Já faz um tempo que quero lhes contar algo que acho muito importante sobre minha vida vampiresca, no que diz respeito à passagem do tempo. Sempre me perguntam como é “viver” sem se preocupar com o passar dos anos e tudo o que possa envolver tal sensação. Confesso que minhas respostas variam bastante. Principalmente, no que diz respeito à “sensação do passar dos anos”.

Primeiro que fique claro que envelhecemos, mas de uma forma bem diferente da humana normal. Nossos corpos tem a habilidade de regenerar rapidamente quaisquer machucados ou traumas que por ventura possam comprometer seu funcionamento normal, mas isso não combate o envelhecimento do DNA. Não tenho a intenção de lhes mostrar dados técnicos ou médicos, mas gostaria que vocês tentassem entender esse processo.

O envelhecimento vampiresco ocorre lentamente, talvez seja uma punição dos deuses ou o próprio fator humano biológico se deteriorando. Claro que, todo esse envelhecimento não é algo visível. Mesmo por que eu conheço vampiros que já viveram mais de 1500 anos, Georg é um deles.

O que importa nisso tudo é que sim. Eu vejo o mundo diferente de vocês humanos. Minhas prioridades são outras, meu ritmo e rotinas são diferentes. Por vezes eu até durmo, acordo e faço algo, no entanto já passei diversos dias em claro sem que sentisse quaisquer indícios de sono. O Franz por exemplo mantém o recorde de insônia entre os vampiros da família, foram longos 74 dias sem dormir. Aliás, no 76º dia ele acordou e passou mais uma semana ou duas novamente sem dormir.

Enfim, o que eu queria explicar para vocês é que às vezes um dos meus passatempos é sentar num banco de praça e observar a multidão passando correndo ao redor. Na minha visão vocês estão sempre correndo e isso é ruim, pois a maioria não percebe o tanto de cousas boas que há ao seu redor.