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Novos laços – pt1

A primeira semana do ano foi banhada pela lua minguante e em muitas crenças ou religiões tal fase é relacionada ao desapego. Aquilo tudo que não queremos mais, deve ser deixado para trás nessa época: mental, material, espiritual. Para que na próxima fase a lua nova nos permita preencher os espaços vagos literalmente com novidade.

Acredite ou não, no que eu falei até aqui. Fato é que Gaia ou o planeta tem seu próprio ciclo, que depende muito do coletivo. Por isso, diversos grupos, clãs ou matilhas se reúnem e se aproveitam desses momentos para reaver planos. Integrar novos membros ou simplesmente equalizar o que já estava sendo realizado.

Conosco não foi diferente, tanto que organizei uma semana para ficarmos juntos lá pela fazenda. Todos foram: Franz, H2, Pepe, Sebastian e o cara que vos escreve. Na primeira noite, reativamos nossos laços e compartilhamos nosso sangue. Algo simples, onde cada um coloca um pouco de seu sangue num cálice e compartilhamos. Eu como líder em exercício bebo primeiro e em seguida a ordem é do mais antigo para o mais novo.

Tal laço nos reaproxima, fortalece o comprometimento e de forma sobrenatural permite que cada um sinta o outro quando estiver próximo e tenhamos uma união que vai além das palavras, sempre pensado no bem dos enlaçados. É uma prática comum na maioria dos clãs organizados, mas também pode ser visto como um tipo de enlace obrigatório e combatido por muitos rebeldes.

Nas noites seguintes, revisitamos os compromissos com os antigos que hibernam. Limpamos suas criptas, atualizamos os dispositivos de segurança. Reforçamos portas, paredes… as tumbas. Essas deram problema e é onde se inicia uma nova história por aqui.

Mármores e granitos, se mantidos da melhor forma duram uma eternidade além de um vampiro, por exemplo. No entanto, aqueles que foram utilizados nas criptas dos “velhos”, desde sua construção no final do século XX, começaram a exibir uma porosidade maior do que o esperado. Não sou geólogo, mas acredito que água sanitária e tantos outros produtos que utilizamos ao longo das décadas. Junto ao fato de termos um controle de umidade apenas recente e tantos outros malcuidados, pode ter afetado a estrutura dos minerais.

Situação que eu já monitorava a tempos, mas confesso que não dei a devida atenção…

– Olha ali, isso vai desmoronar, eu acho. – Comentou Pepe com seus olhos ainda jovens.

– Pqp, mano. Como não viu isso, ainda mais ali… deixa eu conferir – Comentou Franz de certa forma desesperado.

Ele se pôs a observar cada centímetro da cripta, o que me deixou preocupado:

– Franz, por que a preocupação maninha… Essa não é a…

Ele me interrompeu de forma seca:

– Sim é a Audny, lembra que falamos dela uns anos atrás?

– Isso só pode ser obra do destino, meu irmão. Veja só a cripta dela está se desfazendo e o caixão vai junto… Chegou a pesquisar melhor sobre ela?

– Não encontrei ninguém que esteja a mais de 500 anos acordado, essa merda!

– Ta isso não vai cair agora, mas precisamos decidir e agora que estão todos aqui é um bom momento de democracia.

Pepe se atreveu a comentar antes de H2 e Sebastian:

– Eu iria curtir mais uma vampira por perto, vocês pareciam se dar tão bem com a Eleonor…

– Cala boca menina… Interrompeu Franz se remoendo no passado.

– Muita calma nessa hora Marquês! – Lembre Franz de seu antigo título.

Sebastian aproveitou minha pausa e trouxe:

– Façam o que achar melhor, mas não contem comigo pra ser babá de uma velha…

H2 sentiu confiança e como era o último emendou Sebastian.

– Mantenho-me neutro também senhores.

– Sério que vocês vão deixar eu brigar com Franz por isso? – Comentei fazendo um gracejo, mas meio puto. – Continuei – Tá, vou me entender com o meu irmão e até o fim desta semana alinhamos algo.

Na noite seguinte ao final de um ritual para exploração de nossa metamorfose animal, troquei uma ideia com Franz:

– Seguinte, falamos da Audny em 2018 e desde então fiquei preocupado de não seguir o que o Georg havia pedido…

– Sossega, ele não entende o mundo atual. Aquela vez que voltamos ele, tu lembras que ele preferiu hibernar novamente.

– Mas será que ela não vai ter o mesmo entendimento?

– Olha faça o que achar melhor, mas repito o que a tua cria te disse: não vou ser babá de velho.

– Caralho, clã unido pra caralho Franz. Eu me responsabilizo por ela…

– Tá sem problemas ne? Tu procuras isso, só isso que te digo!

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