Naquela noite eu ouvia um som novo de uma banda chamada Texas Hippie Coalition, uma pegada pesada com vocal grave, daqueles que te fazem balançar as pernas e cabeça ao ouvir. Quando recebo uma sms do delegado, cuja interrupção abrupta na música, me despertou de imediato uma sensação de ansiedade pelo que estava por vir.

“Tenho um novo caso pra ti, pago como sempre em moeda fresca.” – Dizia a simples frase que de súbito fez as papilas gustativas de minha língua se excitar. – “Estou longe, mas posso chegar rápido caso o pagamento esteja fresco mesmo RS” – Obviamente eu não podia deixar de fazer uma piadinha. –“Relaxa, vou te mandar as instruções, só precisava saber se queria um novo passatempo. Abs”

Então, o som havia retornado, porém novamente fora interrompido pelo bip de “nova mensagem”. Alguns segundo para os arquivos serem baixados e lá estava eu diante mais um daqueles casos em a que a policia tinha dificuldades para atuar. Ainda mais a brasileira… Furto seguido de duplo homicídio, com posterior evasão sem vestígios de arrombamento ou quaisquer sinais de outra presença além das vítimas.

Apesar de furtos com homicídios serem algo quase comum no Brasil, havia algo de estranho naquela ocorrência. De acordo com meu ex-cunhado, a cena estava muito limpa, algo que indicada uma ação profissional. Porém, o que lhe fez vir até mim foi o item afanado. De acordo com parentes do casal assassinado, dois homens gays e colecionadores de obras de arte, um totem antigo não estava na sala de estar.

Quando o papo envolve totens há sempre o envolvimento de lobisomens, fato que de imediato me fez ligar para Carlos. Todavia, como o “peludo latino” está sempre em meio aos seus afazeres de tribo, consegui apensas lhe deixar uma mensagem na caixa postal. Também contatei Sebastian, que sempre se empolga neste tipo de ocorrência, porém ele ainda estava ocupado em suas ultimas aquisições amorosas. Apesar de ele ser minha cria e eu poder requisitar a sua presença quando necessitar, eu preferi deixá-lo fora desta vez. Afinal, não é sempre que um Nerd se permite desfrutar dos prazeres da carne.

Naquela noite não fiz nada demais além de algumas pesquisas e contatos no submundo, mas não encontrei nada sobre eventuais rituais, movimentações lupinas ou qualquer outra cousa que merecesse maior atenção. Foi nesta noite, aliás, que Julie resolveu dar o ar da graça depois de algumas semanas oculta em suas próprias trevas. Disse ela que estava com saudades, mas me ver pessoalmente, que é muito melhor, ela não o fez ¬¬

A lua já estava minguando quando Carlos finalmente retornou minha ligação. – “Como lo puedo ayudar?” – Lá estava a voz seca, grave e pouco gentil do peludo, tal qual sempre me é difícil de decifrar em função dos inexpressivos sentimentos, mas que depois de algumas piadas sempre emite uns moderados HÁ-HÁ-HÁ de assustar desavisados mais sensíveis.
Contudo, tendo em vista suas atuais ocupações ele não poderia me encontrar de imediato, mas combinamos que caso minhas investigações iniciais produzissem algum resultado significativo, ele poderia “comparecer personalmente”.

Contatos feitos e naquela mesma noite eu preparei minhas pistolas com balas de prata, juntei algumas outras surpresinhas “antilobisomem”, abasteci uma de minhas motos e fui investigar o local mais obviu: a cena do crime…