Para entender melhor esta história leia as duas anteriores:
A morte de um Mago – 1 de 2
A morte de um mago – 2 de 2
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Acordei, tomei uma bela ducha escaldante e ainda nu em meu quarto, passei por todo meu corpo um perfume levemente adocicado. Apesar de possuir vários frascos dos parisienses, ultimamente eu tenho apreciado o leve frescor doce do Stiletto Elegance. Confesso que minha fortuna poderia comprar qualquer perfume que eu quisesse, porém não tenho as ditas “frescuras” dos ricos e utilizo sempre os que me agradam independente de seus valores.

Enfim, o papo de hoje não é sobre, banhos, perfumes ou o sujo dinheiro, mas sim sobre a tal caixa. Neste momento em que inicio meus escritos, está tocando a clássica Stairway to Heaven e certamente alguns irão dizer que pode ser uma coincidência. Outros que é o destino, já eu, no entanto, prefiro pensar é por causa da alta e pura magia, que sempre nos envolve neste plano.

Então depois do banho e do perfume, eu olhei para o criado mudo e aquela caixa que estava sobre ele, parecia-me mais atraente do nunca. Era uma sensação estranha do tipo, que me dizia que eu precisava ao menos tocá-la. Obviamente não resisti, peguei-a e sentei-me sobre a cama, na intenção de mais uma vez tentar abri-la.

Uma leve sacudida e como uma criança que desconfia do pacote de presente, eu ouvia novamente breves ruídos do que havia dentro. Talvez fosse algo de metal, talvez de madeira, porém o que realmente me atraia nela eram os 7 kanjis Japonenes menores. Estes ficavam num dos cantos do cubo e não haviam sido entalhados como os demais. Eles pareciam ter sido feitos a mão com algum objeto cortante, talvez a ponta de uma faca? Pensei…

A fim de descobrir, liguei o notebook e procurei no Google por referências aos tais desenhos. A busca de inicio não foi fácil, haja vista que hoje em dia existem milhares desses ideogramas. No entanto e antes de tudo me lembrei de algumas dicas de Sebastian e resolvi definir de que parte do mundo oriental eles pertenciam. Imagens e mais imagens, até que me dei conta de que eram japoneses e na sequencia descobri que eram do tipo Hiragana e katakana.

Ao fim de uns 20 min mais ou menos, descobri a sequencia: もっと 愛します ou Motto aishimasu que significa em português: Te amo cada vez mais.
Neste instante a imagem de Suellen não saia mais de minha cabeça. Até que resolvi procurar em minhas coisas, pela única lembrança que eu ainda possuía daquela bela vampira: nossa aliança de casamento.

Aquele velho pedaço de ouro, já surrado pelos tempos, não é na verdade uma joia cara ou rara. Porém, sempre carregou consigo além de algumas inscrições em alemão, a energia do que havia sido um momento muito especial em minha não vida. Claro, que depois de tantas décadas ele já não emanava a mesma energia daqueles tempos, ou sou eu que já não a sentia, porém mais uma vez eu decidi colocá-la no dedo anular esquerdo.

Contudo, desta vez ao usá-l, eu senti uma espécie de energia, que inclusive arrepiou desde minha espinha, até os poucos fios de cabelos de meus braços. Além disso, ao fitá-lo por alguns instantes em meu dedo, percebi que a opacidade havia dado lugar a um moderado brilho e ao olhá-lo com mais afinco, percebi que alguns dos riscos haviam sumido. Não cheguei a me impressionar, mas depois de esquecer-me dele em meio as busca na internet, tomei novamente a caixa em minhas mãos e eis que então fui surpreendido por sua tão aguardada abertura.

Alguns ruídos de travas de madeira sendo liberadas, seguidos de uma espécie de destravamento e então um dos lados se abriu. Nesse momento um breve aroma de laranjeiras tomou conta do quarto e inclusive era muito parecido com aquele que eu sentira no funeral de Kieran.

Removi com cuidado a tampa e lá estava uma carta selada com cera vermelha. O carimbo de cera utilizando possuía a imagem de um dragão, algo que na época era muito utilizando pelo clã de Suellen. Junto havia ainda algumas ervas muito bem preservadas e um vidrinho. Dentro do compartimento havia um composto arenoso, cinza escuro e que impressionantemente não possuía cheiro algum.

Isto tudo até então me lembrava muito as poções de Suellen, porém só tive a confirmação ao abrir a carta e me deparar com 3 páginas escritas com a linda letra de Su…

Dentre os escritos em alemão, língua nativa de minha bela vampira, há uma espécie de confirmação do amor que ela sentia na época por mim. Ela comenta também sobre como nosso casamento havia sido o momento mais feliz de sua não vida, dos seus anseios, seus medos e de como queria ser feliz comigo. Há ainda na última página a descrição do ritual, no qual as ervas e o coposto do vidrinho são necessários. É algo relacionado à proteção, fruto do seu árduo estudo naquela época tão longínqua.

Bom, depois que tudo isso aconteceu, vocês já ficaram sabendo pelo meu Twitter, que sai de moto por ai sem rumo. Dei aquela famosa espairecida, em busca do controle de meus pensamentos e como sempre o vento na cara me ajudou muito. Ao menos, não estou mais ansioso e infelizmente tudo que tenho ainda é aquela sensação de saudades, misturada com um pouco de raiva e ódio. No qual vocês só saberão o porquê depois que lerem meu primeiro livro. Onde toda a minha história com Suellen será exposta em seus detalhes mais deliciosos e vampirescos.