada estreita o longo caminho.
Eu sabia exatamente onde conseguir o que eu queria, mas não sabia o quão arriscado era para a minha vida. Continuei o caminho e quando estava chegando àquela casa misteriosa tive receio e resolvi voltar, refiz o caminho de volta. Quando parei e dei por mim eu já estava andando em direção a casa. Eu não queria morrer!
Bati na porta decidida do que queria para a minha vida, ninguém a abriu, eu entrei e subi uma escada rústica, pelo caminho havia muitos quadros e retratos, senti um pouco de medo naquela hora. Abri uma porta grande com maçaneta dourada e logo ouvi a voz no fundo me dizer. – Tens certeza disto, jovem criança? – Eu senti um pouco de raiva, pois eu não era mais criança, mas respondi com toda a certeza existente em meu coração. – Sim, eu tenho certeza. – Depois daquele dia eu nunca mais fui à mesma.
Hoje vivendo na escuridão da noite, sozinha, percebi que mesmo com a eternidade ao meu lado, os dias eram piores que a própria morte. Vivo nesta casa grande, tenho o tempo do mundo, mas não posso vivê-lo intensamente. Arrepender-me da vida eterna? Acho que não, mas ainda não aprendi como aproveitar essa maldição que escolhi para minha vida.