Certamente, “Como encontrar um vampiro?” é a pergunta que mais me fazem depois de “Como se transformar em vampiro?”. Isso é algo que para o meu entender não se explica e se encaixa no mesmo patamar daquela brincadeirinha “qual a cor do cavalo branco de Napoleão?”.

Porém, como sou um vampiro legal e gosto de contar minhas andanças mundo a fora. Segue abaixo uma lembrança que tive esta noite que passou, sobre outra época, noutro continente, em outro mundo…

Disseram-me que o gelo do inverno havia derretido quase que por completo e isso por si só me era um ótimo motivo para sair do castelo e dar uma volta pelo centro de Berlin. Sabe, esticar as pernas, sair da rotina para talvez conhecer gente nova. Nesta época ainda não possuíamos carros e as carruagens ou cavalos nos levavam de um lado para o outro. Desta forma levei algumas horas para fazer uns 50km até o centro de minha adorada Brandemburgo.

Mandei o cocheiro me aguardar numa praça qualquer, peguei minha cartola, a bengala e segui a pé por entre as ruas ainda frias daquela noite. Passei por pubs animados pelos cânticos dos bêbados, por lugares sujos repletos de mendigos, lixo e ratazanas. Vislumbrei amantes, ladrões, vendedores e até mesmo crianças fazendo cousas que até mesmo Deus duvidaria.

Sinceramente dou risadas, quando vejo pessoas idolatrando épocas como a Medieval ou Vitoriana. Se o assunto for moda eu mesmo gosto muito daquelas senhoritas com vestidos e espartilhos, porém se formos parar para analisar eram muitos os problemas da sociedade. Não havia esgoto, empresas que recolhiam lixo ou hábitos de higiene tais quais os atuais. Não é a toa que a peste negra dizimou muitos.

Enfim, deixando o contexto histórico de lado… Eu ainda estava passeando por uma rua quando avistei ao longe uma bela senhorita. Nesta época eu não possuía o dom de perceber as energias, portanto de inicio era apenas uma moça, sozinha e frágil. Aproximei-me e fui cavalheiro – Posso acompanha-la senhorita? Está uma noite fria e este lugar me parece um pouco perigoso para uma dama. – Mesmo diante tal cordialidade ela não me respondeu e continuou andando ao meu lado.

Tentei novamente – Desculpe-me, só queria ser cortês contigo – Neste instante passávamos próximos a um beco e muito rapidamente ela me jogou para dentro dele. Mal tive tempo de analisar a situação e me vi encostado na parede tendo uma das mãos dela segurando “minhas partes baixa” e a outro meu pescoço por trás. De baixo para cima ela me encarou e ao mesmo tempo em que mexia carinhosamente as mãos, foi incisiva com uma voz sexy quase rouca – Não gosto que me sigam Wampir, se também estás à caça, saibas que este é meu território!

Depois disso ela me deu uma tapa na cara e saiu andando como se nada tivesse acontecido. Confesso que tinha gostado do seu jeito, vampirinha esperta e cheia de atitude. Pena que nunca mais a ví por aqueles lados…