Duas noites depois a minha conversa com Penélope fomos ao aeroporto da cidade buscar Sebastian e Claudia, professora de biologia e nova companheira de meu ex-braço direito. Um casal aparentemente normal, mas que exala intelectualidade por onde passa. Quem os vê certamente pensa: “Feitos um para o outro”.

Não lembro a data certa no qual Sebastian trouxe Claudia para o nosso convívio. No entanto, há mais ou menos dois anos ela soube de nossa existência.  Nunca vou esquecer-me da noite no qual Sebastian veio até mim preocupado, pensativo e na defensiva. Tive de tirar leite de pedra, antes que ele me confessasse seu  amor e suas intenções. Sobretudo, o que vocês precisam saber dela é que atualmente está no processo que precede a sua transformação, aos moldes do que tenho feito com Penélope.

De volta à fazenda, acomodei-os no quarto predileto de Sebastian e sai de moto com Pepe.  Naquela noite eu tinha planos para minha pupila e tudo começaria num dos meus ambientes prediletos, o pub.

– Veja as pessoas ao nosso redor, todas elas são obviamente únicas. Algumas se gabam por serem independentes, originais ou que não precisam dos demais para viver. Porém, mesmo no caos há um padrão para ser observado. Enquanto eu pego uma bebida pra ti observe aquele casal da mesinha redonda. Concorda comigo que eles vieram para um encontro e ainda não estão juntos, correto?

Fui para a ponta do balcão, aproveitei para sentir o local em busca de algo que pudesse atrapalhar minhas aulas e voltei a mesa tranquilo, junto de um bonito copo de Jack ao estilo cowboy.

– Tome, hoje vamos testar tua resistência… Alguma novidade sobre o casal?

– Uiii Jack Fê, não podia ser Vodka com Red Bull? Eles estão ali, apenas conversando. Acho que ela não gostou muito dele…

– Se tu conseguir beber mais duas doses pode escolher o que quiser… Mas vamos manter a discrição e acompanhar o casal. Tu achas que ela não quer nada? Vamos lá, pensa comigo. Ela está bem arrumada, ela riu de todas as besteiras que ele cochichou até agora. Acredite, com minha audição aguçada eu tô ouvindo todas as bobagens que ele disse e acima disso, veja aquilo. Mãos no cabelo e pronto… Começou a se inclinar para frente. Putz que cara tolo que ainda tascou um beijão nela…

– Aff ela pode ser ansiosa só isso.

-Não minha querida, são os padrões que eu te falei antes. Se existe algo que precisas aprender é que nem tudo se resolve com sangue ou poderes. A “manha” ou a “lábia” já salvaram muitos de nós ao longo dos séculos. Putz que banana, só pode ser cego e ainda levantou para ir ao banheiro sem ter bebido praticamente nada. Isso sim é um sinal explícito de ansiedade.

– Tá, acho que tô entendendo Fê… Agora ela deve estar indignada e mandando Whatsapp para alguma amiga sobre o babana?

– Isso minha garota! Vamos ver o que o cara faz quando voltar. Acredito que ele tenha ido respirar fundo, deve ter lavado o rosto e vai atacar na volta.

Seis minutos mais tarde o cara volta para a mesa e antes de se sentar, passa a mão nas costas da garota, que sente um intenso arrepio percorrer toda sua espinha. Pede desculpas pela demora, coloca sua mão direita sobre a dela e leva a outra para as suas costas. Novos arrepios, mais algumas palavras bobas, que nenhum dos dois presta atenção e enfim um primeiro beijo. Um beijo leve e com medo, mas que aos poucos esquenta e se intensifica com a fricção de suas línguas. Longos vinte e um minutos sacanas, pausados apenas pela respiração de seus pulmões joviais ou mordidas recheadas de segundas intenções.

– Está vendo, como ela estava afim e ele só precisava de um empurrão?

– Sim sim, vou começar a reparar mais nisso… Posso pedir agora uma dose de Grey Goose com Red Bull?

– Não minha querida, achei que tu fosse um pouco mais resistente e estamos de moto. Não quero que tu caia no caminho e tenhamos de apressar tua morte…

– Credo, se eu tivesse um pai acho que ele agiria como você agora…

– Que bom que pensas assim, está pegando o espirito… (risos)