Tendo em vista que na última semana vocês se empolgaram e me mandaram muitos textos eu vou fazer “hora extra” e publica-los o quanto antes.
Este foi enviado pelo Chet e na minha opinião ficou muito bom, pois expressou com muitos detalhes a maneira superior de como agem os vampiros.
Sabe aquela história do predador brincando com sua vítima antes do ato consumado? Esplendido ^^

Redenção

Em meio a noite de São Cristóvão, um padre Corria aflito em direção á catedral.Seus pés cansados mal pareciam tocar o chão,mas o velho homem corria com todas as suas forças.
A Noite o cercava de maneira pavorosa, fazendo-o tremer da cabeça aos pés, o que fez com que o simples homem retornasse aos tempos de menino, ás suas mais dolorosas lembranças:
Quando era Pequeno, o Padre Morava em um humilde vilarejo, perto da cidade de Digne, na França. Seus pais eram comerciantes, e ele tinha 3 irmãos, 2 meninas e 1 menino. A maioria morreu muito cedo, restando só uma menina, que passou o resto da vida ajudando o pai no comércio, e servindo-lhe de babá quando o mesmo perdeu a lucidez.
O menino, que viria a ser padre,devia aprender desde cedo a ter uma vida religiosa e santa, sem privilégios, humilde, e acima de tudo, honesta. Quando caia em tentação , era castigado pelas mãos severas do pai, que mesmo tendo perdido a lucidez, não havia perdido a boa vontade de lhe dar umas boas surras.
Certa Noite, uma das mais rigorosas noites de inverno, o padre, com 12 anos de idade, chegou em casa com um pedaço de pão dentro do casaco. Ao mostrar para a irmã, esta foi correndo contar ao pai, que foi atrás do menino,exigir explicações:
-Posso Saber, Guliver, aonde tu arranjastes este pedaço de pão?
O garoto permaneceu em silêncio.O pai, perdendo a paciência, gritou:
-Fale!
-Na igreja.-sussurrou o garoto, mal movendo os lábios.
Pai e filho ficaram se olhando, até que o primeiro o pegou pelo braço e o levou até a igreja,para tirar satisfações.Ao baterem na porta,um monge a abriu rapidamente, olhando para Guliver, com lascívia nos olhos:
-Pois então garoto,gostastes do pão que nós lhe demos?E viestes buscar mais ,espero…
Suas palavras sumiram ao ver o pai atrás de Guliver, que ao olhar para o rosto do Jovem monge, já entendera tudo o que se passara.
Ao voltarem para casa, Guliver já ia para o quarto quando o pai o puxou pelos cabelos em direção ao porão,aonde o trancou enquanto procurava alguma coisa na parte de cima da casa.Ao voltar,trazia um chicote com pontas de aço,bem conhecido para ambos os filhos,mas não muito esperado naquele momento:
-Pai…
-Tu cales a boca, que já fizestes o bastante.Se tens ainda algum pedaço de dignidade dentro de tí,eu espero que recebas o castigo sem que eu tenha de ouvir um gemido escapar de teus lábios…
No dia seguinte,Guliver havia entrado na igreja, para seguir o sacerdócio, e seu pai havia se suicidado.
-Pois bem,Senhor padre,Sua mente já voltou de suas memórias?-Perguntou uma voz ao longe, ao padre que ainda estava correndo em direção a catedral.O homem tropeçou e caiu,machucando ambos os joelhos.Trêmulo,pegou a cruz que jazia em seu pescoço e esticou-a em direção á escuridão,gritando:
-Onde estás?Quem és tú?
Um silêncio pior do que a morte se fez ouvir, e o padre se levantou,continuando a correr em direção á Igreja,que agora se mostrava á uns 15 metros de distância.
Ao adentrá-la,o homem não pode conter um calafrio, ao se lembrar de todas as coisas que havia feito naquele lugar.Tentando reprimí-las,e acreditando que o que o havia seguido lá fora não poderia adentrar lá dentro,Guliver caminhou silenciosamente em direção á Santa,com um sorriso triste no rosto.Ajoelhando-se,começou a orar:
-Ave maria Cheia de Graça…
-Vais começar com essa hipocrisia novamente,padre?-Sussurrou a voz,em seu ouvido.
Ao se virar, o padre esbarrou com um homem mais novo do que ele,vestido todo de preto.Sem pensar duas vezes,fez o sinal da cruz com os dedos,acreditando que alí na sua frente estivesse o próprio demônio.O homem,que na verdade era um vampiro, começou a rir,seu riso ecoando pela Catedral inteira.Guliver Tremeu:
-Francamente Padre.Achei Que tú, já tivesses passado dessa fase, mas vejo que me enganei…pois bem,não me importo.Me digas uma coisa,padre.Como tú achavas que a morte se pareceria?
Guliver começou a chorar.O vampiro,teatralmente solícito,sentou-se ao seu lado,dando tapinhas amigáveis em seu ombro:
-Vamos lá,não chores.Não vais morrer antes de responder essa pergunta…Aproveites que sou um homem curioso.
-Quem é você?-perguntou o padre,ainda chorando.
-Eu?Oras,o que tem eu? O personagem principal nessa história és tú,não eu.Quem és tú,Guliver, esta é a pergunta.
Os dois permaneceram em silencio, até que o padre perguntou,num sussurro:
-Vais mesmo me matar?
-Sim.-Respondeu o vampiro.
-Agora?
-Sim.
-Dentro desta Santa Igreja?-perguntou o padre,horrorizado.
-Lá vem a Hipocrisia de Novo…Não vejo problema nenhum com isso.-comentou o vampiro,dando de ombros.
-Sabe,todas as noites eu penso nas coisas erradas que eu fiz na minha vida…-comentou o padre.
-E?-perguntou o vampiro,se fingindo de desinteressado.
-Descobri que só há uma delas da qual eu realmente me arrependo.
-Hum…E qual delas seria?
-A noite em que eu fiz sexo com todos aqueles monges,em troca daquele mísero pedaço de pão.-Respondeu o padre,olhando para o teto.
-…
-Graças a isso…-Continuou o Homem.-Graças a isso,meu pai se matou, acho eu que de desgosto.Eu não devia ter feito aquilo.
-O que está feito está feito.-Comentou o vampiro,se levantando.-Depende de você ,decidir se ainda dá para concertar o erro,se ainda há redenção,cura e perdão nessas paredes encardidas que vocês tanto chamam de Santa Igreja,ou se tudo está perdido.
O padre se levantou,Meio tonto.O vampiro se encaminhava para a saída da Igreja:
-Você não ia me matar?-Perguntou o padre,confuso.
O vampiro se vira,os olhos negros analisando a situação mais uma vez.Respira fundo,teatralmente.Dá de ombros:
-Perdi a vontade.
Em seguida ,caminha até o fim do campo de visão do padre,que mais confuso do que nunca,grita:
-Espere!
Uma voz ao longe,calma e distante,responde:
-Sim padre?
-O que você é?-Pergunta o padre,curioso.
O vampiro rí,sua risada ecoando ao longe:
-Boa Noite,Guliver.