Vampiro mata assaltantes de banco

Quem nunca tentou encontrar o seu limite? Eu faço isso freqüentemente. Correndo o máximo que posso e quase ultrapassando carros em avenidas, pulo de um prédio ao outro ignorando o meu medo de altura e utilizando técnicas de Le Pacur, vôo em forma de névoa o mais alto que posso até o limite da atmosfera e claro, evito tomar sangue humano fresco o máximo que posso.

Todavia, essa questão de não beber sangue tem seus problemas. Lembre-se, um vampiro não bebe sangue apenas por necessidade alimentar, é através de sua energia espiritual que a besta interior se acalma, ou seja, quando um vampiro se alimenta ele também alimenta seu outro eu, um eu por vezes maligno e que sempre precisa de um calmante.

Feita a introdução é hora de contar como foi a minha última peripécia:
Hoje mais calmo eu penso comigo: “Puta merda, eu podia ter encontrado o meu fim”…

Depois de quase 10 dias sem beber sangue eu resolvi me afastar de casa, avisei Beth que iria tentar ficar uns dias a mais sem me alimentar e fui para uma pequena cidade, próxima a fronteira entre Santa Catarina e Paraná. Uma cidade pacata, na serra e livre de perigos. Por que fui para lá? Primeiro por que tenho onde ficar e segundo por que eu sabia que por lá não teria, bandidos, polícia ou alguém que pudesse interferir no meu jejum.

As noites a estavam frias, para essa época do ano, algo que eu aprecio e que me motivou a dar uma volta. Lá estava eu vagueando próximo a um Pub, um local agradável que me fez lembrar da vida no começo do século, haja vista que é decorado com muitos objetos antigos, o que produziu um ambiente clássico de começo de século. Como eu já estava ali por uma semana e sem sangue o que é pior, meus sentidos estavam super aguçados, qualquer movimentação, cheiro ou barulho mais alto instigava e pedia minha atenção. Por isso sai de casa precavido e como sempre levava minhas armas e o colete. Outro dia eu falo mais sobre esse poder que as armas oferecem, mas é algo que só quem usa sabe, é uma espécie de muleta e mesmo quem tem super poderes sabe das suas vantagens. Não que eu tivesse saído para matar alguém ou quisesse arrumar “rolo”, é que no estado que estava com certeza ia dar merda. Ok ok ok a Beth já me repreendeu por causa disso…

Papo vai papo vem, acabo ouvindo alguém comentar sobre um assalto, sim, para o meu azar alguém comentava que iria assaltar uma das agências do banco do Brasil da cidade. Foi difícil encontrar quem era em meio a tanta gente, até achei interessante eles terem marcado a reunião da quadrilha em um local movimentado, o que eles não podiam prever é que alguém com ouvidos aguçados estaria por ali. Nessas horas minha garganta se fecha, meus olhos brilham ,meu coração parece que vai começar a bater e quem me vê fala que minhas bochechas claras ficam rosadas. Não sei ao certo o que ocorre, mas acredito que seja meu diabinho querendo aparecer e botar pra quebrar.
De qualquer forma agir ali não seria de bom grado, muitas pessoas, lugar apertado e por mais que eu quisesse me alimentar era preciso esperar um bom momento (até ai eu tinha controle do demônio). Aguardei até que a quadrilha formada por 4 homens saísse , os segui até a saída e em um local onde ninguém pudesse me ver assumi a forma de nevoa. Foi fácil seguir a caminhonete preta com placas de Curitiba-PR até a oficina onde eles estavam passando a noite.

O galpão era a uns 15 minutos do centro em uma região de poucas casa e com pouca luz. Perfeito não acha? Também achei, e foi ali que comecei minha festinha privada. Entrei dentro do galpão e aguardei até que todos dormissem. Materializei-me dentro de um banheiro que lá havia e ataquei minha primeira vítima, como um felino com movimentos calculados e silenciosos.

Uma mão na boca e a outra no peito segurando os braços… Relaxante, extasiante, saboroso e tranqüilizante era o sabor aquele sangue fresco…

Um tinha ido faltavam três, agora mais calmo foi fácil, entrar no quarto onde estavam os outros três e acorda-los falando: -E ai quem vai ser o primeiro? Meio sonolentos eles foram acordando assustados, um deles que estava no chão me olhou de baixo para cima e disse: Quem é tu seu louco? Eu dei chute em seu braço e disse: Cala boca babaca eu sei o que vocês iriam fazer amanhã e vim imped…Nesse momento eu fui interrompido por um travesseiro jogado pelo cara de cima do beliche. Ouço o engatilhar de uma arma e quando menos esperava fui atingido por dois tiros no peito, que me fizeram cair sobre o cara da frente…

Assim começava mais uma chacina e sempre da mesma forma sem que eu começasse… Juro que eu não ia fazer nada, apenas uma boa surra e nem me alimentaria deles, mas…

As presas cresceram mais que o normal, vieram os pelos, os músculos inflamaram e novamente a besta toma conta. Lembro de vários flashes, carne sendo rasgada, muitos tiros e muito sangue. Alguns minutos depois fui “acordado” pelo toque do meu celular: Oi amor, logo estarei em casa…

Hora de limpeza geral e nesse momento sempre tento agir como o melhor dos detetives, pensando no que poderia me incriminar. Carreguei a caminhonete e fui para terras amigas, lá ocultamos os cadáveres e veículo.

Ferdinand W. di Vittore

Nascido em 1827, foi transformado em vampiro com 25 anos em 1852, enquanto ainda vivia na pequena cidade de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, Santa Catarina – Brasil.

Criou este site em 2008 com o objetivo de divulgar as ideias do seu clã, instituição fraternal em que ele, seu mestre e alguns amigos mais chegados pertencem. Além disso ele também publica aqui e no vampir.com.br histórias do seu cotidiano. Está quase sempre bem humorado e nos últimos anos possui um projeto chamado “Os escolhidos” em parceria com Hector. No qual eles “ajudam” a polícia e a sociedade na resolução de crimes hediondos.

Ferdinand também ocupa suas noites com a escrita e recentemente publicou um livro com suas memórias: https://my.w.tt/UiNb/gz325qd62s

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1 Resultado

  1. LAAH.. disse:

    nossa empresionante!gostei.valeu a pena ler bj