Em todos os meses deste 2012 anno Domini, fora meu smartphone o grande culpado por me transmitir a maioria das notícias ruins. Então, esta história não poderia iniciar de outra forma se não assim…

Estava eu cuidando da parte burocrática de uma de minhas fabricas, quando o smartphone com chip do Brasil tocou. Inclusive me assustando, haja vista, tamanha concentração que eu empregava em algumas contas e conferências. Ao perceber que era Eleonor, atendi, liguei o viva voz e antes mesmo de dar boa noite fui surpreendido de outra forma. Muitos barulhos de motor de carro, junto de alguns gritos, tiros de armas de fogo e na sequencia um breve silêncio.

Naquele instante a sensação de algo ruim acontecendo tomou conta de mim e em meio aquele silêncio, resolvi dizer algo: – Eleonor? – Ninguém me respondeu, os segundos passavam e todo aquele silêncio na linha… 20 segundos haviam se passado e então resolvi ligar para Stephanie de outra linha. Lembrei que provavelmente elas estariam juntas, no entanto, para aumentar ainda mais minha aflição, o celular deu caixa postal. Naquele momento fiquei ainda mais apreensivo e de mãos atadas, eu pensava no que poderia fazer. Quando o silêncio deu lugar a pequenos estalos, que aumentaram de intensidade de uma forma muito rápida até que por fim a linha caiu.

Depois disso, tentei ligar para ambas por várias vezes, mas sempre na caixa postal. Como a sensação de problemas aumentava cada vez mais, larguei meus papeis como estavam, sobre a mesa de centro da sala e liguei para Franz. O celular dele também chamou várias vezes e para piorar minha tensão ele também não atendeu. – Maldição, que mer**, o que diabos está acontecendo. – Pensei comigo. Ainda não era o momento para importunar Georg, que aliás estava acompanhando os últimos dias e noites de Kieran. Porém, o tempo passava e quando estava prestes a chamar meu senhor, meu telefone toca e desta vez era Franz.

Conversamos por alguns instantes, ele também havia sentido algo diferente e depois de muitas teorias resolvemos ir até o refúgio de Eleonor. Nós até havíamos recebido algumas ameaças, nada que tivesse fugido do habitual e que merecesse maior atenção. Todavia, ao menos se algo de ruim estivesse ocorrendo, já tínhamos por onde começar. Fui de moto para agilizar minha ida e combinei de me encontrar com Franz num café próximo ao apartamento de nossa irmã.

Próximo ao quarteirão do condomínio, muita movimentação e alguns policiais faziam um bloqueio nas ruas que davam acesso ao lugar. Neste instante a sensação ruim já estava impregnada em minha cabeça, e ficou ainda pior quando percebi o prédio de Eleonor ruindo em chamas. Eu não queria acreditar e na verdade naquele momento nem passou pela minha cabeça, que Eleonor pudesse estar dentro daquele inferno.

Estacionei a moto o mais rápido que pude em um local mais afastado, desci, tirei o capacete e senti a presença de outro ser sobrenatural. Procurei ao redor e não ví ninguém, porém quando dei por mim, Franz estava ao meu lado. Deixamos as formalidades de lado e ele foi logo me contando o que descobrira antes de minha chegada.

— Lí a mente de alguns humanos e dentre muitas informações desencontradas, entendi que Eleonor e Stephanie foram surpreendidas por um grupo armado e sofreram, o que chamam hoje em dia de “sequestro relâmpago”. Já vistoriei o lugar e não existem câmeras de segurança pelo arredores. Só espero que a tua morena não tenha deixado nada no lugar e que possa ser usado contra nós no futuro. Como eu sempre digo, é um absurdo ela querer viver como gado, uma hora isso iria acontecer. Repito eu avisei…

Mesmo em uma situação tão ruim, Franz manteve seu tom de voz calmo como sempre e apesar de suas alfinetadas me controlei e o convenci de darmos mais uma olhada pelo lugar. Sai de perto dos olhos humanos, transformei-me em névoa e vaguei pelo lugar em busca de alguma pista ou respostas. Passei pelos curiosos, furei o bloqueio policial e vistoriei por primeiro o carro de Eleonor. A SUV possuía duas marcas de tiros de armas de pequeno porte e um dos vidros estava quebrado. Nenhum sangue ou vestígio a não ser um brinquedo de criança, que provavelmente era da filha de Sthephanie.
Ao chão próximo do veículo, alguns cartuchos vazios e que deviam ser da arma de Eleonor, porém o que prendeu minha atenção foi uma marca de mão em uma das portas do carro. Esta marca parecia ter sido feita por alguém que tivesse fogo nas mãos ou alguma espécie de luva especial, pois derreteu parte da superfície metálica. Naquele momento eu percebi que o carro deveria ser eliminado e voltei até Franz. Próximo a ele e já na forma humana eu lhe contei o que ví.

Ele pensou por alguns instantes e depois disse para segui-lo. Subimos então até o alto de uma das construções próximas do lugar e alí naquele terraço aberto, ficamos por um tempo apenas observando o andamento de tudo. Confesso que tentei imaginar os planos de Franz, mas antes de sugerir qualquer cousa, ele me surpreendeu com uma granada, que estava em um dos bolsos de seu sobretudo. Naquele momento ele simplesmente ignorou todos os meus pensamentos, deu um passo à frente e com um sorrisinho sacana estampado em sua cara, ele arremessou a pequena bomba contra o veículo.

O grande impacto do artefato contra o carro chamou a atenção de quase todos, porém o que ninguém esperava, era a explosão que viria na sequencia. Estilhaços do veículo atingiram algumas pessoas próximas, porém nada grave. O susto, fez a multidão se dissipar e foi ai que também aproveitamos para sorrateiramente ir embora.

Franz foi comigo de moto e cerca de 10 min depois paramos em uma rua deserta e desocupada, próxima de um parque. Ali começamos um conversa que durou alguns minutos, onde inclusive sugeri algo que ele aceitou de imediato. Chamar Julie, uma amiga Wampir inglesa, que digamos, é especializada em demônios e vive pela Améria latina há alguns anos.