Esses dias comecei a escrever algo sobre a solidão e não gosto de ficar de ficar sempre falando o lado ruim das coisas. Todavia, o Xix me mandou um texto super interessante sobre isso e que exemplifica muito o que eu iria falar.
Confesso que esse não é o meu melhor podcast, mas pelo menos vocês ficam com duas verões: uma escrita e uma em voz para caso estiverem com preguiça de ler ^^

Ausência

Hoje, lembrei do dia mais feliz da minha vida. Ao seu lado, sentado, sentindo o calor de dias que não voltam mais. Os tempos de criança em que conversávamos sobre nosso futuro. Quão doce era sua voz e quão quente seu toque. Eu sempre o guardei em minha memória. Seu cabelo escuro balançava e seus olhos acompanhavam meus movimentos. Ninguém estava por perto, estávamos livres.
Sentia em meu peito o coração romper a camada de correntes. Estas que me limitavam a sentir apenas o que é “lógico”. Com você nada importava, eu não precisava de mais nada. Sabia apenas que era você.

Hoje, lembrei também do dia mais triste da minha vida. O momento seguinte em que estávamos sentados simplesmente compartilhando o melhor sentimento que já senti. A solidão a dois havia nos deixado. Uma estranha criatura quebrou o silêncio e sua figura ameaçadora nos fez tremer. Um grito de pavor ficou trancado na minha garganta quando ele partiu em direção a você. Seu ar de poder não foi o suficiente para me impedir de tentar.

Os olhos dele sabiam o que eu queria, mas ele não se importava. Vi você escapando de mim, desaparecendo como a cor de meus olhos. Sei o quanto chorou. Sei o quanto sofreu por eu ter sido tão idiota, mas não me arrependo nem um pouco. Sei também o quanto minha morte foi difícil para você, mas não me importo de ter salvado sua vida.

Hoje, o que me dói é ver o quanto sua vida tem sido infeliz por minha causa. Minha total ausência de coragem faz com que o meu amor seja sufocado. Não sei o que fazer. Você me aceitaria ainda? Você não ficaria horrorizada por ver no que me tornei? Não tenho coragem o suficiente para tentar, por isso, o que me resta é o triste, solitário, inanimado sentimento de ausência.”