Era sábado à noite, o clima variava entre uma fina garoa e momentos onde até mesmo era possível ver algumas estrelas no céu. Minha fome era tanta que se eu visse qualquer casquinha de ferida atacava sem piedade. Apesar disso, eu sempre tento manter o controle e evito ao máximo ficar sem o bendito sangue nas minhas veias… Antes que alguém pergunte: Por que tu não experimentas outros tipos de alimentos “normais”? Eu respondo: Já tentei, mas é sempre a mesma situação… Náuseas, seguidas de vômitos…

Ouvidos e olhos atentos, o pensamento só tinha um foco: “Preciso achar algum vagabundo dando sopa”. Tem noites que é difícil achar alguém cometendo um crime, mesmo para alguém que tenha experiência com o submundo. Como o tempo passava rápido, resolvi ir para os becos, pois sempre tem um playboy que deixa o carro dando sopa, facilitando a ação dos marginais. Dito e feito, lá estava o carro com películas escuras, meio velho e sujo, mas com um suspeito rondando a sua volta. Eu estava a um quarteirão de distância, na sombra de uma árvore, mas era possível ver toda a ação do “malaco”.

No momento que precede a ação, eles sempre agem da mesma forma, rondam os veículos estacionados, dão uma volta por perto, olham os prédios e casas, olham dentro dos veículos e arrumam uma forma de abrir. Alguns são espertos, agem silenciosamente como bons cirurgiões, tem sua pequena bolsa com ferramentas e a poderosa “micha”. No entanto a grande maioria age na brutalidade. Prefiro estes últimos, pois a adrenalina acrescenta um sabor especial ao sangue, mas os “cirurgiões” também atiçam minhas papilas gustativas com seus métodos especializados e sua frieza…

Porta aberta – DVD player – Porta fechada – Corrida… Lambi meus lábios – Salivei – Liguei a moto e fui atrás dele, mas o que parecia fácil foi dificultado por um maldito ônibus que surgiu do nada, só deu tempo para escorregar a moto rapidamente de lado equilibrando-se e a encostando sem desligar na calçada. Na sequência o delinquente me viu e continuou- correndo. A situação já tinha passado dos limites e resolvi atacar rápido antes que aquilo virasse um circo… Aproximei-me o mais rápido que pude do infeliz, e com um chute o empurrei contra uma esquina escura. Antes que ele pudesse produzir qualquer reação grudei minhas presas na sua jugular, que jogou muito sangue contra minha garganta, seca, até então.

Bebi tudo o que podia e antes de ouvir o seu suspiro final, furei os seus dois olhos com as unhas dos dedos da mão direita, algo que aprendi com certo serial killer. O corpo? Joguei ao mar amarrado a algumas pedras…

Direitos humanos? Eles por acaso pagam os prejuízos materiais e psicológicos das vítimas? Eu também não, mas pelo menos sacio as minhas necessidades com os “pesos mortos” da sociedade.