Era pouco depois do anoitecer, eu ainda sentia o calor do sol que estava por de trás das montanhas e lá estava minha sede. Lá estava o meu eu malvado, me cutucando e me lembrando do gosto do sangue daquela pobre alma.

Faziam mais de dois meses que eu havia rompido o silêncio do seu sono, quando invadi aquela casa em busca daquele perfume maravilhoso. Será que devo procurá-la de novo, estará ela só?

E fui à busca de mais alguns segundos de puro prazer e nutrição. A casa tinha daquelas janelas com vidros com forro de madeira e estava aberta no segundo andar. As cortinas brancas balançavam por causa do vento e novamente eu sentia o perfume invadindo minhas extasiadas narinas. Olhei em volta e não vi ninguém, muito menos senti a presença de algum outro da família ou imortal. Pulei o baixo muro, atravessei o florido quintal e silenciosamente escalei até a janela que emanava o perfume dos deuses.

Sim sim, o perfume aumentava de intensidade, minhas narinas enlouquecidas queriam mais daquele manjar. Foi então que a vi. Deitada em sua cama de lençóis escuros de ceda e lendo um livro… Seu rosto demonstrava surpresa, mas de tal forma que ela parecia gostar do que estava vendo… Aproximei-me então, deitei ao seu lado e fiz carinho em seu cabelo escuro e cacheado. O perfume vinha de seu colo, mais especificamente do meio de seus seios de porte mediado que insistiam em fugir de dentro da camisola.
O beijo foi inevitável e quase resultou na sua morte, se não fosse o lado humano que sempre surge pedindo que a vida continue… Lambi a ferida, deitei seu corpo de forma confortável, cobri suas vergonhas e beijei de leve a sua testa antes de sair…

Foi assim que criei minha primeira dependente, que nada mais é do que uma pessoa do qual nos alimentamos de vez em quando. Uma espécie de fonte viva ou ainda uma forma sustentável de sobrevivência. Afinal por que esperar por uma doação se podemos ir direto a fonte…