Lobisomens chilenos na década de 30

No início da década de 1930, o Chile enfrentava o uma grande reviravolta política e social. Alguns chamaram aquele período de anarquia, porém nada mais era do que uma espécie de retomada do poder pelo povo, onde os militares entraram em acordo e deixaram aos poucos o comando do país nas mãos dos políticos ditos democratas.

Como nós sabemos essas mudanças entre regimentos nunca são tranquilas e para meu azar foi justamente numa época em que eu resolvi tirar umas férias por lá. O interesse era simples, o Chile daquela época possuía muitos atrativos, principalmente a possibilidade de contato com uma antiga tribo de Lobisomens de origem Inca.

Então, aproveitei o momento em que nossa fazenda já estava completamente estruturada e funcionando sozinha, para viajar junto de Sebastian e mais alguns Ghouls. Lembro-me que até comprei um caminhão Ford daqueles AA na tentativa de levar nossas bagagens, porém boa parte do caminho acabou sendo de barco.

Foram muitos os detalhes, as histórias e tudo mais que precedeu nossa chegada até tal tribo e na verdade isso por si só já renderia bons contos, mas foi o acaso que realmente trouxe Carlos ao nosso convívio. O jovem lobisomem que já apareceu por aqui em outros contos, estava de passagem pelo minúsculo porto de Pisagua e coincidentemente ao mesmo tempo em que fazíamos uma parada por lá.

De inicio aquela velha simpatia (grosseira, desconfiada e petulante) dos lupinos, porém depois das devidas apresentação, onde especifiquei minha linhagem, conseguimos acesso há matilha. Esta, aliás, na época se concentrava em uma região conhecida atualmente como parque nacional Volcán Isluga. Certamente, muitos de vocês só entenderão essa minha ligação com os peludos depois do lançamento do meu livro 1, mas digamos que nossa proximidade é familiar.

Cerca de 150km do mar e depois de um longo caminho de paisagens por vezes desértica ou com pedras escuras provenientes da última erupção do vulcão em 1913, chegamos a tal lugar. Dificilmente algum outro Wampir acompanhado de mais quatro indivíduos teria acesso, porém a descendência do Barão sempre me abriu muitas portas ou pernas…

Completamente diferente do Brasil, aquela região não possuía árvores maiores de 2m, era fria, extremamente alta aos pés do Andes e se não bastasse, eles ainda viviam em casas feitas de barro, pedra e palha. Imaginem vocês que até mesmo Sebastian, que nunca foi de reclamar, estava indignado pelo lugar que eu havia o levado.

De inicio mais hostilidade e petulância até que novamente minha linhagem entrou em questão fazendo até mesmo o ancião nos pedir desculpas pelo tratamento selvagem inicial. Cabe aqui uma explicação nunca antes dita por mim, de acordo com algumas lendas, vampiros e lobisomens tiveram uma origem coirmã. Sendo assim, as linhagens mais antigas como a minha, transmitem maior credibilidade e confiança entre ambos os grupos.

Enfim, passamos quatro noites entre eles, tivemos oportunidade de participar de um ritual de fertilidade, mas esse tempo acabou sendo muito curto para que adquiríssemos os conhecimentos que almejávamos. Fomos descobertos por um grupo de caçadores fortemente armados.

Ataque furtivo, exatamente no final do dia enquanto ainda acordávamos. No entanto, por sorte algumas medidas haviam sido tomadas, como se fundir a terra durante o dia e deixar os ghouls de vigília. Fatores que garantiram nossa proteção até que o sol fosse embora por completo.

Nesta época eu ainda possuía muito controle sobre minha forma digamos bestial, porém em situações deste tipo, digamos que ela surgia mais facilmente. Muito se fala sobre a selvageria dos lobisomens nos filmes ou livros, mas presenciar uma briga junto de qualquer grupo deles, é algo que certamente faria qualquer um ter seu estômago revirado do avesso.

Partes humanas voavam pelo ar, junto do rubro plasma, que se intercalava ao cheiro de pólvora queimada. Gritos de mulheres e crianças se intercalavam aos gemidos e golpes secos de socos, garras e tudo mais que pudesse ser quebrado. Uma eternidade havia passado no tempo de alguns minutos até que um longo e gutural uivo ecoou por toda a região. Silenciando desta forma toda aquela evasiva e desnecessária matança.

33 Comentários

Bom dia Ferdinand! 😉
História fascinante como sempre, e contada por um escritor maravilhoso como você ficou melhor ainda. Enchi tanto seu saco no twitter ontem pra você postar, e só estou comentando agora. Com todo o respeito, a culpa é sua, porque eu esperei mas acabei saindo antes de ter a oportunidade de ver o post XD
Ps: O que são “ghouls”?

kkkk imagina, eu estava sem tempo mesmo, pode deixar que atualizarei mais o site…
Ghouls? São mamíferos (incluindo os humanos) que pontualmente recebem sangue de algum Wampir. Estes adquirem de imediato uma afeição sobrenatural ao doador, que pode utilizar o receptor “como quiser”, entendeu?

Concordo plenamente…A(not)vampire…. é muito viciante mal acabo de ler e já fico imaginado o que virá depois!! Agora sou mais uma seguidora, na expectativa do livro dele !! 😉

Muito interessante. Agora me questiono de onde apareceu o mito de que os Lobisomens e os Vampiros eram inimigos naturais.
Um abraço 🙂

Mera questão capitalista de quem vende mais…. sempre existiu vampiros e licantropos de esquerda e de direita…..da mesma forma da questão política humana.
Acontece que uns sabem lidar com isso entretanto outros se acham além da própria existência, uma pena, afinal das contas todos temos um prazo de validade ( seja dentuço, peludo, olhos negros, etc). A unica certeza que todas as raças ( ou espécies, como preferirem) possuem é a morte certa.
Não temam, nem julguem..apenas vivam intensamente, se forem do interesse atentem para a filosofia e prática luciferianista e absorvam da mesma forma que vossas células à água e viveram aquém da própria natureza mortal.

O fato de vampiros e lobisomens convivendo “pacificamente” entre si realmente causa um estranhamento… Concordo que talvez seja pelas histórias de guerra entre as raças, criadas ao longo do tempo. Mas, eu achei muito interessante.
Pena que os caçadores surgiram. Tão estraga prazeres… 🙁

Mais uma história incrível. Adoro o modo como escreve, Ferdinand.
Até logo! ^.~/

Infelizmente o mundo nunca foi um lugar pacato e se engana quem pensa que tudo está tranquilo. Como fizem há momentos em que a ignorância pode ser uma benção…
Obrigado minha querida, tento sempre ilustrar ao máximo minhas idas e vindas mundo a fora!

Minhas saudações às Damas e Cavalheiros. Boa noite.
Temo que deva concordar, em partes, com o comentário do Senhor Gabriel. Pois em nossa jornada, nesta vida, temos a certeza do início, e sabemos que temos adiante o seu final. A questão é quantos passos temos que dar para que o alcancemos? A distância entre os dois extremos, assim como a profundidade de nossas pegadas, é diferente para cada um de nós. Alguns deixam centenas de marcas suaves da relva, outros deixam milhares de pegadas na areia, mas há aqueles que marcam em dois passos a mais dura das rochas.

De fato, um conto interessante (espero a parte 2 ! =) ) .
E Sr. Ferdinand , seu livro ainda não foi publicado ?
E caso tenha sido por favor diga-me o nome , para que minha pessoa possa adquiri-lo e lê-lo . =)

olá a todos cá estou eu novamente , estava com muitas saudades de todos vocês , e me tire uma duvida o que é este ritual de fertilidade de que se fala no texto ? e também se diz que vampiros e lobisomens tiveram uma origem coirmã o que seria o significado dessa palavra ,,, buenas noches para todos …..

acho uma boa ideia gato para eu ficar mais par das coisas já que até hoje eu não sei como eu pude ver uma coisa daquelas na minha frente …… gracias por me responder

Amei o conto,como sempre tirando o meu fôlego e fazendo a minha mente viajar,senti como se estivesse lá……lingerie vermelha…..eu prefiro preta usar a preta……e Cassandra por onde andas,saudades das nossas conversas tenho novidades. XD

Olá Suzy , realmente estou um pouco ausente.
Novidades…espero que sejam boas. Falaremos em breve. 🙂

E um viva para nosso surpreendedor escritor Sr. Ferdinand Wulffdert di Vittore,
dizer que adorei é pouco né? e vampiros visitando lobisomens?! não duvido de nada mais.

Caro Ferdinand, ou Galego, ainda não sei se são as mesmas pessoas!!!! Gostaria muito de ter uma conversa mais pessoal, expor minhas opiniões e duvidas, peço por gentileza, que entre em contato comigo através do e-mail… Desde ja agradeço… Espero ansiosa pelo retorno!!!

Ok… Logo entrarei em contato!!! E espero de verdade que eu consiga as respostas que tanto procuro!!! E e isso seja o inicio de uma longa e duradoura “amizade”… Se for possível lógico!!!

Caro Ferdinand, na opção de e-mail no seu blog, quando clico para tentar te mandar um email, aparece pág nao encontrada!!! Vc tem um email alternativo para que possa estar falando com Vc???

Desculpa… Agora consegui!!! Mesmo assim obrigada!! Já te mandei o email, agora aguardo as respostas e espero que consiga responder Todas!!!

Ferdinand, Infelizmente eu não consigo acreditar!!! Por mais que eu tente, me esforce, eu não consigo… Mil desculpas!!! Não é por falta de vontade… Me faça acreditar!!! Mudando de assunto, como me cadastro no seu Blog??? E se possível responde meu e-mail, estou ficando agoniada!! Kkk Serio!!!!

Minhas saudações às Damas e Cavalheiros. Boa noite.
Interessante vossa abordagem Senhor Ferdinand W. di Vittore. Realmente foi marcante este período, que dentre outras ocorrências, houve a crise do salitre que quebrou a economia deste país. Muitos investimentos se perderam portanto juntamente com a tão conhecida Grande Depressão, um reflexo da primeira guerra mundial, e que foi uma forte aliada, por assim dizer, ao surgimento de regimes de extrema direita, de caráter nacionalista, nazistas como houve na Alemanha e fascistas na Itália. O mundo estava, e está, mudando. Tomo a liberdade de expor que não precisamos ir ao longe em raciocínio para considerar que grupos mais fechados e tradicionalistas, por assim dizer, em tempos como estes acima referidos tendem a se isolar ainda mais. A “aristocracia” tem a triste tendência ao “superprotecionismo-seletivo” (Aka. Há seleção dentro do próprio círculo).